Fiz o texto abaixo para publicação na imprensa local. Cansei de esperar e solto-o, com atraso, aqui no blog.

O natimorto. Capa. Reprodução

O RISCO: RUÍDO NADA NATIMORTO DA DBA EDITORA

O natimorto. Capa. Reprodução

por Zema Ribeiro

Conhecida pela produção de livros institucionais, a DBA Editora entra certeira no mercado da (ótima) literatura de ficção. Lançou em São Paulo, no último dia 10 de novembro, sua coleção Risco: Ruído, cujos dois primeiros volumes são as luxuosíssimas edições de “O Natimorto”, de Lourenço Mutarelli e “Gozo Fabuloso”, de Paulo Leminski, último volume da obra leminskiniana deixado organizado pelo autor para publicação. Alice Ruiz, sua ex-companheira, revisou-o e assinou o prefácio.

A coleção Risco: Ruído tem curadoria de quatro grandes nomes da ótima – a redundância é intencional – literatura produzida atualmente no Brasil: Joca Reiners Terron, Marcelino Freire, Nelson de Oliveira e Ronaldo Bressane.

O NATIMORTO

Fumante inveterado e viciado em cafeína, O Agente, protagonista de “O Natimorto” – mais recente título de Lourenço Mutarelli [SP, 1964] a chegar ao mercado – tenta adivinhar a própria sorte através das imagens contidas nos maços de cigarro, fazendo destas figuras, cartas de um estranho tarô de nossos tempos.

O Agente (que não age) apaixona-se por uma cantora – A Voz – que não canta. História de amor e ódio, ele confina-se num quarto de hotel, após abandonar a esposa, que não aceitando a sua tentativa de tornar-se um ser assexuado, o trai constantemente.

Um musical silencioso escrito por um desenhista. Poderia ser apenas mais um “livro na minha estante, que nada diz de importante”, mas não é. Cinema? HQ? Poesia? Música? Teatro? Literatura? Absurdo? Trágico? Engraçado? Intrigante? Tudo isso e mais um pouco, num caldeirão fervente, temperado com a experiência mutarellica de “O cheiro do ralo” [Devir, 2003], romance de estréia do autor, que já venceu seis edições do Prêmio HQ Mix, o mais importante do gênero no país.

Se você fuma ou é viciado em café, compre este livro! Se fizer os dois, melhor ainda. Se não é nem uma coisa, nem outra, compre assim mesmo e vicie-se em ótima literatura contemporânea.Você compra os livros da DBA Editora no site da mesma: www.dbaeditora.com.br ou pelo telefone (11) 3062 1643.

PRÉ-NATAL: PÍLULAS

E no domingo passado dezenove, este blogueiro ficou mais velho (e com isso, provavelmente mais chato, eu sei!). Eu nunca sei se isso é bom ou ruim, se devo ter medo ou festejar.

E de sábado para domingo, cantaram-me, na Serenata dos Amores, os parabéns! Eu e Joilene – guerreira do Fórum de Desenvolvimento Territorial Sustentável (Desterro, Portinho e Praia Grande) – que havia soprado velinhas no dia 17. Fiquei contente com a surpresa: eu entreguei, noutra ocasião, o troféu Zé Pequeno para Cunha Santos, poeta e jornalista que muito (demais até, diriam alguns) admiro; e agora era eu quem o recebia. Eu precisava compartilhar essa felicidade com alguém. Meus leitores (“meus” leitores é pedante? Não creio…), esse troféu é de vocês!

(Esse post deveria se chamar parêntesis)

Por que será que eu não gosto do Natal? “Esqueceram o verdadeiro sentido, hoje é só comercial”. Digo isso, mas, pô, eu não sou um católico praticante para ficar cobrando de todos a lembrança do nascimento do menino-Deus (trilha sonora: A Cor do Som cantando música de Caetano). Luzinhas coloridas piscando, piscando, uma música irritante (não a da trilha sonora acima) me invade ininterruptamente os ouvidos… por que será que eu não gosto do Natal? 2003 e 2002 passei o Natal na casa de Gildomar (homem que batizou-me Zema, exímio violonista, autor de Olho de Boi, música que outrora batizou uma lista eletrônica que moderei) e foi legal. Será que eu gosto de Natal?

O poema de Gildomar, batizando-me (é do ano de 2001), que usarei como prefácio em “Companheira de Solidão”, que deve deixar de ser inédito ano que vem:

Prefácio



Manhã que a luz conduz o guia

do amor que o amor a dois acena

Abelha afeita a açucena

transborda em mel à luz do dia

Quis o acaso, a alegria

que a mais perfeita flor pequena

conduzisse-lhe à bela cena

de amor que um beijo acenderia

Melaço doce: poesia

que zemaria a prosa plena

e teceria a contracena

paixão, saudade, dor e lia

Pensada a dor, a dor doía

e por doer, virou poema.

Morrendo a dor, surgia o Zema

Já que um poeta nasceria

Ê Ma(r)lementa!

Hoje, a partir de 20h30min, estaremos reunidos no Bar do Adalberto (Praia Grande). Marla, colega de trabalho na Faculdade São Luís fará seu “bota-fora”, pois inicia 2005 como Diretora da Biblioteca da Unisulma, em Imperatriz-MA; entre os presentes: eu, Marla, Ribeiro Jr. (o poeta/professor, não o fotógrafo!), Erivaldo Gomes, Valéria Santos, João Madson, Eduardo Júlio e outros “habitantes” do cenário d’A Vida é uma Festa!

Ainda não sei onde vou passar o Natal. O reveillon é quase certo que eu passe na Rua de Santiago – onde moro – numa tradicional festa que os moradores organizam. A propósito, na próxima quarta-feira acontece o último bingo que “cava fundos” (sacanagem! risos) para a festa. O prêmio será uma grade de cerveja (nem preciso dizer que já estou com minhas cartelas em mãos, preciso?).

(acho que ainda escrevo aqui antes de 2005!)

SERENATA DOS AMORES

confira a programação logo após o belo texto abaixo

Por Norton F. Corrêa*

Por obra e graça deste menestrel de idéias, cantos, músicas, poesias (e magias?) que se chama Joãozinho Ribeiro, mais uma vez seremos brindados como uma serenata à moda antiga, no Desterro. Na primeira etapa a gente se reúne em algum local e de lá o grupo sai pelas ruas do bairro, cantando, tocando, parando em locais significativos, trilhando um roteiro sentimental e histórico que deságua no Terraço dos Amores, na frente da igreja. Lá nos espera um sofisticado cardápio artístico, com alimentos de alta sustância para o espírito. Mas quem, com justeza, não se descuida do corpo, pode contar com uma grande e sortida barraca de comidas típicas, não esquecendo o estoque de geladíssimas, que afinal ninguém é de ferro.

Indiscutível, não pode haver lugar mais adequado para serenatas, na cidade, do que o Desterro. São as suas construções seculares, a beleza nostálgica que emana de ruínas, modestas portas-e-janelas se acotovelando com sobradões vetustos, a mornidão lânguida da noite maranhense, o vento trazendo, sabe-se de onde, cheiros indistinguíveis que nos chegam entremeados com longínquos cantos de galo – além da gente humilde com cadeiras na calçada, como um dia viu o poeta. Cada vez que passo por ali, não tem jeito: embora nunca tenha recebido qualquer resposta, insisto em pedir silenciosamente àquelas construções centenárias que me contem pelo menos alguma coisa sobre seus antigos habitantes. Imagino dores e prazeres, alegrias e tristezas, pequenas e grandes coisas que compõem a tessitura do cotidiano. Há quem diga que de alguma maneira a presença das pessoas fica como que indelevelmente impressa nas coisas que usaram, nos lugares onde viveram.

Em noites de luar o bairro vira um campo de batalha – quem brilha mais? – entre os lampiões e a Lua. Os elegantes faróis metálicos, por serem muitos, sem dúvida são hegemônicos quanto a impor sua luz dourada ao ambiente. Mas a Lua se vinga, jogando na cara da concorrência o condão de ordenar que seus raios azul-prata, móveis e inconstantes, como ela, inventem sucessivamente novos esboços cambiantes de claro-escuro nos desvãos dos prédios. Daí, feixes miscigenados de luz espraiam-se pelos telhados, mexem nas cores dos azulejos, esgueiram-se por fachadas, aplicam novos matizes às pinturas de paredes e aberturas, chocam-se contra as pedras do calçamento, jogando cacos luminosos para todos os lados. Aqui e ali botam sombras fantasmagóricas nos beirais, criam ilusões de ótica ao complicar ainda mais a geometria caprichosa dos gradis e parapeitos de ferro. Na verdade, a dupla faz é brincar de artista, até que a desmancha-prazeres da aurora acabe com a diversão (mas de noite tem mais!, debocham).

No início estava a rua da Estrela. Quem puxa o canto é o vozeirão do Léo Capiba, logo escoltado por cascatas sonoras que fogem da flauta endiabrada do Zezé, do cavaquinho do Trabulsi, do sete cordas do Domingos, do pulsar macio do pandeiro do Lazico – todos estrelas de primeira grandeza da constelação musical da cidade. Velhas canções de outrora se alternam com modernas, do Vicente Celestino ao Chico Buarque. Surpresos pelo inusitado do acontecimento, moradores abrem janelas, saem à calçada, aplaudem e são aplaudidos pelos seresteiros.

Eu já participara de outras destas serenatas, mas naquela noite, sentia, havia algo a mais, estranho, que não consigo descrever. Era como se pairasse no ar uma espécie de aura, misteriosa, etérea, surreal, como um envoltório invisível flutuando à nossa volta. Quem sabe, o efeito conjunto dos sons dos instrumentos, vozes, ecos e revérberos nas velhas paredes, corpos, mentes, os sentimentos que fluíam de cada um de nós, tudo, tenha de alguma maneira entrado em consonância harmônica, digamos, com o ambiente que nos rodeava, sei lá. Mas havia algo, sim.

Adiante está um sobradão enorme, recém restaurado, belo e majestoso em sua grandeza e requintes arquitetônicos. Com a aproximação do cortejo, uma luz interna se acende e logo se apaga, janelas do pavimento superior se abrem desconfiadas, moradores debruçando-se nos parapeitos das janelas, ouvindo. Na porta de uma das sacadas surge uma moça, o comprido roupão branco drapejado por reflexos fugazes do ouro-prateado que banha a rua, o vento colando o tecido em suas curvas bem talhadas, fazendo-lhe esvoaçar os longos cabelos soltos. Imóvel, sorriso com um quê de enigmático, observa o cortejo, que pára e aplaude, seresteiros curvando-se e tirando galantemente os chapéus. Quando vê que seguiremos caminho, agradece com um leve aceno de cabeça e volta para dentro, seguida pelos demais.

Continuamos. Mais abaixo, à esquerda, surge a boca de uma ruelinha enladeirada, mal e mal passa um carro. Subimos. Alguns poucos metros mais, um mini largo, um beco estreitíssimo que leva não sei pra onde, uma esquina, uma quadra curta, outra esquina, outra ladeira. Subimos de novo. Andando, dobrando esquinas à direita e à esquerda, subindo, descendo, finalmente chegamos ao Terraço dos Amores.

Mais uns dias, lá passo eu de novo pela rua da Estrela – lógico, também um fiozinho de esperança de rever a bela do casarão. Vou devagar com o carro, procurando, mais à frente está a porta-e-janela azulejada vizinha ao prédio, lembro, a outra casinha, no lado aposto, mas onde o tal de casarão? De repente, percebo que ele está ali, exatamente onde sempre estivera. Mas o que o sol da manhã iluminava era uma semi-ruína, o portão de madeira pregado com tábuas, restos de janelas carcomidas nas aberturas em arco, a pintura esmaecida pelo tempo, a sacada da moça sem o balaústre. Completando o clima de abandono, franjas de trepadeiras verdes pendiam do telhado, deixando-se balançar preguiçosamente aos sopros vento.

Só então me dei conta de que minhas insistentes perguntas, porque, claro, pronunciadas numa noite mágica, tinham recebido enfim uma resposta.

*antropólogo, professor da UFMA



Confira a programação completa da última edição, em 2004, do Projeto Serenata dos Amores

DATA E HORA

18/12, sábado, às 20h30min (horário da concentração)

PONTO DE ENCONTRO

Em frente à Pousada Colonial (Rua Formosa)

ITINERÁRIO

Rua Formosa – Travessa da Lapa – Rua da Palma – Terraço dos Amores

PARADAS

Mirante da Lapa (ex-residência do poeta Joãozinho Ribeiro) –

Casa de Dona Diomar – Terraço dos Amores

ARTISTAS CONVIDADOS

Ângela Sollares e Augusto Pellegrini

PERFORMANCES

Sociedade Artística Beto Bittencourt

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS

Costa Neto, Murilo Oliveira e Escola de Música Lilah Lisboa

HOMENAGEADOS

Dedé da Flor(*), Roberto Ricci, Mestre Antonio Vieira, D. Toinha e Zeca Curau

SHOPPING BRAZIL NA KIZOMBA

Ontem fomos ao Espaço Renascença assistir a entrega do Prêmio Universidade FM 2004. Intitulada Kizomba, a Festa da Música Negra, a direção musical ficou por conta do percussionista e compositor Erivaldo Gomes (que hoje agita, mais uma vez, A Vida é uma Festa!).

O grande vencedor foi o compositor Cesar Teixeira, que arrebatou prêmios em cinco categorias: Destaque Cantor, Destaque Compositor, Melhor Letra, Melhor Samba e Melhor Disco.

Confira abaixo a lista completa dos vencedores:

Talento da Noite

Instrumental Pixinguinha

Revelação

Bruno Batista

Melhor Projeto Gráfico de CD

Márcio Vasconcelos e José Antônio Serra (Shopping Brazil)



Destaque Técnico/Gravação e Mixagem

Agenir, Pitomba e Tarciso

Melhor Música Carnavalesca

“Quinto é Minha Lei, pro Meu Enredo: José Sarney” – Turma do Quinto

vaiada pelos presentes durante a entrega do prêmio



Melhor Música Folclórica

Serra do Mar/Massarariquinho/Garrafa de Vinho – Cacuriá de Dona Teté

Melhor CD de Música Folclórica

“20 Vivas Juninos” – Boizinho Barrica

Melhor Samba

“Vestindo a Zebra” – Cesar Teixeira



Melhor CD de Samba

“Por Amor Ao Samba” – Arlindo Piupiu

Melhor Música Instrumental

“Minha Cidade” – Chiquinho França

Melhor CD Instrumental

“Solos” – Chiquinho França

Destaque/Músico Instrumental

Chiquinho França

Destaque/Músico Guitarrista

Arlindo Piupiu

Destaque/Músico Baixista

Henrique Duailibe

Destaque/Músico Violonista

Luís Júnior (Shopping Brazil)



Destaque/Cantador de Bumba-meu-Boi

Humberto do Maracanã

Personalidade Musical do Ano

Leonardo Martins

Melhor Toada de Bumba-meu-Boi

“Um Mundo Novo” – Boi da Maioba

Melhor CD de Bumba-meu-Boi

“Isso é Maioba” – Boi da Maioba

Destaque/Músico Baterista

Carlão

Destaque/Músico Percussionista

Carlos Piau

Melhor Show

Faz Uma Loucura Por Mim

Destaque Produtor de Show Musical

Fernando de Carvalho e Herberth Nogueira – Show “Simplesmente Natal”

Melhor Reggae

“Mana” – Legenda

Melhor Arranjo

“Flor do Mal” – João Pedro Borges (Shopping Brazil)

Melhor Letra

“Shopping Brazil” – Cesar Teixeira



Melhor Interpretação

“Alegria de Natal” – Fernando de Carvalho

Destaque/Diretor Musical de CD

Murilo Rego (Shopping Brazil)

Melhor Pop/Rock

Menino Marrom – Mandorová

Melhor Hip Hop

“Som Na Lata” – Som na Lata

Destaque/Compositor

Cesar Teixeira – Música: Shopping Brazil



Destaque Cantor

Cesar Teixeira



Destaque Cantora

Cecília Leite

Melhor CD

“Shopping Brazil” – Cesar Teixeira

Por essas e outras é que este blog se chama Shopping Brazil

AS PALAVRAS NADA CLANDESTINAS DE REUBEN DA CUNHA

por Zema Ribeiro

“A poesia brasileira se arma contra a banalização da sociedade do espetáculo. Com as armas do inimigo”. Este é o subtítulo de “A Palavra Clandestina”, matéria de Reuben da Cunha selecionada pelo programa Rumos Itaú Cultural 2004/2005, na categoria Jornalismo Cultural. O estudante e poeta maranhense é um soldado armado. De flores e palavras.



O PROGRAMA



Implantado em 1997, o programa Rumos Itaú Cultural – um dos mais abrangentes de estímulo à criação e produção artística e cultural do país – já apoiou o desenvolvimento de mais de trezentos projetos em Artes Visuais, Cinema e Vídeo, Música, Dança e Literatura; são mais de setecentos artistas contemplados. Este ano percorreu cerca de trinta mil quilômetros, com encontros em todos os Estados brasileiros, entre os meses de maio e setembro.

A edição 2004/2005 do programa teve 1656 inscritos em três categorias: 1410 (música), 138 (literatura – audioficções) e 108 (jornalismo cultural). Na primeira categoria, foram selecionados três compositores maranhenses: Tião Carvalho, Ubiratan Sousa e Antonio Vieira – este último, o único residente em nossas plagas.

JORNALISMO CULTURAL


Voltada para estudantes universitários – a partir do quarto período, de acordo com o edital do programa – o processo seletivo desta categoria analisou reportagens sobre a diversidade cultural brasileira a partir de pauta elaborada pelo Instituto Itaú Cultural.
Formada pelos jornalistas Israel do Vale (SP), Kiko Ferreira (MG), Gabriel Priolli (diretor da TV PUC, SP), Gilmar de Carvalho (professor do curso de Comunicação Social e de Mestrado em História Social da UFC, CE) e Claudiney Ferreira (SP), a comissão de seleção analisou 108 inscrições de 19 Estados.
Os selecionados participarão do Laboratório Multimídia de Jornalismo Cultural, cujo editor é Israel do Vale (membro da comissão de seleção, jornalista e ex-editor-adjunto do Caderno Folha Ilustrada, do jornal Folha de São Paulo). Durante o laboratório – um estágio remunerado – os estudantes selecionados produzirão e debaterão matérias sobre produção cultural.
Ainda em dezembro deste ano, os selecionados nesta categoria participam de um seminário internacional com jornalistas especializados na área e ganham – junto com as bibliotecas das instituições onde estudam – diversos livros sobre jornalismo e cultura.

A PALAVRA NADA CLANDESTINA DE REUBEN DA CUNHA


Reuben da Cunha tem 20 anos e cursa o quarto período de Jornalismo na Universidade Federal do Maranhão, após ter abandonado, no terceiro período, o curso de Direito. Ele é o único maranhense selecionado – entre os três nordestinos – na categoria Jornalismo Cultural do projeto Rumos Itaú Cultural, edição 2004/2005.
“A Palavra Clandestina” é o título da matéria que o leva ao Laboratório Multimídia de Jornalismo Cultural. O texto trata da poesia contemporânea brasileira – da qual o próprio Reuben é um importantíssimo representante – e de suas diversas formas de resistência à Indústria Cultural.
Fã de Itamar Assumpção, Reuben é editor do zine de poesia GRIPE – que já foi alvo de textos do professor Alberico Carneiro no Suplemento Cultural e Literário JP Guesa Errante – e mantém no ar, o sítio A MÁQUINA CLAUSTROFÓBICA, onde desf(t)ila poemas, pensamentos, recortes interessantes da obra de ídolos e amigos etc.
“O estágio é uma oportunidade de aprofundar não só a prática jornalística, mas o próprio contato com a cultura, além de – espero – ser também uma ponte para um futuro profissional fora da Ilha”, diz Reuben, atualmente dedicado trabalhando em um poema de maior fôlego, provisoriamente intitulado “O trompetista gago”.
Para Cláudio Daniel, poeta e intelectual entrevistado por Reuben na composição de seu trabalho, “Reuben da Cunha é um jovem poeta que está receptivo à informação nova, buscando compreender a realidade que nos circunda e os desafios do fazer poético, vendo com olhos livres, sem perder o senso crítico. Isto é o mínimo que podemos esperar de um poeta que se preza”.
Celso Borges, poeta e jornalista maranhense radicado em São Paulo, misto de ídolo, fã e amigo, afirma que Reuben “é um jovem de grande talento, interessado em literatura e arte como poucos, o que faz uma diferença enorme. Inquieto, ele está sempre questionando, querendo saber mais e mais, ‘cavando’ a beleza das palavras”. Sobre sua seleção para o programa Rumos, completa: “Ainda ouviremos falar muito dele; essa vitória é só a primeira”. Temos certeza disso!

GUESA

Como diz o Marcelino Freire: “Êta, danado!”. Ontem foi o lançamento da segunda edição do Anuário Suplemento Cultural e Literário J P Guesa Errante. Sensacional! A equipe capitaneada por Josilda Bogéa Anchieta e Alberico Carneiro mandou bem. Coquetel com as presenças ilustríssimas dos poetas José Chagas, Nauro Machado, Cunha Santos e José Maria Nascimento, entre outros.

Cesar Teixeira, articulista do Suplemento, fez um belo show com “a banda da banda” (a banda estava pela metade, alguns músicos viajando), como ele avisou ao subir ao palco.

Longa vida ao Guesa! Parabéns!

Alguém já disse sobre Xico Sá: “homem de diversas conclusões numa só frase” ou algo parecido. Versátil, eu acrescentaria, e digo mais: escreve sobre o amor como ninguém. Do escriba de mancheia meio cearense, meio pernambucano, meio paulista – é tão fantástico que tem três metades – transcrevemos o abaixo, extraído d’O Carapuceiro.



No varal do sol da nega



Eu me abaixei e bebi aqueles pingos. Caiam lentamente com gosto de confusão e precipício



por Xico Sá



Foi lindo o dia em que a Cachorra pendurou a primeira calcinha na torneira do chuveiro lá do meu mocó-saló, pé-direito-baixo, quase ninho de cobra, réptil-fulô. Toda grande merda linda começa nesse ato. Pelo jeito que a calcinha fica pendurada a gente sabe se o amor vai ser fodido ou se apenas mais um que passa. A calcinha pingando lentos gerúndios sem “d”, como na minha terra, ino, fazeno, sentino, fodeno, morreno…

Eu me abaixei e bebi aqueles pingos. Caiam lentamente com gosto de confusão e precipício.

Sempre acho que a imagem da primeira calcinha pendurada equivale a bandeira que o primeiro homem a pisar a lua enfiou por lá. A terra amorosa por si mueve. É momento muito importante no Gênesis do amor. Ela também cantava, Fêmea-passarinho. Feliz sim. Nossos corpos não se entendiam, nossas almas nem sei. Ela pôs uma música daquele filme que faríamos depois…

Amores perros guardado nas gavetas, amores perros no varal do sol da nega, a desalmada quarando na espera, a desalmada e o marzão das nossas mágoas, a desalmada roendo as feridas, roupa velha no sabão de nossas pedras.

Envolvidos em delicada ruína cinzenta, como nos versos do alma sebosa, sebosa soul, Gregory Corso, começamos a nossa vida de cada um.

“Chinelos ossos-de-cisne conservam seus passos intactos; ela desliza suave por uma sala externa… despeja leite dormido para o gato dormido”. Ela dizia na janela, como se nunca fosse comigo.

Seus pés cada dia ficavam mais lindos.

O buraco lá embaixo.

O Japão dos encontros & desencontros do amor.

Ela sentou a bundinha morena na bacia de leite, do gato, como naquele Bataille. Subiu ao meu pau pingando.

Ela passeava na bicicleta dos meus óculos, lá em cima, na testa, sobre os aros.

O cachecol dela, colorido, voava por trás do pescoço ao vento.

Passeava nas rodas dos meus óculos e me deixava a esperar, cego.

Talvez alguns já até conheçam: todo fim de ano eu passo esse poema para contatos de minha lista desejando um feliz ano novo etc.

instante de paz



quero libertar-me

de todas as garras

ficando preso

apenas ao teu amor

quero todas as noites

todas as farras

saindo ileso

quero nada de dor

quero dar-te flores

nelas perfumes e cores

melaço que adoce

o nosso amargor

quero que o mundo

pare por um segundo

sendo para todo o sempre

esse instante de paz

ESCRITORES ENTREGAM MANIFESTO AO MINISTÉRIO DA CULTURA



Apesar do nome deste blogueiro não figurar lá embaixo, manifestamos nosso apoio ao manifesto.



Uma comissão de escritores, representando o Movimento Literatura Urgente, entregou o Manifesto Temos Fome de Literatura ao Ministro da Cultura Gilberto Gil e ao Coordenador Nacional do Livro Galeno Amorim, em reunião com o setor, na última segunda-feira, em São Paulo. Assinado por mais de 180 nomes bastante representativos da literatura brasileira contemporânea, o documento reivindica a inclusão de POLÍTICAS DE FOMENTO À CRIAÇÃO LITERÁRIA no Plano Nacional do Livro, e apresenta dez propostas de programas públicos para a literatura.

Entre as propostas estão a criação de um Fundo Nacional da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas, com 30% destinado diretamente ao fomento à CRIAÇÃO LITERÁRIA; a implantação de caravanas literárias pelas universidades de todas as regiões do País, e bolsas de criação. Propõe, ainda, alterações na Lei do Livro, incluindo o fomento à criação literária como uma das funções do Poder Público no setor.

Estiveram presentes na reunião os escritores Sebastião Nunes, Ricardo Aleixo, Lourenço Mutarelli, Fabrício Marques, Paulo Sandrini, Rodrigo Garcia Lopes e Ademir Assunção, entre outros.

Os escritores agora estão discutindo a possibilidade de criação de núcleos organizados em todo o país. Eles querem manter as negociações com o Ministério da Cultura e reivindicam a criação de uma Subcâmara Setorial de Fomento à Criação Literária, formada majoritariamente por escritores e representantes do MinC.

Leia abaixo a íntegra do documento e as assinaturas:

TEMOS FOME DE LITERATURA



Exmo Sr.

Gilberto Gil

Ministro da Cultura do Brasil

Exmo Sr.

Galeno Amorim

Coordenador do Programa Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas

Temos acompanhado com interesse, entusiasmo e atenção as iniciativas do Ministério da Cultura para a criação de uma Política Nacional voltada para o Livro, a Leitura e as Bibliotecas. As discussões públicas sobre o assunto e a abertura da equipe ministerial para ouvir a sociedade civil são realmente louváveis e estimulantes para os que participam da cadeia produtiva da literatura e do livro e para todos os interessados. Sobretudo em um país em que se lê pouco — muito embora tenha uma produção literária de altíssima qualidade —, esses esforços se fazem necessários e urgentes. Como escritores, poetas e ensaístas, manifestamos nosso desejo e nosso interesse de contribuir nesse processo de discussão para o estabelecimento de políticas públicas o mais abrangente possível, que inclua todos os segmentos da cadeia produtiva da literatura e do livro.

No ABC da Literatura, entusiasmada e brilhante defesa da criação artística, poética e literária, o poeta Ezra Pound afirma: “Uma Nação que negligencia as percepções de seus artistas entra em declínio. Depois de um certo tempo ela cessa de agir e apenas sobrevive.” Não é preciso gastar tinta para evidenciar o papel fundamental da criação literária e poética no grande caldo vivo e orgânico que forma a arte e a cultura de um país. Também não é difícil perceber que, quando as condições para a criação e a circulação da arte e da cultura sofrem um processo de estrangulamento, logo se nota um empobrecimento das relações humanas. Daí para o desencanto, a paralisia e, em grau mais acentuado, a barbárie, são apenas alguns passos. Largos, por sinal.

Escritores e poetas são, como todos sabem, os artífices principais da criação literária. Sem eles, não existem os livros, nem a indústria editorial, nem as bibliotecas, nem os leitores. Paradoxalmente, são também o segmento menos profissionalizado do setor. Profissionalizado, não no sentido da excelência de sua arte, mas na possibilidade de sobrevivência através de seu próprio trabalho criativo. Como também é do conhecimento de todos, muitos criadores literários, além de não contarem com nenhum, ou quase nenhum incentivo público, ainda assumem as despesas de edição de suas obras com recursos próprios, ou, como dizia o compositor Itamar Assumpção: Às Próprias Custas S/A. É, portanto, um segmento carente de políticas públicas que fomentem, incentivem e criem condições objetivas para o desenvolvimento de seu trabalho criativo.

Em que pese todo o esforço do Ministério da Cultura em desenvolver políticas públicas para o setor ligado ao livro, temos percebido, com preocupação e desapontamento, a não inclusão, com maior ênfase e clareza, da criação literária nessas políticas. Notamos que a palavra Literatura jamais está incluída nas políticas para o livro, a leitura e as bibliotecas. Não se trata de uma simples questão semântica ou de nomenclatura. Trata-se, sim, da necessidade de Políticas Públicas de Fomento à Criação Literária. Trata-se, sim, do entendimento profundo de que, da mesma forma que o Brasil tem fome de livros, os escritores têm fome de políticas públicas para a literatura. Sem essa consciência, as políticas nacionais, estaduais ou municipais serão necessariamente incompletas.

Tendo em vista essas condições e o esforço da equipe ministerial em pensar e implementar medidas de desenvolvimento para o setor, decidimos tornar públicas, e trazer aos representantes do Ministério da Cultura, as seguintes reivindicações:

1) Inclusão do termo LITERATURA nos programas, leis, conselhos e câmaras setoriais relacionados ao livro, leitura e bibliotecas, que estão sendo propostos pelo Ministério da Cultura. Desta forma, teríamos o Programa Nacional da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas, a Lei da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas, o Conselho Nacional da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas e a Câmara Setorial da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas;

2) Inclusão de artigo na Lei da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas criando o Fundo Nacional da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas, com 30% das verbas destinadas diretamente ao Fomento à Criação e Circulação Literária e os outros 70% ao fomento à Leitura e Bibliotecas;

3) Inclusão do termo FOMENTO À CRIAÇÃO LITERÁRIA no § 2º do Artigo 1° da Lei da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas, ficando com a seguinte redação:

“§ 2º . A Política Nacional da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas objetivará a instrumentalização da implantação e o desenvolvimento da indústria editorial e o fomento à criação literária como bases de afirmação da nacionalidade e da cultura brasileira, com papel estratégico relevante na difusão e permanência da língua, das artes e da ciência e dos valores pátrios (sugerimos tirar esse “apêndice”, porque não é função da arte enaltecer valores pátrios, ora, convenhamos).”

4) Criação de um Programa de Compra Direta de Livros do próprio autor, tendo em vista o fato de grande parte da produção literária brasileira – sobretudo a poesia – ser publicada, ainda hoje, às expensas dos próprios autores. A proposta tem inspiração no Programa de Compra Direta de Alimentos da Agricultura Familiar, fruto de uma parceria dos ministérios do Desenvolvimento Agrário, de Segurança Alimentar e Combate à Fome e da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, com o objetivo de garantir renda aos agricultores familiares e assentados da reforma agrária, além de abastecer os estoques reguladores do governo; 5) Criação da Subcâmara Setorial de Fomento à Criação Literária, na Câmara Setorial da Literatura, do Livro, Leitura e Bibliotecas. Esta Subcâmara seria formada preferencialmente por escritores e poetas e representantes do Ministério da Cultura.

Como parte do esforço para contribuirmos com a formulação de programas públicos que incluam o fomento à criação literária e o contato direto do escritor com o público, trazemos também as seguintes propostas, que podem, objetivamente, ser implementadas em curto e médio prazo:

PROPOSTAS PARA UMA POLÍTICA PÚBLICA DE FOMENTO À CRIAÇÃO LITERÁRIA



1) PROGRAMA DE CIRCULAÇÃO DE ESCRITORES E POETAS I – em articulação do Ministério da Cultura com o Ministério da Educação, criar um Programa de Circulação de Escritores e Poetas pelas universidades do País. Caravanas de cinco escritores e poetas deverão circular pelas universidades das cinco regiões do Brasil (Norte, Nordeste, Centro, Sudeste, Sul), para debates sobre literatura, leituras públicas e lançamentos de livros e revistas. Cada caravana deverá passar por, no mínimo, cinco cidades diferentes. Serão, portanto, cinco caravanas simultâneas, com cinco escritores cada. Total: 25 escritores. Essas caravanas deverão ser trimestrais. Sugestão de nome: Projeto Waly Salomão.

2) PROGRAMA DE CIRCULAÇÃO DE ESCRITORES E POETAS II – Mesmo princípio do Programa anterior, mas, agora, em articulação do Ministério da Cultura com os governos estaduais e municipais brasileiros (através de suas respectivas Secretarias de Cultura). Desta forma, se poderia ampliar o projeto para a rede de escolas estaduais e municipais. Sugestão de nome: Projeto Paulo Leminski.

3) PROGRAMA LATINOAMÉRICA DE LITERATURA – em articulação do MinC com os Ministérios da Cultura estrangeiros, embaixadas e universidades criar o Programa Latinoamérica de Literatura para circulação mútua de escritores e poetas entre os países latinoamericanos, promovendo debates, leituras públicas e lançamentos de livros e revistas. Se poderia ampliar para um Programa de Intercâmbio de Escritores e Poetas Visitantes nas Universidades desses países.

4) PROGRAMA ENTRE-MARES DE LITERATURA – a mesma idéia do programa anterior, porém entre o Brasil, Portugal, e os países africanos e asiáticos de língua portuguesa.

5) PROGRAMA PRIMEIRO LIVRO – um incentivo do MinC (e eventuais e bem-vindos parceiros) para a publicação, divulgação e distribuição a escolas e bibliotecas do primeiro livro de escritores e poetas brasileiros.

6) FUNDO NACIONAL DA LITERATURA, LIVRO, LEITURA E BIBLIOTECAS com 30% do orçamento destinado diretamente ao fomento de projetos independentes (publicação de revistas, CDs e DVDs de poesia e/ou prosa, recitais de poesia, festivais literários, co-edições, ciclos de discussões, pesquisas, etc…).

7) BOLSA CRIAÇÃO LITERÁRIA para desenvolvimento de projetos literários de escritores e poetas. A cada ano seriam concedidas 20 bolsas em todo o país, no valor de R$ 3 mil mensais para cada contemplado pelo prazo de um ano. Os autores escolhidos não poderiam ter vínculo empregatício, dedicando-se integralmente ao projeto. Os recursos poderiam ser conseguidos em parceria com as empresas estatais e a iniciativa privada.

8) SISTEMA PÚBLICO DE DISTRIBUIÇÃO – Criação de um sistema público de distribuição de livros (em parceria com os correios) voltado para as pequenas editoras e a produção independente.

9) PUBLICAÇÕES LITERÁRIAS – Criação de veículos públicos de circulação para a literatura, tais como jornais e revistas (através da imprensa oficial), sites e programas de rádio e TV na rede pública de comunicação.

10) JORNADA NACIONAL LITERÁRIA – Criação de um grande evento anual, reunindo escritores, poetas e ensaístas para leituras, debates, conferências, palestras e lançamentos. O evento será aberto preferencialmente a professores, estudantes e também ao público em geral. Desta forma, os professores poderão se atualizar sobre a criação e a discussão literária do Brasil, servindo de agentes multiplicadores junto aos seus alunos. A cada ano a jornada será realizada em uma cidade diferente do País, privilegiando todas as regiões.

Para definir os critérios e a seleção de projetos e de autores para cada uma das propostas anteriores, reivindicamos a formação de uma comissão paritária com membros do Ministério da Cultura, dos escritores e da sociedade civil ligados ao setor literário e com comprovado conhecimento. Reivindicamos ainda que todos os programas sejam anunciados em editais públicos, de forma transparente e democrática, especialmente os que se referem ao Fundo Nacional da Literatura e à Bolsa Criação Literária.

Por fim, motivados pelo Programa Fome Zero, da Presidência da República, que compreende a necessidade de incentivo à agricultura familiar e ao pequeno produtor para a erradicação definitiva da fome no país, nos sentimos animados a participar ativamente de um programa que erradique a fome de livros e também a fome de incentivo à criação literária no Brasil.

Cientes da importância da criação literária na formação cultural do País, temos certeza de que nossas reivindicações e propostas encontrarão eco entre todos os interessados no problema da leitura — da equipe ministerial aos editores, livreiros, bibliotecários e da sociedade em geral.

São Paulo, 22 de novembro de 2004

MOVIMENTO LITERATURA URGENTE



Ademir Assunção – poeta e jornalista. São Paulo/SP

Ricardo Aleixo – poeta e compositor. Belo Horizonte/MG

Marcelino Freire – escritor. São Paulo/SP

Paulinho Assunção – escritor e jornalista. Belo Horizonte/MG

Claudio Daniel – poeta e jornalista. São Paulo/SP

Sebastião Nunes – escritor. Sabará/MG

Joca Reiners Terron – escritor. São Paulo/SP

Rodrigo Garcia Lopes – escritor, tradutor e jornalista. Londrina/PR

Sérgio Sant’Anna – escritor. Rio de Janeiro/RJ

Domingos Pellegrini Jr, escritor. Londrina/PR

João Gilberto Noll, escritor. Porto Alegre/RS

Milton Hatoum, escritor. São Paulo/SP

Ignácio de Loyola Brandão, escritor. São Paulo/SP

Moacyr Scliar, escritor. São Paulo/SP

Alcides Nogueira – escritor. São Paulo/SP

Glauco Matoso, poeta e escritor. São Paulo/SP

Nei Lopes, escritor e compositor. Rio de Janeiro/RJ

Braulio Tavares, escritor e compositor. Rio/RJ

Menalton Braff, escritor. Ribeirão Preto/SP

Armando Freitas Filho, poeta. Rio de Janeiro/RJ

Heloisa Buarque de Hollanda, escritora. Rio de Janeiro/RJ

Alice Ruiz, poeta e compositora. São Paulo/SP

Antonio Carlos Secchin, poeta e ensaísta. Rio de Janeiro/RJ

Valêncio Xavier, escritor. Curitiba/PR

Raimundo Carrero, escritor. Recife/PE

João Silvério Trevisan, escritor. São Paulo/SP

Manoel Carlos Karam, escritor. Curitiba/PR

Sylvio Back, poeta e cineasta. Rio de Janeiro/RJ

Leonardo Fróes, poeta e escritor. Rio de Janeiro/RJ

Frederico Barbosa, poeta. São Paulo/SP

Horácio Costa, poeta e professor. São Paulo/SP

André Sant’Anna, escritor. São Paulo/SP

Evandro Affonso Ferreira, escritor. São Paulo/SP

Nelson de Oliveira, escritor. São Paulo/SP

Wilson Bueno, escritor. Curitiba/PR

Donizete Galvão, poeta. São Paulo/SP

Ricardo Chacal, poeta e produtor cultural. Rio de Janeiro/RJ

Ferréz, escritor. São Paulo/SP

Alberto Guzik, escritor, jornalista e ator. São Paulo/SP

Xico Sá, escritor, jornalista. São Paulo/SP

Michel Laub, escritor. Porto Alegre/RS

Ronald Polito, poeta e tradutor. Rio de Janeiro/RJ

Maria Esther Maciel, poeta e tradutora. Belo Horizonte/MG

Cíntia Moscovich, escritora. Porto Alegre/RS

Lourenço Mutarelli, escritor e quadrinista. São Paulo/SP

Joyce Cavalccante, escritora. São Paulo/SP

Micheliny Verunschk, poeta. São Paulo/SP

Maurício Arruda Mendonça, poeta e dramaturgo. Londrina/PR

Nilo Oliveira, escritor. Florianópolis/SC

Claudio Galperin, escritor. São Paulo/SP

João Anzanello Carrascoza, escritor. São Paulo/SP

Luiz Giffoni, escritor. Belo Horizonte/MG

Sérgio Fantini, escritor. Belo Horizonte/MG

Otávio Ramos, escritor e jornalista. Belo Horizonte/MG

Ulisses Tavares, escritor. São Paulo/SP

Cláudio Willer, poeta. São Paulo/SP

Iacyr Anderson Freitas, escritor. Juiz de Fora/MG

Ivana Arruda Leite, escritora. São Paulo/SP

Claudia Roquette-Pinto, poeta e tradutora. Rio de Janeiro/RJ

Adriano Espínola – poeta e professor. Rio de Janeiro/RJ

Ronaldo Bressane – escritor e jornalista. São Paulo/SP

Ademir Demarchi, escritor. Santos/SP

Luci Collin, escritora e professora. Curitiba/PR

Fabrício Carpinejar, poeta e jornalista. São Leopoldo/RS

Josely Vianna Baptista, poeta e tradutora. Primeiro de Maio/PR

Jorge Lucio de Campos, poeta e ensaísta. Niterói/RJ

Santiago Nazarian, romancista, São Paulo/SP

Bruno Zeni, escritor. São Paulo/SP

Ruth Silviano Brandão, escritora. Belo Horizonte/MG

Marcos Losnak, poeta e jornalista. Londrina/PR

Elvira Vigna, escritora. Rio de Janeiro/RJ

Mauro Faccioni Filho, poeta. Florianópolis/SC

Celso Borges, poeta e jornalista. São Paulo/SP

Dennis Radünz, escritor. Florianópolis/SC

Nelson Botter Jr., escritor. São Paulo/SP

Claudinei Vieira, escritor. São Paulo/SP

Maria Antonieta Pereira – ensaísta e professora. Belo Horizonte/MG

Felipe Sodré – escritor. Rio de Janeiro/RJ

Flávia Rocha – poeta e jornalista. Curitiba/PR

Jairo Rodrigues – poeta e professor. Belo Horizonte/MG

Tanussi Cardoso – poeta e jornalista. Rio de Janeiro/RJ

Jussara Salazar – poeta. Curitiba/PR

Sergio Medeiros, poeta e tradutor. Florianópolis/SC

Fabio Brüggemann, escritor. Florianópolis/SC

Paulo Sandrini, escritor. Curitiba/PR

Cristina Fonseca, escritora e ensaísta. São Paulo/SP

Artur Gomes – poeta, ator, produtor cultural. Campos/RJ

Luis Dolnikoff, escritor e ensaísta. Florianópolis/SC

Rodrigo de Souza Leão – poeta e jornalista. Rio de Janeiro/RJ

Ana Peluso – poeta e designer – São Paulo/SP

Ricardo Corona, poeta e editor. Curitiba/PR

Clarah Averbuck, escritora. São Paulo/SP

João Filho, escritor. Bom Jesus da Lapa/BA

Fabrício Marques, escritor e jornalista. Belo Horizonte/MG

Aleilton Fonseca – escritor – Salvador/BA

Marcelo Montenegro, poeta. São Caetano do Sul/SP

Índigo, escritora. São Paulo/SP

Thelma Guedes, escritora. São Paulo/SP

Ronaldo Cagiano, escritor. Brasília/DF

Edyr Augusto, escritor. Belém/PA

Marcelo Sahea, poeta e publicitário. Santa Maria/RS

Jairo Pereira, poeta. Quedas do Iguaçu/PR

Lau Siqueira, poeta. João Pessoa/PB

Marcelo Tápia, poeta. São Paulo/SP

Luiz Roberto Guedes, poeta e escritor. São Paulo/SP

Branca Maria de Paula, escritora e fotógrafa. Belo Horizonte/MG

Francisco de Morais Mendes, escritor e jornalista. Belo Horizonte/MG

Caio Junqueira Maciel, poeta. Belo Horizonte/MG

Marcio Scheel, poeta e ensaísta. Ibitinga/SP

Fabiano Calixto – poeta. Santo André/SP

Jaime Prado Gouvêa, escritor. Belo Horizonte/MG

Manoel Lobato, escritor. Belo Horizonte/MG

Romério Rômulo, poeta. Ouro Preto/MG

Lucia Castello Branco, escritora. Belo Horizonte/MG

José Eduardo Gonçalves, escritor e jornalista. Belo Horizonte/MG

Paloma Vidal, escritora e tradutora. Rio de Janeiro/RJ

Flávio Viegas Amoreira, escritor. Santos/SP

Bruno Brum – poeta. Belo Horizonte/MG

Renato Negrão – poeta e compositor. Belo Horizonte/MG

Ana Guimarães – poeta e psicanalista. Rio de Janeiro/RJ

Patrícia Burrowes – poeta e artista plástica. Recife/PE

Kiko Ferreira – poeta e jornalista. Belo Horizonte/MG

Shirley Kühne – poeta e revisora de textos. São Paulo/SP

Sabrina Bandeira Lopes, escritora. Curitiba/PR

Ricardo Alfaya, poeta e escritor. Rio de Janeiro/RJ

Ronald Augusto, poeta. Porto Alegre/RS

Ângelo Oswaldo de Araújo Santos, escritor e crítico de arte. Ouro Preto/MG

Helton Gonçalves de Souza, poeta e ensaísta. Belo Horizonte/MG

Makely Ka, poeta e compositor. Belo Horizonte/MG

Gustavo Arruda, poeta. São Paulo/SP

Amelinda Alves, poeta e artista plástica. Rio de Janeiro/RJ

Fernando Abreu, poeta e jornalista. São Luís/MA

Annita Costa Malufe, poeta e jornalista. São Paulo/SP

Marcelo Ariel, poeta. Cubatão/SP

Marco Vasques, poeta e jornalista. Florianópolis/SC

Daniel Brazil, escritor e roteirista. São Paulo/SP

Carlos Machado, escritor e músico. Curitiba/PR

Jeanette Rozsas, escritora. São Paulo/SP

Rosângela Vieira Rocha, escritora. Brasília/DF

Christina Baumgarten, escritora e jornalista. Blumenau/SC

Fernanda Guimarães, poeta. Fortaleza/CE

Edison Veiga Junior, escritor e jornalista. Bauru/SP

André Fernandes, poeta. São Paulo/SP

Daniela Abade, escritora. São Paulo/SP

Paulo Scott, escritor. Porto Alegre/RS

Marcelo Benvenutti, escritor. Porto Alegre/RS

Rogério Augusto, escritor. São Paulo/SP

Andréa Del Fuego, escritora. São Paulo/SP

Renata Miloni, escritora. Rio de Janeiro/RJ

Jorge Pieiro, escritor. Fortaleza/CE

André Laurentino, escritor. Recife/PE

Vinícius Andrade Neves, escritor. São Paulo/SP

Paulo Ribeiro, escritor. Porto Alegre/RS

Edson Cruz, poeta. São Paulo/SP

Caco Belmonte, escritor. Porto Alegre/RS

Victor Del Franco, poeta. São Paulo/SP

Cecília Giannetti, escritora. Rio de Janeiro/RJ

Ana Paula Maia, escritora. Rio de Janeiro/RJ

José Mucinho, escritor. São Paulo/SP

Ana Beatriz Guerra, escritora e jornalista. Rio de Janeiro/RJ

Ana Cláudia Costa, escritora. São Paulo/SP

Vinícius Holanda, escritor. São Paulo/SP

Breno Couto Kummel, escritor. Brasília/DF

Beto Villa, escritor. São Paulo/SP

Adrienne Myrtes, escritora. Recife/PE

Vinícius Holanda, poeta. Santos/SP

Ronize Aline, escritora e jornalista. Rio de Janeiro/RJ

Bárbara Lia, poeta e escritora. Curitiba/PR

Jean-Pierre Barakat, poeta. Brasília/DF

Claudio Parreira, escritor. São Paulo/SP

Gizelda Morais, escritora e poeta. Maceió/AL

Hugo Pontes, poeta e professor. Poços de Caldas/MG

Abilio Terra Junior, escritor e poeta. Belo Horizonte/MG

Tércia Montenegro, escritora. Fortaleza/CE

Alícia Maria, poeta. Belo Horizonte/MG

Thais da Cunha Marcondes, escritora e poeta. Ponta Grossa/PR

Drummond-Amorim, escritor. Bocaiúva/MG

Ana Elisa Ribeiro, escritora. Belo Horizonte/MG

Jorge Rocha, escritor e jornalista. Belo Horizonte/MG

Luis Maria Acuña, poeta. Rio de Janeiro/RJ

Beatriz Azevedo – poeta e compositora. São Paulo (SP)

DICA 7: ESSA É DIFÍCIL!

“A Lei Quer Que Eu Morra”, de Caryl Chesmman. Sem reedição desde a década de 70, os livros do americano que inspirou o mundo livre s/a, somente são encontrados em sebos.

SERENATA

A última Serenata dos Amores do ano acontecerá no dia 17/12 e contará com a participação de todos os artistas que subiram ao palco ao longo das quatro edições anteriores do projeto. Entre eles: Antonio Vieira, Fátima Passarinho, Léo Capiba, Anna Cláudia e Diquinho, entre outros. Maiores detalhes em breve!

REUBEN DA CUNHA

Reuben da Cunha, 20 anos, aluno do 4º período de Comunicação Social – Jornalismo da UFMA foi selecionado pelo projeto Rumos – Itaú Cultural, edição 2004/2005. Na categoria Jornalismo Cultural, Reuben é um dos três nordestinos selecionados e o único maranhense. Estamos trabalhando num texto sobre o assunto, que vocês lerão em breve na imprensa local.

A SERENATA DOS AMORES É UMA FESTA!

Hoje, 25/11, quinta-feira, tem mais uma edição d’A Vida é uma Festa!, com o multiartista Zé Maria Medeiros e cia. Eu lá!

SERENATA NO SÁBADO

E a quarta edição, em 2004, do Projeto Serenata dos Amores, foi adiado, por motivo de força maior, para o sábado 27/11.

Os convidados da vez são Léo Capiba e Anna Cláudia, que contarão com as participações especiais de Costa Neto, Luiz Mochel e Rosa Reis; performances por conta da Cia. Circense de Teatro de Bonecos.

A concentração se dará às 20h30min, em frente ao Sindicato dos Arrumadores; o cortejo segue a Rua da Estrela, Travessa da Lapa, Rua do Dique e Rua Maranhão Sobrinho, até chegar ao Terraço dos Amores, como foi carinhosa e poeticamente rebatizado o Largo da Igreja do Desterro, especialmente para o projeto.

As homenagens vão para os moradores Dona Duduca, Seu Djalma, Jovenilo e para o poeta Zé Maria Medeiros. Imperdível!

DIVINO EMARANHADO

Juliana Manhães estará fazendo um solo do Divino Emaranhado nesta sexta (26/11), no projeto Solos de Teatro Experimental Ana Kfouri. No Teatro II do SESC Tijuca (Rua Barão de Mesquita, 539 – Rio; fone: 21-3238-2100), às 20h

DOMÍNIO PÚBLICO

Diversas obras disponíveis para download. Clica aqui! Uma ótima iniciativa do governo federal.

CAPÍTULO TRÊS DE ALGO AINDA SEM NOME

Um poema que fiz para a “mulher sem rosto”…

Não sei os teus traços

Não te acompanho o andar

Nem sei o que faço

Pra te conquistar

Não sou teu presente

Nem sei teu passado

Só sei que no futuro

Quero estar ao teu lado

Não sei a tua opinião

Sobre esta questão ou aquela

Se é talvez, sim ou não

Se achas sério ou balela

A paixão que digo te devotar

Não sei se vais me querer

Se preferes montanha ou mar

Ou outro lugar para me ter

De ti, nada sei e talvez

Por isso, te adore tanto assim

Paixão não é salário pra durar só um mês

E sem limite, também não terá fim



(continua)



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CAPÍTULO DOIS DE ALGO AINDA SEM NOME

Ela é sempre decidida e desliga o telefone quando digo “tchau”. Não gosto de mulheres que esperam que eu desligue o telefone, pois estas me fazem crer que sou um mal-educado. Ela me entendia. Me entende. Acredito nisso. Piamente. Uma coisa difícil. “Te entender?” “Não, não é difícil me entender, mas é difícil achar alguém que me entenda, se é que você me entende…”.

“Eu faço samba e amor até mais tarde

e tenho muito sono de manhã”

Não sei por que lembrei dessa música do Chico Buarque. Nós dois ao telefone íamos até mais tarde, mas eu não sambava, nem fazia amor. Tentava, no melhor sentido. Também não podia dizer que sentia sono de manhã; pelo contrário, tinha mais disposição, ao lembrar do último papo com ela.

“Se você quer

Pode sentar no meu colinho, neném

Eu sou santinho

Juro pela minha avó

Que eu ia só cobrir você com mil beijinhos

E dizer baixinho

Eu tenho estado tão só

Mas se você desse um sorriso engraçadinho, neném

Eu te puxava com jeitinho prá mim

E começava a te fazer carinho, neném

Devagarinho prá não ter mais fim”

Dessa do Boca Livre eu sei por que lembrei: somos, eu e ela, dois “amantes frustrados”, um querendo proteger o outro. Espero que já chegue o dia da gente nunca mais sofrer por amor.

(continua)