Fernando Mendonça inaugura exposição logo mais na Galeria Hum

Carranca pontilhada em azulejos, uma das peças da exposição

FM é rádio, mas são também as iniciais de Fernando Mendonça, artista plástico maranhense radicado no Rio de Janeiro desde a década de 1980. Aos 50 de idade o artista, que nunca perdeu os laços com a terra natal, inaugura exposição em que homenageia a capital maranhense por seus controversos 400 anos.

“É uma mostra para marcar a data. É a minha parcela de contribuição com o movimento cultural da cidade. Além de tudo, completo 50 anos de vida, sendo mais de 30 dedicados à pintura”, diz o artista sobre o caráter comemorativo da exposição.

FM Upaon Açu + 400 será aberta hoje (25), na Galeria Hum (Rua Um, 167, São Francisco), às 19h. As cercas de 60 peças que compõem a exposição, entre nanquins, aquarelas e acrílicos, começaram a ser concebidas em maio passado, especialmente para esta ocasião.

Politicar

Defeito 3: Politicar.

Terceira faixa de Com defeito de fabricação (1998), de Tom Zé.

Presentinho à nossa classe politicanalha pelos controversos 400 anos da Ilha. Engraçado que a justaposição “politicanalha” soa quase como “política na Ilha”.

Passem óleo de peroba em suas caras de pau e enfiem bem sabem onde suas falsas promessas.

“A carapuça assenta na cabeça de quem usa”, sempre ouvi minha sábia avó dizer.

Palmas para Brecht

 

 

Entre as fotos que minha esposa trouxe de Palmas/TO, onde participava do Seminário Serviço Social e Direitos Humanos, estes dois pensamentos certeiros, como sempre, de Bertolt Brecht (é, a turma da ambientação errou o nome do autor alemão).

Em tempo: aos que chegaram por aqui procurando algo pelos controversos 400 anos de São Luís, este blogue já antecipou sua homenagem.

Maranhão 70

O discreto aniversário de 70 anos de Chico Maranhão, “um ser criador”.

ZEMA RIBEIRO

O compositor durante show no Clube do Choro Recebe (Restaurante Chico Canhoto) em 27/10/2007

Como era de se esperar, não houve estardalhaço midiático pelos 70 anos de Chico Maranhão, compositor tão importante quanto Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Paulinho da Viola, outros ilustres setentões da senhora dona Música Popular Brasileira. Nem os meios de comunicação de Pindorama nem os timbira deram qualquer atenção à efeméride.

“Para mim é uma data como outra qualquer”, me diz o compositor ao telefone, em 17 de agosto passado. A afirmação não demonstra arrogância, mas simplicidade e desapego. Francisco Fuzzetti de Viveiros Filho, “nome usado unicamente para guardas de trânsito e delegados, com os quais ele não permitia a intimidade de seu verdadeiro nome – Maranhão”, como afirmou Marcus Pereira na contracapa de Lances de Agora (1978), há pouco mais de um ano descobriu um erro em seu registro de nascimento. “Nasci 17 e no registro consta que nasci 18; agora eu comemoro as duas datas”, diz. Avesso a comemorações, no entanto, o autor de Ponto de Fuga passou as datas em casa, lendo Liberdade, de Jonathan Franzen.

Puro acaso (ou descaso?), 17 de agosto foi a data em que o Governo do Estado do Maranhão anunciou a programação cultural oficial do aniversário dos controversos 400 anos de São Luís, em que figuras como Roberto Carlos, Ivete Sangalo e Zezé di Camargo & Luciano desfilarão pela fétida Lagoa da Jansen, os shows sob produção da Marafolia, com as cifras mantidas em sigilo, em mais uma sangria nos cofres públicos. Como outros artistas de igual quilate domiciliados na Ilha, Chico Maranhão ficou de fora.

“Quando eu tava em São Paulo [estudando Arquitetura e já envolvido com música, participando dos grandes festivais promovidos por emissoras de televisão, na década de 1960] e resolvi vir embora, muita gente me desaconselhou. Eu vim, sabendo para onde estava vindo. Sou feliz aqui, apesar de ver a cidade crescendo desordenadamente, de saber que daqui a algum tempo acontecerá aqui o que já aconteceu em São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Salvador: você não poder mais sair de casa ou por que não há espaço para seu carro ou por que você pode ser assaltado em qualquer esquina”, conta Chico, que revela estar com um disco praticamente pronto. “Estou esperando passar esse período de campanha eleitoral, em que os estúdios ficam todos ocupados para finalizar”.

Maranhão (1974)…

A obra musical de Chico Maranhão tem uma qualidade extraordinária e ao menos três discos seus são fundamentais em qualquer discografia de música brasileira que se preze: Maranhão (1974), do mais que clássico frevo Gabriela, defendido em 1967 pelo MPB-4 em um festival da TV Record, Lances de Agora(1978), de repertório impecável/irretocável, gravado em quatro dias naquele ano, em plena sacristia da Igreja do Desterro, na capital maranhense, e Fonte Nova (1980), da contundente A Vida de Seu Raimundo, em que Maranhão recria, a sua maneira, a barra pesada da ditadura militar brasileira (1964-85) e o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, nos porões do DOI-CODI.

… Lances de Agora (1978)…

A trilogia é tão fundamental quanto rara: lançados pela Discos Marcus Pereira, os discos estão esgotados há tempos e confinados ao vinil. Curiosamente nunca foram relançados em cd, como os trabalhos de Canhoto da Paraíba, Cartola, Donga, Doroty Marques, Papete e Paulo Vanzolini, para citar apenas alguns poucos nomes produzidos e lançados pelo publicitário, que após mais de 100 discos em pouco mais de 10 anos, acabaria se suicidando, acossado por dívidas.

… e Fonte Nova (1980): a trilogia fundamental de Chico Maranhão

A estreia fonográfica de Chico Maranhão data de 1969. À época, seu nome artístico era apenas Maranhão e ele dividiu um disco brinde com Renato Teixeira, um lado para composições de cada um. Do seu já constava Cirano (que apareceria novamente em Maranhão e Lances de Agora), para a qual Marcus Pereira já nos chamava a atenção à qualidade literária desta obra-prima. “Este disco merece um seminário para debate e penitência”, cravou certeiro o publicitário na contracapa de Lances de Agora. Bem poderia estar se referindo à obra de Maranhão como um todo.

Formado em Arquitetura pela FAU/USP, na turma abandonada por Chico Buarque, a formação acadêmica de Maranhão, também Mestre em Desenvolvimento Urbano pela UFPE, certamente influencia sua obra musical, onde não se desperdiça nem se coloca à toa uma vírgula ou nota musical, em que beleza e qualidade são a medida exata de sua criação. “Na verdade, sou um criador, não me coloco nem como arquiteto nem como músico, sou um homem criador, o que eu faço eu vou fazer com criatividade, com qualidade”, confessou-me em uma entrevista há sete anos.

A obra de Chico Maranhão merece ser mais e mais conhecida e cantada – para além do período junino em que muitas vezes suas Pastorinha e Quadrilha (parceria com Josias Sobrinho, Ronald Pinheiro, Sérgio Habibe e Zé Pereira Godão), entre outras, são cantadas a plenos pulmões por multidões que às vezes sequer sabem quem é seu autor.

A reedição de seus discos em formato digital faria justiça à sua obra infelizmente ainda pouco conhecida, apesar de registros nas vozes de Célia Maria (Meu Samba Choro), Cristina Buarque (Ponto de Fuga), Diana Pequeno (Diverdade), Doroty Marques (Arreuni), Flávia Bittencourt (Ponto de Fuga e Vassourinha Meaçaba), MPB-4 (Descampado Verde e Gabriela) e Papete (Quadrilha), entre outros.

As palavras de Marcus Pereira, em que pese o número hoje menor de lojas de discos, continuam atualíssimas. A contracapa agora é de Fonte Nova: “‘Lances de Agora’, o mais surpreendente e belo disco jamais ouvido pelos que a ele tiveram acesso, nesta selva do mercado brasileiro onde, em 95% das lojas, encontram-se apenas 100 títulos de 20.000 possíveis. Esses 100 discos privilegiados todo mundo sabe quais são. Este ‘Fonte Nova’ é um passo além de ‘Lances de Agora’. Quem duvidar, que ouça os dois. Mas os seus discos são de um nível poético e musical que, no meu entender, não encontra paralelo na música brasileira”.

[Vias de Fato, agosto/2012]

400 anos de São Luís: panfletagem constrange Sarney e Cia. na farra das medalhas!

DO VIAS DE FATO

Um grupo de integrantes do Grito dos Excluídos marcou presença e criou um fato político importante na cerimônia promovida pela Assembleia Legislativa do Maranhão, no Centro de Convenções Pedro Neiva de Santana, para homenagear os 400 anos de São Luís. O evento, puxado pelos deputados, foi uma grande patacoada, que tentou juntar muita gente de bem com quadrilheiros e alguns notórios picaretas. Uma noite que, nesta festa do quarto centenário, será conhecida como a farra das medalhas!

O interessante é que o clima de perturbação criado pelo singelo protesto fez com que José Sarney, Roseana e os ministros de Estado Edison Lobão e Gastão Vieira (que estavam no evento entre os 400 homenageados) saíssem pela porta dos fundos, para não cruzar com a panfletagem. Esta informação nos foi passada pelas pessoas que estavam trabalhando no local e confirmada por várias integrantes do cerimonial, que nos contavam um ou outro detalhe do embaraço, sempre com um sorriso maroto. E o bando saiu tão rápido, que nem ficou para o coquetel, que àquela altura, estava inundado pelos panfletos.

Entre os integrantes do protesto estava o poeta Cesar Teixeira, fundador do jornal Vias de Fato, que inclusive, estava na lista dos homenageados. Cesar não quis a homenagem. Ele não foi receber “sua” medalha, indo para o evento de bermuda, ficando fora do auditório, entre os manifestantes.

Logo na abertura da cerimônia, muito “chique”, cercada de pompa e circunstância, a jornalista Dulce Brito secretária de comunicação da Assembleia (ligada a Fernando Sarney), se equilibrando em cima de um salto, tentou impedir a ação política, afirmando que não seria permitida a distribuição do material gráfico. Rapidamente foi acionada a segurança e um tenente coronel da Polícia Militar, com traje de gala e acompanhado de outros militares, tentou pessoalmente recolher os panfletos. Tudo em vão! Os integrantes do Grito se recusaram a entregar, deixando claro ao oficial, que ele teria que prendê-los para impedir a ação que estavam determinados a fazer.

Foi neste clima que começou a cerimônia! De repente, com o falatório já iniciado, ninguém podia mais entrar com bolsa no auditório, pois havia um medo de que elas estivessem cheias de panfletos. Isso acabou criando problemas e houve um convidado, que não tinha nada a ver com a panfletagem, que foi barrado por causa da sua bolsa e acabou armando um barraco na porta do auditório. Diante do tumulto, uns já gritavam: “tem que revistar alguns que estão lá dentro!”.

E assim, enquanto o cínico festejo se desenrolava no auditório, os manifestantes garantiram a possibilidade da panfletagem dentro do Centro de Convenções, sob o forte argumento de que aquele era um local público, a festa era de uma instituição pública e tudo ali estava sendo pago com o dinheiro do contribuinte. E os promotores do evento foram obrigados a ceder, pois não tinham outra opção. Ou permitiam a panfletagem, ou teriam que usar da força, contra um grupo de mulheres e homens que reunia integrantes do Comitê Padre Josimo, das Irmãs de Notre Dame Namur, da União Por Moradia Popular, das CEBS, da CSP Conlutas e do jornal Vias de Fato. O deputado estadual Bira do Pindaré também reforçou o argumento do grupo, ajudando a garantir a panfletagem, que foi feita, exatamente, entre o auditório e o local onde seria servida a bóia, os comes e bebes.

E assim, a verdadeira festa aconteceu! A cidade foi homenageada! Mais de mil panfletos foram distribuídos, diante do sinal positivo de uns, da zanga de outros e do constrangimento de vários. Tudo isso acontecia, enquanto um encurralado José Sarney saía com Roseana e seu grupelho mais próximo pela porta dos fundos. E os manifestantes, de alma lavada e com a certeza do dever cumprido, saíram pela porta da frente, não sem antes, provar do pirão, pago com o dinheiro dos já citados excluídos.

Viva São Luís!

São Luís, 400 anos

(PEQUENO HINO COMPULSÓRIO)

CESAR TEIXEIRA

 

A cidade está em festa,
400 anos de amor.
É amor que nem presta
e uma fome indigesta,
já tomamos Sonrisal e não passou.

São Luís hoje é a glória
da hipocrisia universal.
As muambas da História
e o lixão da memória,
tudo é Patrimônio Cultural.

Cidade dos Azulejos,
espelho do Além Tejo ou de Paris,
Athenas Brasileira do Calvário.
Feliz aniversário, São Luís!

Cidade dos Azulejos,
favelas, sabiás e bem-te-vis,
República do Conto do Vigário.
Feliz aniversário, São Luís!

&

A letra desta marcha chamou-me a atenção no show Shopping Brazil, que Cesar Teixeira apresentou no último 3 de agosto, no Trapiche. Ao lado de São Luís do Maranhão: Corpo e Alma, livro recém lançado pela professora Maria de Lourdes Lauande Lacroix, são, até aqui, as melhores homenagens recebidas pela capital maranhense.

Dia dos bruxos

31 de agosto não é dia das bruxas: é dos bruxos.

Uma vez fui a uma festa em que as atrações eram o mesmo trio titular de DJs anunciados na filipeta que abre/ilustra este post: Franklin, Pedro Sobrinho e Zod, em ordem alfabética. A eles, nesta, se soma o convidado Jards Zue.

Desta vez o palco é o Odeon, bar que foge à regra quase geral do mau gosto que toma conta da Praia Grande.

O mote da festa é celebrar antecipadamente os controversos 400 anos de São Luís, 400 anos de lendas, doidices e mistérios. É tanta doidice que o Odeon anuncia este grande encontro para 32 de agosto. Doidice? Eles sabem que o negócio vai amanhecer e muita gente nem vai querer saber de “quando entrar setembro”…

São Luís: os 400 anos e sua imprensa

Jornais da capital maranhense repercutiram o anúncio pelo Governo do Estado do Maranhão das festividades de comemoração dos controversos 400 anos de São Luís.

Da família da governadora Roseana Sarney O Estado do Maranhão é o que traz a maior matéria sobre o assunto, o que não quer dizer a melhor (ou a menos pior). O texto, entretanto, não passa de um grande publieditorial, em vez de jornalismo, cometendo equívocos como dizer que a Biblioteca Pública Benedito Leite será inaugurada quando o correto seria dizer reinaugurada.

A governadora do Maranhão Roseana Sarney e o prefeito de São Luís João Castelo não dialogam; isto é, em alguns dias deverá ser anunciada outra programação oficial dos 400 anos da capital maranhense pelo segundo, em ritmo de campanha pela reeleição.

Não houve qualquer planejamento para a pretensa megafesta que se avizinha e o caos deve se instalar na Lagoa da Jansen, palco dos shows. Artistas como Gilberto Gil, Roberto Carlos, Ivete Sangalo, Zezé di Camargo & Luciano, Alcione, Zeca Pagodinho e Rita Benneditto (que todos os jornais continuaram chamando Rita Ribeiro, mesmo após a mudança do nome artístico da cantora) não têm agendas tão simples de se encaixar em uma programação em cima da hora.

Perguntas básicas que deveriam ter sido feitas por algum/a jornalista presente à coletiva em que a filha do presidente do Senado anunciou a programação: quanto custará aos cofres públicos a farra dos 400 anos? Quanto custa cada cachê das megaestrelas contratadas e anunciadas? De onde sairão estes recursos?

A cobertura domesticada do anúncio das festividades, com o Jornal Pequeno limitando-se a copiar o G1 (no Maranhão sinônimo de Mirante), fez-me lembrar do saudoso Millôr Fernandes, colecionado por Ruy Castro em Mau humor: uma antologia definitiva de frases venenosas [Companhia das Letras, 2007]: “Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”.

Das falácias dos 400 anos

Domingo, 1º. de maio do ano passado. 85 anos do jornal O Imparcial, que então estreava novo projeto gráfico. A capa do Impar, seu caderno de cultura, trazia uma entrevista que fiz com Sofiane Labidi, coordenador do programa São Luís 400 anos.

O tipo de entrevista de que saímos não botando fé. À época eu pensava, sobre os tais 400 anos: “falta pouco mais de um ano, a turma ainda tá perdida”. Na entrevista, o tunisiano radicado na Ilha declarava: o comitê estratégico organizador da grande festa de aniversário da “única capital brasileira fundada pelos franceses” (cf. Zé Raimundo) ainda não havia se reunido, ao mesmo tempo em que dizia (mentia?) que havia diálogo com o Governo do Estado do Maranhão.

Durante um tempo, já fora dO Imparcial, passei um tempo pensando na possibilidade de entrevistar novamente Sofiane Labidi. Para o Vias de Fato, para o mesmO Imparcial, para outro diário da capital ou simplesmente para o blogue. A entrevista eu faria por conta própria, sozinho, bloco, caneta, gravador, máquina fotográfica, gasolina. Entregaria o material pronto a quem quisesse publicar ou simplesmente postaria aqui. Nunca comentei a ideia com ninguém, o tempo acabou passando, São Luís está às vésperas dos controversos 400 anos, enfim, não rolou a reentrevista, cuja ideia básica seria simplesmente repetir-lhe as mesmas perguntas da entrevista publicada em 1º. de maio e checar se as respostas batiam ou divergiam, se algo havia evoluído ou dado passos de caranguejo.

Domingo, 5 de agosto de 2012. O mesmo Impar, do mesmO Imparcial, traz em sua capa matéria assinada por Samartony Martins: Prioridades do quarto centenário. Já cato o jornal com desconfiança: “ué, não deveria ser o quarto centenário a prioridade?” O sutiã do texto anuncia ajustes no programa São Luís 400 anos por conta da falta de recursos. Não é de se estranhar: seu próprio coordenador, em maio do ano passado, ainda não fazia ideia de quanto se gastaria na festança.

O repórter se empolga e chega a anunciar a contagem regressiva pelo relógio instalado na cabeceira da Ponte do São Francisco, no Centro da cidade, ridículo, diga-se, para “a maior festa dos últimos tempos realizada na cidade”. Eu seria mais cauteloso: uma coisa é o que os ludovicenses esperam; outra será o que terão, oferecido por Prefeitura Municipal ou Governo do Estado. Nunca “e”.

Anuncia-se “um grande show com um artista nacional”, mas não dão nome aos bois. Certamente ainda não sabem quem virá. Em cima da hora, qualquer grande artista nacional teria problemas com a agenda. E qualquer mudança é paga a peso de ouro, dinheiro público voando em asas de beija-flor. Boatos já ouvidos falam em Gilberto Gil, Maria Bethânia, Roberto Carlos. Talvez os três, concorrendo entre si, já que parte da programação seria da Prefeitura e outra do Governo do Estado.

“Mas nem tudo será somente festa. Sofiane Labidi informou que uma das conquistas mais importantes para atual gestão será apresentada como parte das comemorações. Na semana do aniversário da cidade, será lançado o Programa de Erradicação ao Analfabetismo em São Luís. A ilha será a terceira capital brasileira livre do analfabetismo”, novamente empolga-se o repórter em parágrafo que tomo a liberdade de copiar inteiro: são coisas bem diferentes lançar um programa e ele efetivamente vir a apresentar resultados. E mais: se João Castelo (PSDB), candidato à reeleição municipal quisesse, de fato, acabar com o analfabetismo, podia bem começar respeitando o calendário escolar: em São Luís há unidades de ensino básico em que, em pleno agosto, às vésperas da Ilha se tornar quatrocentona, o ano letivo de 2012 ainda não teve início.

Outro parágrafo na íntegra: “Com quase 100% das ações concluídas, Sofiane Labidi explicou que o fato do aniversário da cidade em pleno ano eleitoral não contribuiu para a execução do Plano de Ações Estratégicas do jeito que a coordenação imaginou, mas, nem por isso, deixará de ser grandiosa. A saída foi o fechamento de parcerias com o governo federal e iniciativa privada, uma vez que o governo do estado está também com uma programação de comemorações paralela à realizada pelo município.”

100% das ações concluídas? Que 100%? Que ações? Aniversário em ano eleitoral? Só perceberam agora? Em que mãos a Ilha está, hein? Roseana Sarney e cia. [barrica?] estão com uma programação paralela? Não me digam! Sinal de que o diálogo antes anunciado por Labidi nunca aconteceu.

Cartão postal

Patrimônio esburacado da humanidade

Este blogue sempre teve o maior orgulho de sua cidade-sede. Continua tendo. Mas, paciência! Acima, um flagrante do descaso cotidiano, uma cratera na esquina das ruas do Alecrim e Pespontão, no Centro da Ilha, em frente ao tradicionalíssimo Bar do Jósimo. Alguma alma bondosa, sem eufemismos ou trocadilhos, enfiou um pau no buraco a fim de avisar motoristas e/ou pedestres distraídos, que aqui as moças há tempos não pisam nos astros.

Aqui iniciamos a série Cartão postal, que, aperiódica, irá catar coisas do tipo até os “400 anos” da Athenas Brasileira (que nos últimos anos fechou quase todas as suas livrarias, assunto para outro post).