O respeito às diferenças precisa entrar na moda

Foto: Zema Ribeiro

 

As areias da paradisíaca praia de Mangue Seco foram o palco escolhido para o lançamento de uma grife de moda íntima, o Ateliê Demodê, que aportuguesa a palavra francesa démodé, usada para qualificar algo que está fora de moda.

O evento aconteceu na manhã de ontem (20) e foi marcante pelo inusitado do lugar e da proposta: “o material dita a forma”, no que se baseou a decisão pela malha utilizada nas peças do Ateliê Demodê, feitas à mão, em São Luís do Maranhão, 100% orgânica, de algodão cultivado na Paraíba e Ceará, com embalagens de papelão reciclável produzidas na Bahia, de acordo com o catálogo também artesanal distribuído aos presentes.

As coleções são batizadas por alusões ao litoral: Areia, Duna, Brisa e Maresia, referindo-se às cores das peças, formas e a beleza.

Consumo é política e é impossível dissociar o desfile a que assisti ontem do atual momento conturbado que o Brasil atravessa. A beleza – e a força – do lançamento das coleções do Demodê reside em entender e colocar a moda como uma possível contraposição aos padrões vigentes: os modelos que desfilaram eram homens e mulheres, altos e baixos, brancos e negros, magros e gordos, “pessoas cinzas normais”, como diria Belchior.

Por falar em música, a trilha sonora do desfile foi pensada criteriosamente, marcada pelo compasso de cocos de Pernambuco e Paraíba e pela força percussiva da música do maranhense Tião Carvalho. Não só a música: tudo ali foi pensado com carinho, nos mínimos detalhes: das acomodações da plateia que foi prestigiar o desfile ao generoso e saudável café da manhã servido – consumo é política, repito.

Se “amar ao próximo é tão démodé”, como cantou Renato Russo, o grande grito dado pelo vai-e-vem de modelos tão diversos, foi justamente a tentativa de superação disso: é justamente a diferença, e saber conviver harmoniosamente com ela, que nos torna humanos.

O Mestre Mandou no Mestre Amaral

Divulgação
Divulgação

O Espaço Cultural Tambor de Crioula de Mestre Amaral tem se configurado num dos lugares pulsantes e interessantes da cidade, por diversos aspectos, dos quais destaco a reinvenção do espaço público, pela ocupação de um imóvel abandonado, no centro da cidade, com atividades culturais. São Luís precisa de mais Mestres Amarais.

Nesta sexta (8, a partir das 19h) e sábado (9, de 16h em diante) acontece o brechó O Mestre Mandou, ocasião em que armários e coleções de discos poderão ser renovados. Obviamente com trilha sonora: além da tradicional roda com o tambor de crioula do mestre que batiza o espaço, haverá apresentações do Maracatuque Upaon Açu e de Tiago Máci, acompanhado da dupla Ambos com Voz. A organização do evento intenta realizá-lo mensalmente.

Bom, bonito e barato: brechó

Roupas, acessórios, sapatos, artesanato, e o mais importante: vinis e livros. De tudo um pouco se pode comprar no Brechó no Olho da Rua, que tem mais uma edição amanhã (12), das 16h às 22h, na Praça Valdelino Cécio (Praia Grande).

Haverá ainda oficinas de balão e mágica, com o mágico argentino Agustin, avisa a jornalistamiga Giselle Bossard, produtora do evento que, após dois anos, com edições aqui e acolá, volta a seu palco original.

Teka lança coleção logo mais na Praia Grande

A estilista ladeada por modelos mirins

As encantarias da Mina é o tema deste ano da coleção que Teka Castellano lança, desde 2001, sempre na segunda sexta-feira de dezembro. O desfile de lançamento acontece hoje (9), às 20h, no Beco Catarina Mina (Praia Grande), onde fica localizado o Estúdio Teka Art’s, seu ateliê.

Interessadas em modelitos de moda alternativa já poderão adquirir peças da grife na ocasião. As roupas são inspiradas nas estéticas afrodescendente e indígena e na cultura popular do Maranhão, trabalhadas artesanalmente utilizando retalhos, chita, fibras, sementes e tecido cru.