Com show em clima de confraternização, Gildomar Marinho encerra temporada 2013

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Show mesclará música e poesia no Bar do Ferro Velho, no Benfica, em Fortaleza/CE

O tempo das festas de fim de ano é um tempo de reciclagem. A agenda não comporta tantas confraternizações. Inspirado no período, o músico Gildomar Marinho resolveu inventar e apostar em mais uma. Ele apresenta o show O futuro tem o coração antigo no Bar do Ferro Velho (Rua Confúcio Pamplona, 352, Benfica, Fortaleza/CE) nesta quinta-feira (26), às 20h, com entrada franca.

O nome do espetáculo o músico tirou do título do livro novo de Celso Borges, recém-lançado em São Luís do Maranhão. “Celso é talvez o maior poeta em atividade em São Luís, dono de uma poesia visceral, sem nunca perder a ternura, e só faz livros bonitos. Depois da experiência de unir música e poesia em uma trilogia [A posição da poesia é oposição, composta pelos livros-cds XXI (2000), Música (2006) e Belle Epoque (2010)], este une poesia e fotografia. Tive a honra de tê-lo como parceiro em Pedra de Cantaria”, explica Gildomar Marinho, referindo-se à participação que o poeta fez em seu segundo disco, quando colocou voz no poema Vazio [de Celso Borges], incidental de Claustrofobia, faixa do cd.

O futuro tem o coração antigo é o reencontro do poeta com outra São Luís, cidade em que nasceu e da qual vivia distante”, continua Gildomar. “Usar este título para este espetáculo é uma forma de homenagear e também de mostrar minha relação com São Luís, onde vivi, onde tenho parceiros e que sempre estou visitando para me impregnar de sua cultura popular, de sua beleza arquitetônica e matar as saudades”. O resultado é ouvido em faixas como É de Reis, tambor de crioula de sua autoria, gravado em Tocantes, o terceiro disco, lançado em 2013, indicado a algumas categorias do Prêmio Universidade FM (de São Luís/MA) este ano.

Destaque – O local escolhido para a realização do show é um espetáculo à parte. “O Bar do Ferro Velho tem este nome por que é um bar à noite, mas de dia, lá funciona um ferro velho. Além desse detalhe, o destaque fica por conta do cardápio, preparado por dona Leide, esposa do Seu Paulo, o proprietário do ferro velho”, convida Gildomar. O leitor e a leitora imaginem o que é tudo isso somado à boa música dele, aos poemas de Celso Borges que serão lidos durante o espetáculo e ao que outros artistas trarão. “Neste espetáculo, eu, na verdade, serei uma espécie de anfitrião, de mestre de cerimônias. Cantarei músicas de meus três discos – incluindo Olho de Boi, o primeiro, de 2009 –, lerei poemas de Celso Borges, mas franquearei o palco a artistas e amigos que aparecerem por lá e se sentirem à vontade para participar”.

Projetos – Em 2014 Gildomar Marinho pretende fazer shows de lançamento de Tocantes em São Luís, Alcântara e Imperatriz, no Maranhão, além de entrar em estúdio para gravar seu quarto disco, cujo título provisório é Mar do Gil, um trocadilho com seu nome e uma homenagem ao Pindaré que banhou sua infância.

Livro – Interessados em adquirir O futuro tem o coração antigo, novo livro de Celso Borges, podem fazê-lo pelos sites da Editora Pitomba, do livro (onde é possível folhear virtualmente algumas páginas, além de ouvir trechos) e/ou pelo e-mail cbpoema@uol.com.br. Tocantes, novo disco de Gildomar Marinho, pode ser adquirido na ocasião.

Serviço

O quê: O futuro tem o coração antigo, show especial de fim de ano e confraternização
Quem: Gildomar Marinho, com participações especiais
Onde: Bar do Ferro Velho (Rua Confúcio Pamplona, 352, Benfica, Fortaleza/CE)
Quando: 26 de dezembro (quinta-feira), às 20h
Quanto: grátis

O reencontro do poeta com a cidade

Não que poesia careça de explicação, não é disso que estou falando, mas a melhor definição de seu novo livro é o próprio Celso Borges quem dá. Os versos impressos na contracapa – e que o abrem – anunciam: “o futuro tem o coração antigo/ não é um livro saudosista/ mas um exercício de ternura/ a pele da flor na carne da cidade futura”.

O título do livro é mantra que martela a cabeça do poeta, que já havia usado a frase do italiano Carlo Levi como epígrafe em XXI (2000), seu primeiro livro-disco, que inaugura a trilogia A posição da poesia é oposição, continuada com Música (2006) e completada com Belle Epoque (2010).

O futuro tem o coração antigo [Pitomba, 2013] é um livro de poemas curtos, que marcam o reencontro de Celso Borges com sua São Luís natal, após 20 anos de São Paulo – ele voltou a morar aqui em 2009 e em rápida apresentação, divide sua existência em três blocos, as três cidades de São Luís em que viveu: a primeira entre 1959 e 1989, a segunda, a mudança para São Paulo, e a terceira o retorno, período em que foram concebidos os poemas deste novo livro.

Celso Borges não é saudosista, “antigamente era antigamente e era muito pior”, já disse num poema [A saudade tem seus dias contados, que fecha Belle Epoque]. Mas em tempos de instagram e toda tecnologia do mundo recorre a recursos, digamos, rudimentares, para compor seu novo livro: O futuro tem o coração antigo é datilografado e ilustrado por retratos da cidade realizados através da técnica pin hole. Sua poesia, sincera e marcante, prescinde de ferramentas e técnicas. Exige, sim, seu coração de homem antenado com a realidade, batendo no compasso do ofício pelo qual foi escolhido – poeta!

Em preto e branco juntam-se os poemas de Celso Borges às fotografias dos alunos de Eduardo Cordeiro no IFMA, sob o design de Luiza de Carli, que já havia materializado ideia do poeta na revista Pitomba, de que é um dos editores.

Seu reencontro com a cidade – sem mágoas, expectativas ou juízos de valor – não faz do livro obra para iniciados – ou faz? Qualquer um que tenha nascido, vivido, passado (ainda que rapidamente) ou ouvido falar de São Luís poderá apreciá-lo – como à cidade, sob algum ângulo. E mesmo quem não conheceu Faustina ou A vida é uma festa – evento semanal ainda na ativa –, o Cine Éden do passado ou o Box idem, poderá extrair beleza dali, o que O futuro tem o coração antigo transborda. Foi Fabiano Calixto ou Marcelo Montenegro – dois poetaços – quem disse uma vez, não faz tanto tempo numa rede social, que Celso Borges faz os livros mais bonitos do mundo?

Há várias maneiras de lermos este O futuro tem o coração antigo. Como um longo poema. Como vários poemas curtos. Como pílulas poéticas, cartões de visitas, guias para um passeio pelas cidades, que São Luís é várias, mesmo se nos contentarmos com a clássica divisão cidade nova versus cidade velha, as pontes por sobre o Rio Anil, este também um personagem, unindo a São Luís horizontal com a vertical. Ou ainda como um álbum de fotografias que retrata São Luís entre o belo e o feio, o casario tombado pelo patrimônio histórico e o prestes a tombar pela falta de conservação por parte de proprietários e poderes públicos irresponsáveis, os buracos que se tapam e reabrem a cada chuvisco, o esgoto a céu aberto, os cartões postais, a São Luís real, de verdade, pura poesia. Mesmo quando trisca em política, o que temos de mais nojento desde sempre, o autor soa poético, o que talvez lhe explique a alcunha de homem-poesia com que o tratam os amigos.

Mas a intenção aqui não é estabelecer um manual de instruções para o livro. Cada um o apreciará à sua maneira, difícil mesmo será quem não o faça – haverá?

Depois da volta de Celso Borges à Ilha, o Cine Roxy, quase em ruínas e então exibindo apenas filmes pornôs, tornou-se o Teatro da Cidade de São Luís – embora velhos como este blogueiro ainda prefiram chamá-lo pelo antigo nome –, hoje palco de importantes acontecimentos no cenário cultural da capital maranhense, o que inclui o lançamento de O futuro tem o coração antigo, amanhã (21), às 19h, com entrada franca. Na ocasião o livro será vendido por R$ 30,00 e haverá a exibição de um vídeo, o teaser abre-ilustra este post, realizado por Beto Matuck e Celso Borges.

O futuro tem o coração antigo e o passado tem lugar certo em nossos corações. Sem nostalgias baratas ou gratuitas, que pra frente é que se anda, “um passo à frente e você não está mais no mesmo lugar”, como disse outro poeta cujo futuro foi abreviado. Um pé no passado, outro no futuro, a poesia de Celso Borges é um espaço-lugar em que a cidade não para no tempo – para o bem e/ou para o mal, “a cidade só cresce”, sem saber onde vai dar, sem saber se é desta vez que a serpente vai acordar.

O uivo do poeta

Aldeia, minha faixa predileta de Parador, disco mais recente de Nosly, parceria dele com Celso Borges que, na gravação original, tem a participação de Zeca Baleiro, que produz a bolachinha.

CB, parceiro de ambos, soma-se a outro parceiro, Beto Ehongue, para seu primeiro espetáculo poético-musical de 2013.

Clássico do Pink Floyd completa 40 anos

“Eu não sei nem se foi ironia ou se por amor”, como cantaria outro grande de nossa música, resolveu batizá-lo, o espetáculo, White side of the moon, justo nos 40 anos do outro, o Dark side of the moon.

O show acontecerá 27 (noite de lua cheia), às 21h, no Chico Discos, e terá poemas da trilogia A posição da poesia é oposição, formada pelos livros-discos XXI, Música e Belle Epoque, além de quatro poemas inéditos. Além de CB (poemas, voz) e Beto Ehongue (laptop e trilhas eletrônicas), a apresentação contará com as participações especiais de João Simas (guitarra) e Luiz Cláudio (percussão).

A produção não informou o valor dos ingressos, à venda no local.