Câmaras Setoriais

Aconteceu durante a semana, encontro do Ministro da Cultura Gilberto Gil com representantes de diversos segmentos para discussões sobre as Câmaras Setoriais de Música, Artes plásticas e cênicas e do livro e leitura. Estão rolando discussões e o Ministro que ouvir quem escreve. Propostas já estão sendo encaminhadas e você pode vê-las e acrescentar a sua clicando aqui.

PÍLULAS CONTRA O TÉDIO

Erramos, nos irRITAmos e aqui corrigimos



A maranhense Rita Ribeiro apresenta-se hoje no Teatro Rival, RJ, a partir das 20h30min. Já noticiamos isso por aqui, mas erramos: as moças d’As 3 Marias irão, na verdade, encerrar o show TECNOMACUMBA (é esse o nome correto!), com a apresentação do Tambor de Crioula As 3 Marias.

Aqui na Ilha, vale a pena conferir mais uma edição d’A Vida é uma Festa, com Zé Maria Medeiros e diversos artistas maranhenses. Presença confirmada de João Madson e deste que vos escreve. No Bar do Adalberto (Praia Grande), a partir das 20h30min.

Feirinha Cultural do Desterro

Hoje também, tem Feirinha Cultural no Largo da Igreja do Desterro: gastronomia típica, artesanato regional e dança folclóricas da comunidade. Iniciativa dos moradores, organizados no permanente Fórum de Desenvolvimento Territorial Sustentável – Desterro Portinho Praia Grande.

Serenata dos Amores

No Desterro acontece amanhã, a segunda edição do ano de 2004 da Serenata dos Amores. O cortejo sai do Jornal Pequeno, percorrendo a Rua Formosa, Beco Feliz e Beco do Precipício, até chegar ao Terraço dos Amores, como foi poeticamente rebatizado o Largo da Igreja do Desterro. As atrações da Serenata são Fátima Passarinho e Léo Espirro, que terão como convidados especiais Murilo Oliveira e Nonato (Nonato e seu Conjunto). Os homenageados são D. Guiomar, D. Faustina, seu Tonico Santos e os poetas Valdelino Cécio e José Chagas, que na data estará completando 80 anos.

Shopping Brazil apresenta um belo texto de Marcos Fábio Belo Matos e antecipa que o autor de “O homem que derreteu e outros contos” está preparando um novo livro.

A VIDA É SIMPLES

Marcos Fábio Belo Matos

Viver é extremamente simples. Um teto que se possa chamar dedecente. Três refeições por dia. Aquela música que a gente quer ouvir naquela hora tocando a toda no som da sala ou doquarto, ou nos dois ao mesmo tempo. O filme que nos faz chorar de encantamento passando depois da novela, com dublagem que não esculhambe a trama. O que se ganha dando até o fim do mês. O filho ou a filha ou os dois crescendo do jeito que a gente acha legal, e ficando nosso amigo. O trabalho diário naquilo que você gosta e faz com maestria. Poder chegar em casa depois de um programa que valeu a pena e não ter medo de abrir o portão. A possibilidade e a liberdade sem cinismos de acreditar naquilo que se quer e se acha correto. Uma pessoa amada que não potencialize os seus traumas. Tempo para devorar o livro que você sempre quis ler. Tempo para não fazer coisa nenhuma. Um futuro minimamente estável. Viver seria extremamente simples, se deixassem. Difícil não é viver. É amar… mas isso já é outra história.

Marcos Fábio Belo Matos é jornalista e professor universitário, e qualquer dia escreverá aqui sobre a dificuldade de amar…

SERENATA DOS AMORES

Ninguém pode dizer que o tradicional e poético bairro do Desterro é o mesmo depois que o projeto “Samba da Minha Terra” passou por lá, em julho de 2003. Em torno da apresentação liderada pelo poeta e compositor Joãozinho Ribeiro, a comunidade exigiu toda uma Semana Cultural, com diversas atrações, exposições, mostras, oficinas, debates etc.

As discussões seguiram e, entre os dias 17 e 19 de março passado aconteceu o I Fórum de Desenvolvimento Territorial Sustentável, que ganhou caráter permanente e reúne semanalmente moradores e representantes de diversas entidades e instituições com atuação na área do Centro Histórico; o fórum passou a ser denominado Fórum de Desenvolvimento Territorial Sustentável – Desterro, Portinho e Praia Grande.

Dessas reuniões semanais (acontecem todas as quartas-feiras, às 16h no prédio do CEDUC, Rua da Palma s/n) saiu a II Semana Cultural do Desterro, nos moldes da primeira.

As mais recentes realizações do Fórum são a Feirinha Cultural do Desterro — que acontece todas as quintas-feiras a partir das 19h, no Largo da Igreja do Desterro, com o comércio de comidas típicas, artesanato e apresentação de danças folclóricas da própria comunidade — e a Serenata dos Amores, que foi “reativada” no último dia 15/10, com apresentações de Wálber Carvalho, Teresa Cantu e diversas participações especiais, com destaque para o Mestre Antonio Vieira.

SERENATA HOMENAGEIA JOSÉ CHAGAS

A segunda edição do projeto no ano de 2004 acontece na próxima sexta-feira, dia 29/10. O cortejo sairá às 20h30min do Jornal Pequeno, seguindo o seguinte itinerário: Rua Formosa, Beco Feliz e Beco do Precipício, até chegar ao Terraço dos Amores, como foi carinhosa e poeticamente batizado o Largo da Igreja do Desterro.

Os artistas convidados para esta edição da Serenata são Fátima Passarinho e Léo Espirro, que terão como convidados especiais Murilo Oliveira e Nonato (Nonato e seu Conjunto); as performances teatrais ficam por conta da Cia. Teatral 4ª Parede.

Entre os homenageados estão: Seu Tonico Santos, D. Faustina, D. Guiomar e os poetas Valdelino Cécio e José Chagas que, na data estará completando 80 anos.

José Chagas nasceu em Piancó (PB) e ainda na década de 40 mudou-se para o Maranhão: é paraibano de nascimento e maranhense de coração e poesia. Hoje (27) ele recebe o título de cidadão maranhense na Assembléia Legislativa.

A cidade toda está reconhecendo a importância deste lavrador de palavras para a cultura nacional (não apenas no campo das letras): a Serenata dos Amores não poderia ficar de fora!

SERVIÇO

O QUÊ: Serenata dos Amores

QUANDO: dia 29/10, às 20h30min

LOCAL: Largo da Igreja do Desterro; o cortejo sai da porta do Jornal Pequeno

RITA E AS 3 MARIAS

Boa pedida para quem nos lê do Rio de Janeiro: As moças d’As 3 Marias, grupo formado por maranhenses e cariocas e que vem pesquisando folguedos e divulgando a cultura maranhense por lá, abrem o show TenoMAcumba, de Rita Ribeiro, maranhense que vem encantando o Brasil nos palcos do Projeto Pixinguinha.

Em única apresentação no Teatro Rival, dia 28, quinta-feira, às 20h30min.

IMPERATRIZ

Recebemos e-mail da Fundação Cultural de Imperatriz (MA), com o resultado do Festival de Poesia, Crônica e Conto Edição 2004. Confira os vencedores:

Conto

1° lugar – A buganvília púrpura, de Gustavo Henrique Alcântara de Medeiros (Natal – RN)

2° lugar – A vidraça, de Geraldo Ramiere (Planaltina – DF)

3° lugar – Construção, de Luiz Henrique Toledo Frazon (Ribeirão Preto – SP)

Crônica

1° lugar – O pagamento de Abílio, de José Antonio de Sousa Neto (Belém – PA)

2° lugar – Semáforo, de Cláudio Alves da Silva (S. J. do Meriti – RJ)

3° lugar – Como matar um vizinho sem deixar pistas, de Coracy Teixeira Bessa (Salvador – BA)

Poesia

1° lugar – A poesia, de José Carlos do Nascimento (Fortaleza – CE)

2° lugar – Inferno no mar, de Marina Tschernyschew (Santos – SP)

3° lugar – Res adversae, de Cristiano Antônio Catafesta da Silva (Vacaria – RS)

Os melhores de Imperatriz

Conto: Paulo Ivan Silva Lima, com Adubo Orgânico

Crônica: Margarida Neres Pessoa, com Evento errado diversão garantida

Poesia: Cassia Manuela Ribeiro do Nascimento, com Cobaias

Shopping Brazil está de volta!

Que que tem?

Depois de mais de quarenta dias ausentes, cá estamos. Bom, prometo definitivamente publicar algo no post tipo água lá em casa: dia sim, dia não; no mínimo!

Que que há?

Hoje tem mais uma edição de A Vida é uma Festa! Nem precisa dizer que estarei por lá.

Liga, liga, liga, liga tripa-pá…

Em Brasília, dezenove horas… e começa mais um’A Voz do Brasil. Na capital federal, hoje, na ASBAC, dentro do projeto Boca da Noite, o grupo LIGA-TRIPA comemora 25 anos de carreira, embora sejam pouco conhecidos fora dos circuitos da UnB e Escola de Música de Brasília.

A festa conta com a organização do percussionista Paulão e com a divulgação do Glauco Barreto, amigo paraibano residente em Brasília, responsável por eu ter me apaixonado pelo Liga, que tem apenas dois discos gravados: INFORMAL (vinil ao vivo de 1988) e o PRÊMIO RENATO RUSSO, que o grupo dividiu com o Choro Livre, grupo candango de chorinho; Carrapa do Cavaquinho, membro do Liga lançou um disco solo, que hoje também consta em minha discoteca.

Pouca gente sabe, mas o Liga foi gravado pela Legião Urbana, após o falecimento de Renato Russo: em “Uma Outra Estação”, a faixa Travessia do Eixão, cujo nome original (constante do repertório do ótimo disco Informal) é Nossa Senhora do Cerrado.

Quem quiser ouvir trechos de músicas do Liga, acesse: http://www.musicalango.com.br/ligatripa

Quem quiser ver o local da festa:

www.bocadanoitebsb.com.br

Pra encerrar este post: o Caderno Ímpar d’O Imparcial de hoje traz a maravilhosa notícia de que o Cordel do Fogo Encantado chegará à Ilha em novembro para duas apresentações gratuitas na Praça Maria Aragão. Imperdível!

O V FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA DE SÃO LUÍS DO MARANHÃO:
CULTURA NÃO É SÓ COISA DE ARTISTA!



por Zema Ribeiro (*)

Acontecimento ímpar na vida cultural da cidade de São Luís, o V Fórum Municipal de Cultura é o que se pode chamar de evento plural e democrático, onde todos os interessados – e não só artistas, como propunha o tema – pudessem discutir políticas públicas para a área de cultura da cidade, onde os aspectos humanos fossem valorizados.


Durante os dias 1, 2, 3 e 4 de setembro, estiveram reunidos no Teatro Alcione Nazaré (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande) uma variedade de pessoas contribuindo para o sucesso do V FMC e da elaboração de sua Carta de Cultura para a cidade de São Luís: escritores, poetas, jornalistas, artistas, estudantes, agentes, produtores culturais, representantes dos governos nas esferas estadual e municipal, bem como do Ministério da Cultura e entes da sociedade civil em geral.
Realizado pelos Fóruns Municipal e Intermunicipal de Cultura e Ministério da Cultura, o V FMC contou com a aliança de mais de cem entidades dos setores público e privado. Dentre as atividades realizadas, destaque para as apresentações artísticas, o debate entre os candidatos a prefeito, – apesar da ausência da metade deles: compareceram apenas Luís Noleto (PSTU), Helena Heluy (PT) e João Castelo (PSDB) – as conferências e os debates, onde podemos salientar as participações de Hamilton Faria (Coordenador de Cultura do Instituto Polis/SP), Sebastião Soares (Secretário de Cultura de Itapecerica da Serra/SP), Pedro Garcia (poeta, animador da Rede Mundial de Artistas em Aliança/RJ), Aloysio Guapindaia (Gerente de Articulação Nacional do MinC), Danilo Miranda (Presidente do Conselho Diretor do Fórum Cultural Mundial), Sérgio Mamberti (Ator, Secretário de Identidade e Diversidade Cultural do MinC), Marcus Accioly (Poeta, Presidente do Conselho de Cultura de Pernambuco), Bené Fonteles (Artista Plástico, Compositor e Coordenador do Movimento Artistas Pela Natureza), Lamartine Silva (Movimento Hip Hop FavelAfro), Agostinho Marques (Advogado, Filósofo, Psicanalista, Vice-Diretor Geral da Faculdade São Luís) e Joãozinho Ribeiro (Poeta, Compositor, Secretário Executivo do FMC de São Luís), entre outros.
A seguir, leia a íntegra da Carta da Cultura para a Cidade de São Luís/MA.


CARTA DA CULTURA PARA A CIDADE DE SÃO LUÍS


“Nós , artistas, escritores e poetas, agentes e produtores culturais, gestores de governo, redes de cultura e cidadania de todo o município, reunidos no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, entre os dias 01, 02, 03 e 04 de setembro de 2004, no V Fórum Municipal de Cultura de São Luís, realizado pelos Fóruns Municipal e Intermunicipal de Cultura e pelo Ministério da Cultura, com o apoio de mais de 100 entidades e instituições públicas e da sociedade civil, após debates, vivências e trocas culturais, firmamos a seguinte Carta:”

Por entendermos que a administração da Cidade de São Luís, Patrimônio da Humanidade, deve antes de tudo ter um compromisso com a cultura, a ética e o direito, não aceitamos mais a perpetuação das gestões administrativas caracterizada pelas seguintes posturas:
· Centralização das ações culturais, voltadas única e exclusivamente para o patrimônio edificado, centro da cidade e realização das grandes festas populares.
· Concentração das ações em obras e projetos eleitoreiros de grande visibilidade.
· Indefinição, inexistência e/ou insuficiência de projetos destinados à formação artística.
· Absoluta falta de discussão pública dos poucos projetos existentes, caracterizando a incapacidade de comunicação do Governo Municipal com os artistas e produtores culturais.
· Orçamento contingenciado de acordo com as conveniências do momento, sem obediência a um planejamento de maior prazo.
· Entendimento da Cultura como mero departamento de marketing da Administração Municipal, que deve cuidar somente da realização de eventos e projetos pontuais.
· Negação da Cultura como questão transversal que deve dialogar constantemente com todos os aspectos da administração municipal, auxiliando decisivamente na elaboração de uma visão matricial da gestão.

Em respeito à diversidade e aos contrastes que produzem ao mesmo tempo riqueza material para poucos e empobrecimento e degradação da qualidade de vida para a maioria da população, precisamos redescobrir a função integradora da cidade e sua cultura viva, para que ela possa revelar a plenitude de seu patrimônio imaterial. O caminho para transformar o espaço urbano tem início na democratização da comunicação e da informação, e passa pelo compromisso dos órgãos de governo com as organizações populares e a transparência na gestão da coisa pública.
O elemento mais importante, foco das políticas públicas de promoção cultural, deve ser a população. O atraso a que estamos submetidos deve ser superado com a promoção de políticas educacionais consistentes, que compreendam a cultura como estratégica para o desenvolvimento humano. Neste aspecto, destacamos a relevância da sociedade civil como interlocutora crítica e protagonista das transformações necessárias para evitar a barbárie social e a degradação ambiental.
Partindo das intenções para os gestos, não basta repetirmos o discurso que somos Patrimônio da Humanidade e que possuímos a maior diversidade de manifestações culturais do país. É preciso traduzir esta diversidade em respeito às várias iniciativas produzidas nas centenas de comunidades localizadas em nossos bairros, principalmente nas periferias, possibilitando a expressão artística dos diversos grupos sociais destas comunidades: 3ª idade, jovens, crianças, portadores de deficiência, grupos folclóricos, hip hop, etc.
O Governo Municipal e os nossos representantes na Câmara de Vereadores não podem mais ficar indiferentes a estes novos olhares e vozes que renovam a vida da nossa cidade, contribuindo para a elevação da auto-estima das pessoas e para a construção de um forte sentido de pertencimento à comunidade e à cidade.
O Governo Municipal e a sociedade devem trabalhar juntos para construir juntos uma cultura democrática, componente fundamental do desenvolvimento humano, que supere o autoritarismo e o clientelismo e a privatização do bem público por grupos de interesses políticos e eleitoreiros, ainda muito presentes em nossa São Luís.
A cidade de São Luís é e tem sido o ponto de encontro da diversidade de seus habitantes, mas também da desigualdade e da exclusão. A transformação dessa realidade só será alcançada com a participação da população num amplo e abrangente movimento para colocar o município no rumo do desenvolvimento sustentável decorrente do desenvolvimento de sua cultura.
Entendemos que todas as iniciativas voltadas para a inclusão social e ao desenvolvimento cultural que estão dando certo, sejam no âmbito da esfera pública, da esfera privada, ou da sociedade civil, devem ser apoiadas e ter caráter permanente, não sujeitas a serem movidas por questões de divergências políticas, partidárias, ou por falta de continuidade administrativa.
As políticas públicas voltadas à sociedade devem privilegiar os processos participativos de gestão, em particular, as audiências públicas, reuniões com as comunidades, o fortalecimento do Conselho Municipal de Cultura, os fóruns de cultura dos bairros, reforçando e respeitando os processos de decisão da população sobre o fazer cultural. Para tanto, conclamamos todos os candidatos a Prefeito de São Luís a assumir o compromisso com a realização da I Conferência de Cultura da Cidade ainda em 2005.
Entendemos que o Poder Público Municipal deve tomar suas decisões em diálogo permanente com a sociedade. A questão cultural deve estar presente nas políticas públicas e diretrizes de todas as secretarias que devem atuar de forma integrada, levando em conta a necessidade da democratização e cumprimento das leis, a descentralização das políticas, dos recursos e equipamentos culturais, além da execução de programas permanentes de capacitação técnica e cultural de seus servidores.
Entendemos que o V FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA DE SÃO LUÍS constituiu-se num marco importantíssimo para a valorização dos processos culturais, além de ter sido uma oportunidade de encontro, inclusão, articulação e reflexão em torno dos temas e desafios culturais, respeitando a diversidade e pluralidade de idéias dos seus participantes, fazendo jus assim ao seu próprio tema principal – Cultura não é só Coisa de Artista!

São Luís, 04 de setembro de 2004



(*) Zema Ribeiro é Assessor de Imprensa do Fórum Municipal de Cultura

de São Luís do Maranhão. Contatos:
forummunicipaldecultura@pop.com.br
Notas: 1) o texto acima não pretende ser uma súmula, resumo ou coisa que o valha do V Fórum Municipal de Cultura; ele tenta situar, minimamente para um bate-papo posterior, colegas de sala de aula do editor, que precisarão fazer uma atividade sobre o V Fórum Municipal de Cultura para obtenção de uma nota em uma das disciplinas do 2º período do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Faculdade São Luís.
2) A Carta da Cultura aqui publicada é uma versão preliminar, apresentada à plenária no dia 4 de setembro passado, após as discussões realizadas por ocasião do V FMC, estando sujeita a alterações.

DE MAIAKÓVISK A DRUMEMBÊIS, UM CANTOR POPULAR (*)

por Diego Janatã (**)

Tarde de sol e chuvisco em São Luís, em algum ponto da Ilha Maravilha, aquele que “nasceu danado pra prender vida com clips, ver a lua além do eclipse”, recebe a equipe da Folha do Maranhão para trocar uma idéia, falar de projetos e outras “coisitas mais”. Num papo sucinto, Zeca Baleiro prova porque, de fato, mesmo falando de Maiakóvisk à Drumembêis, é um cantor popular.

“Deus me deixa ser o guru dessa galera”

“Essa coisa do alcance do trabalho de cada artista é meio imponderável. Você nunca sabe aonde vai dar, eu não acredito muito em quem faz planos. Ah, eu vou alcançar o “Público A”, o “Público B, o “Público C”. Eu nunca pensei sobre isso. Com as referências que eu tinha em mãos, que são minhas, que são verdadeiras, são sinceras e deu no que deu. Hoje eu tenho essa coisa do que me orgulho, esse alcance que de universitário e gente simples curtem o meu trabalho, lógico que eu não sou unanimidade, tem uma abrangência que me deixa feliz”, revela.

Zeca Baleiro diz que não quer fazer música somente para um gueto de inteligentes. “Eu quero falar para o mundo. E se o maior número de pessoas ouvir, sem prejuízo do que eu estou fazendo, ótimo”, afirma.

Para ele, a música é um modo de expressão popular que atinge, pela própria natureza. “A música é uma coisa onipresente, a gente ouve em todo lugar”, filosofa o cantador. Segundo ele, o músico deve conseguir captar o máximo esse poder de alcance de poder dizer para as pessoas, coisas, nas quais você acredita, contaminar as pessoas com suas idéias é um poder e tanto”, acredita.

Baleiro afirma que qualquer obra é meio instantânea de um momento. “Quem faz o mesmo trabalho sempre ou é limitado, definitivamente, ou é preso demais a uma estrutura de mercado. Eu não me sinto nem uma coisa nem outra. Então, me permito delirar um pouco e viajar nas possibilidades criativas que há na música popular”.

“Vô imbolá”

Zeca Baleiro consegue mostrar sua grande marca, pelo fato de conseguir fazer uma mistura musical, essa fusão de ritmos. Seu terceiro CD, “Líricas”, foge um pouco (ou quase que completamente à este modelo). Ele comenta: “Sempre tive muito apreço por essa forma da canção trovadoresca. Se eu fizesse o meu primeiro disco assim, talvez ficasse muito marcado. O primeiro disco ele consolida uma imagem, e não dava pra fazer. No “Líricas”, eu tava naturalmente num momento de mais introspecção, um pouco mais melancólico, e tirei aquelas coisas do baú. E muita gente desconfiou que a minha carreira ali, iria por água abaixo. E só veio provar que quando você faz as coisas com verdade, algum destino bacana se vai ter”, lembra.

Zeca Baleiro revela que tem projetos em fazer um disco mais uniforme no que diz respeito ao estilo musical. “Projetos eu tenho vários. Estou com um projeto com o samba que cancelei temporariamente, porque não ta dando pra levar. Estou fazendo algumas experiências, um “troço” mais dançante, outras “canções”, revela. “Enfim, tem um repertório. E ai, às vezes, rola uma ansiedade em mostrar tudo isso. Não se sabe quanto tempo a gente vai viver, né ?!”, comenta entre risos.

Mesmo assim, ele se diz muito minucioso e, não admite entregar para o publico, um CD de qualquer jeito. “Não estou com pressa de fazer disco agora, essa é a verdade”, afirma.

“Saravá, mundo cão”

Morando em São Paulo há mais de uma década, desde 1991, assim mesmo se percebe na música de Zeca Baleiro, uma forte ligação com São Luís, com o Maranhão. Ele comenta um pouco sobre a nostalgia que bate, quando está compondo algo que fale de sua terra. “Eu sempre tive uma relação de muito amor pela cultura popular daqui. Quando eu morava em São Luís, isso era até mais difícil de ficar claro, porque tinha um confronto muito grande com o pensamento vigente, sempre fui muito do contra. Se a coisa era Bumba-meu-boi, então eu ia fazer rock. O fato de eu ter me distanciado e envelhecido, evidentemente, trouxe uma compreensão mais clara mais lúcida, dessa relação, minha com as coisas do Maranhão”.

Por muito tempo no Maranhão, criou-se uma receita infalível para o sucesso, um quite revolucionário que mostraria para o Brasil a música feita no Maranhão, o que foi chamado de MPM. Zeca Baleiro, “sem papas na língua” comenta: “Eu nunca gostei desse rótulo, eu já não gosto de MPB que é uma coisa mais abrangente, eu desdenho disso. Ficar se taxando num gueto. Por quê? Se eu quiser fazer um blues em inglês isso não é música maranhense?” Se pergunta. “Música popular, especialmente, é universo muito vasto, eu não tenho porque me prender num gênero. Tem que usar as ferramentas que estão ai, usa quem pode, quem sabe e quem quer”, dispara.

Para ele, não é válido se tentar criar esse apelo. “Se não sai das ruas, se não é verdadeiro, não rola. No dia que acontecer uma coisa que sair das ruas, pode ir para outros terreiros e ganhar o mundo. Se for uma coisa forjada, nos bastidores, não adianta, o povo não legitima”, pondera.

A respeito de suas últimas apresentações em São Luís, seguindo o estilo Vip, com cadeiras ocupando boa parte do espaço, o que (teimosamente) os produtores culturais insistem em fazer, Zeca Baleiro diz: “Eu detesto essa cultura. Não gosto de me sentir Vip em nenhuma

situação. Não gosto desse formato que é excludente”. Tocar no Maranhão tem suas peculiaridades. “Se alguma coisa dá errada teu irmão liga, teu primo liga. Na verdade, tem até uma cobrança maior para que a performance saia mais bacana, eu fico um pouco mais tenso talvez. Por outro lado é um prazer que não tem em nenhum outro lugar. É uma alegria única, é um encontro com o público, muita gente que viu o trabalho nascer, tem um caráter especial”, diz.

Ele diz que a homenagem à Maria Aragão é mais do que justa e merecida. “Quando me falaram que a razão do show era essa, fiquei mais animado ainda”.

Para Zeca Baleiro, existe no Maranhão uma cultura de clientelismo cultural que atrapalha muito. “Sempre estão esperando que o Governo faça, que a secretaria de cultura faça, e nunca se cria um mercado consumidor, para que o artista seja mais independente”. Ele concorda que a cultura não pode ser institucionalizada. “Se a pessoas partirem, elas próprias para fazerem suas coisas, vai uma hora se abrir uma fenda e para se consolidar um mercado consumidor”, profetiza. Ele afirma que, hoje, isso é bem mais fácil de se consolidar, do que há quinze anos atrás, quando ainda estava em terras maranhense. “Acho até que o governo tem que ter responsabilidade com a cultura mas, isso não tem que ser a única possibilidade de se fazer alguma coisa”.

“Jamais abolerar o acaso”

“Eu ouvi muito rádio, e atribuo a ele o fato de ter criado um gosto pela música muito livre, sem preconceito, ouvia de tudo: brega a música pop. Música regional: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro. Meus pais ouviam muita música. Acho que uso essas referências de

algum modo no meu trabalho”.

Segundo o “poeta infame dessa multidão”, não é só a música que influência a música. Um filme que você vê, um livro, a própria vida. “O cinema é uma coisa que me inspira muito. Sou fissurado. É algo que sempre abre mais um pouco a cabeça”.

Zeca Baleiro tem um carisma muito grande, inclusive, com a rapaziada de um estilo musical ainda muito marginalizado. “O rap é uma coisa que quando eu ouvi pela primeira vez, fiquei muito impressionado. Primeiro, porque eu já tinha muita admiração pela linguagem do embolado, do repente, que é o nosso rap. Presenciei emboladores na minha cidade e isso me marcou muito. A velocidade do raciocínio, a manha que a partir de um mote improvisar. E na origem, o rap é isso”.

Muito consciente ele afirma: “Eu não sou um rapper, mas nada me impede de fazer rap. Ideologicamente também tenho afinidade com aquilo. Ainda é uma força de expressão muito grande e uma ferramenta dos excluídos”.

De acordo com o “poeta beat”, música é entretenimento e também, veículo de formação crítica. Tudo junto num mesmo papel trançado. “São as duas coisas, não pode perder de vista a diversão, porque senão, vira uma tese de Sociologia”.

Para ele, música pode ser feita para diversão, mas, entretanto, se pode aguçar o senso crítico do público. “A música que eu faço é isso”, resume.

“Malandro vai pro norte, enquanto os patos vão pro sul”

Zeca comenta sobre sua chega no eixo Rio-São Paulo. “Eu estava mais pra pato do que pra malandro. Foi difícil como todo começo, na verdade eu nem sabia o que eu queria. Não era tão seguro do que eu fazia. Não sabia que, o que eu fazia, tinha valor para mais pessoas’. Ele destaca que sempre foi muito perseverante, inclusive, foi assistente de estúdio para pegar o “approach” tecnológico. “Sempre tive interesse em aprender, em fazer as coisas”. Ele comenta que, neste instante ganhou espaço, primeiramente os “alternativos” e ai, deu no que deu. “Encontrei outras pessoas, a Rita Ribeiro, o Chico César, foi-se formando ali, um grupo que acabou sendo um movimento (não deliberado). Era gente com alguma afinidade de pensamento e isso ganhou força diante do mercado”, lembra.

Zeca concorda que seria interessante, se manter um núcleo de resistência cultural nas cidades de origem. “Acho importante que tenha. Tem gente segurando a onda: Tem Josias Sobrinho, César Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Chico Saldanha, muita gente boa segurando a

peteca. Eu não tenho planos de voltar para cá, embora goste sempre de estar aqui. Quero culturalmente me aproximar cada vez mais. Tenho muitos projetos para desenvolver, ainda não tive calma e tempo”.

A respeito do Fórum Municipal de Cultura, majestosamente organizado por Joãozinho Ribeiro e uma rapaziada, ele diz: “Acho que a grande tendência, uma vez que faliram os poderes constituídos, na sua missão, de salvar o mundo”, entre risos, comenta. “É um caminho, é por aí que se vai deslumbrar uma novo jeito de se fazer, porque os velhos faliram. A sociedade civil se acha muito responsável por isso”.

“A mídia é igualzinha a língua da vizinha”

Zeca Baleiro chamou muito a atenção do público, em seu penúltimo show na ilha (Multicenter Sebrae) quando citou esta frase do grupo “Novos Baianos”. “É uma música que eu gosto muito, porque brinca com essa coisa de como as coisas se dão. A mídia esta ai, é uma entidade, você pode usar beneficamente ou não”.

Ele lembra que nunca foi pedir para colocarem sua música na trilha da novela. “O caminho é esse fazer com que ela venha até você”. Ele lembra que não vai a lugares, a programas que se exponha. “Vou onde eu possa mostrar a minha música. Vou no Faustão, na Hebe. Agora se for para pagar mico eu não vou, não me interessa”, explica.

Zeca Baleiro acha normal que algumas das pessoas que admiram o seu trabalho, ficassem decepcionados por ele ter ido no programa do Faustão. “É normal. Eu também ficaria decepcionado com algumas pessoas, caso fossem. Mas, é o meu trabalho, aquele é um espaço que você está ocupando que poderia ser de um idiota. Como eu não me considero idiota, eu fui”.

“Morena, se eu pudesse eu te dava a minha língua e meu coração, se eu fosse o dono do mar, dono do Maranhão”

“Eu tenho uma postura que é muito clara quanto à situação política no Estado. Eu não tendo para lado nenhum. Minha política é fazer música, não acredito em salvação pelas vias políticas, não tenho nenhuma ilusão à respeito”, falou o Baleiro.

(*) publicado originalmente na Folha do Maranhão

(*) Acadêmico de Jornalismo e História, músico, seguidor de trihas do Universo Paralelo sem um único verso

A(R)TIVIDADES DESENVOLVIDAS PELO FÓRUM INTERMUNICIPAL DE CULTURA (FIC), INSTITUTO PÓLIS E REDE MUNDIAL DE ARTISTAS EM ALIANÇA DURANTE O FÓRUM CULTURAL MUNDIAL

De: Fórum Intermunicipal de Cultura

Para:Undisclosed-Recipient

Data: Mon, 28 Jun 2004 14:08:49

Assunto: convite fórum cultural mundial

O Fórum Intermunicipal de Cultura – FIC, o Instituto Pólis e a Rede Mundial de Artistas em Aliança querem convidá-lo a participar das atividades que realizarão durante o Fórum Cultural Mundial.

Programação:

Sexta-feira 02/07

Hora: 9h-10h30min

Sala C (112 lugares)

Desafios da gestão cultural nos municípios

Altair José Moreira (membro da coordenação do Fórum Intermunicipal de Cultura – FIC, produtor cultural

Sebastião Soares (Secretário de Cultura de Itapecerica da Serra – SP e coordenador da Associação Barracões Culturais da Cidadania)

João Baptista Pimentel Neto (diretor de difusão cultural do município de Rio Claro e membro do Corredor Intermunicipal de Cultura)

Nabil Bonduki (arquiteto e urbanista, vereador do município de São Paulo – PT)

Os participantes da mesa devem, a partir de sua experiência de gestão (Secretarias de Cultura, Departamentos de Ação Cultural, Diretorias de Cultura, Mandatos do legislativo e Conselhos Municipais de Cultura) identificar os principais problemas da gestão cultural hoje e quais os caminhos para potencializar políticas públicas, demandas e necessidades das dinâmicas culturais da cidade.

Sexta-feira 02/07

Hora:14h30min-16h00

Auditório F (112 lugares)

Conselhos Municipais de Cultura e Cultura Participativa

Francisco Ferron (sociólogo, membro da coordenação do Fórum Intermunicipal de Cultura – FIC e gerente do SESC Campinas)

Bernardo Novaes da Mata Machado (Especialista em políticas culturais, pesquisador da Fundação João Pinheiro – Belo Horizonte)

Ricardo Lima (Gerente da Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura – MINC)

Hamilton Faria – Poeta, animador da Rede Mundial de Artistas em Aliança e coordenador de cultura do Instituto Pólis.

Após várias experiências de Conselhos Municipais de Cultura (Santo André, São Paulo, Campinas, Porto Alegre) e outros recentemente instalados (Araraquara e Piracicaba) é um momento de avaliar os seus avanços, identificar os seus limites, problematizando este instrumento de participação cidadã. O objetivo da mesa é sondar novos rumos para a cultura participativa e a cidadania cultural.

Sexta-feira 02/07

9h-10h30min

Sala D (112 lugares)

Caravana de Resistências Artísticas

Nader ABUAMSHA, diretor do programa de reabilitação YMCA de Jerusalém leste e membro da rede PENGON (Palestinian Environmental NGO Network = Rede palestina das ONGs de meio-ambiente) que lidera a oposição a construção do Muro (Palestina)

Fayez AS ELSERSAWI, artista plástico, membro do Instituto Canaan e responsável do Ministério da cultura na Faixa de Gaza (Palestina)

Nadir BOUASSRIA, artista plástico e membro do coletivo de artistas TVEAC (França)

Christel CHAPIN, animadora de Co_errances, cooperativa francesa de difusão e distribuição de textos, imagens e sons, alternativa aos grandes empresas culturais (França)

Vladimir CRUELLS, artista plástico e membro do coletivo de artistas TVEAC, coordenador da Caravana (França)

NEOBLED, artista do Coletivo de slam 129 H, poesia urbana que junta rap, poesia e contos (França)

Horacio ORTIZ, antropólogo e analista político (França/ Argentina)

Faudil ZIANI, animador da associação “Bouge qui Bouge”, movimento de jovens da periferia e membro da organização MIB (Mouvement Immigration Banlieues = Movimento Imigração Periferias), que faz parte da rede No Vox

Pedro Garcia – Poeta e animador da Rede Mundial de Artistas em Aliança

Hamilton Faria – Poeta, animador da Rede Mundial de Artistas em Aliança e coordenador de cultura do Instituto Pólis, membro do ArteSolidária, secretário executivo do Fórum Intermunicipal de Cultura – FIC

Bené Fonteles – artista plástico, poeta e compositor, membro do Movimento Artistas pela Natureza e do ArteSolidária.

“Nós do Cinema” ONG que trabalha com oficinas de cinema nas favelas cariocas

O que é a Caravana ? O ponto de partida deste projeto é a convicção que práticas artísticas constituem uma das formas de expressão das resistências cidadãs e que contribuem a uma busca de senso e repolitização. São também uma forma de expressão e uma ferramenta da transformação social. A Caravana procura valorizar essa dimensão política e social das práticas artísticas e favorecer intercâmbios internacionais sobre esses assuntos, focalizando em áreas de conflito (político ou social). Neste objetivo, a Caravana associa artistas, ativistas de organizações cidadãs e de movimentos sociais e pessoas que vivem em áreas de conflito.

Essas atividades contam com o apoio: Corredor Intermunicipal de Cultura, Projeto Alagoas.Presente!,Tambores pela Paz, Movimento Artistas pela Natureza, ARTESOLIDÁRIA, Associação Barracões Culturais da Cidadania, Aliança por um Mundo

Responsável, Plural e Solidário.

A CULTURA É A MÃE!

Joãozinho Ribeiro (*)

Retorno a São Luís, cidade dos meus pertencimentos e paixões, após três dias em Rio Claro/SP, onde participei do III Fórum Regional de Políticas Culturais, compartilhando com outras figuras ilustres da cultura brasileira o maior evento preparatório ao Fórum Cultural Mundial, que acontecerá de 26 de junho a 04 de agosto na cidade de São Paulo. Retorno também com algumas reflexões sinceras e decisões tomadas em relação ao contexto político e cultural em que vivemos e sobrevivemos:

1)No atual processo eleitoral não serei candidato a cargo nenhum, pois tenho a plena convicção que posso dar uma contribuição muito maior para a minha cidade e ao Partido dos Trabalhadores, do qual me orgulho de pertencer e ser fundador, fazendo da minha arte, das minhas ações culturais, um instrumento mais amplo de exercício da cidadania, a serviço da ética na política e da responsabilidade social e cultural, juntamente com milhares de companheiros e companheiros habitantes de várias comunidades, que hoje comungam comigo a construção de um mundo responsável e solidário, atuando em vários outros movimentos: negros, mulheres, ambientalistas, educadores, indígenas, hip hop, religiosos, etc.;

2)A grande tarefa de 2004 é colocar em primeiro plano, nas plataformas eleitorais, nos programas de governo e nas agendas dos candidatos a prefeito e a vereadores, a Cultura como política pública central, tal como se encontra contemplada na AGENDA 21 DA CULTURA PARA AS CIDADES, aprovada este ano no Fórum Universal das Culturas, em Barcelona, e que tem sido incorporada em centenas de debates que vêm acontecendo pelo Brasil afora, envolvendo artistas, produtores e agentes culturais, gestores públicos, professores, pesquisadores, etc., trazendo para os governantes do planeta importantes recomendações a respeito;

3)Contribuir decisivamente para a realização do V FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA DE SÃO LUÍS, em setembro, com encontros preparatórios em 10 comunidades estratégicas (já fizemos o primeiro na área Itaqui-Bacanga), culminando com um grande debate com toda a cidade de São Luís visando a construção democrática de uma proposta de política cultural para o município.

O momento exige atitudes e responsabilidades específicas para que possamos superar essa discussão desqualificada e sem rumo que hoje ganha as páginas dos nossos principais jornais em torno da competição entre a secretaria primeira-dama – Alexandra Tavares – e a senadora que ainda se acha governadora – Roseana Sarney – sobre quem de fato é mais ou menos madrinha, mãe ou madrasta das nossas manifestações culturais. Resultando tudo isso numa verdadeira “guerra de arraiás” que nada contribui para a valorização do nosso patrimônio cultural.

Estou retornando de um fórum de cultura cujo tema foi “A CULTURA É A MÃE!”, em que o Ministro da Cultura, Gilberto Gil, mais uma vez em brilhante performance, recorreu em sua fala a uma citação de um pesquisador americano, solicitando atenção para o uso das palavras no momento adequado: “O silêncio é a linguagem do divino; o resto é má tradução!”.

Talvez as nossas damas em evidência necessitem aprender um pouco mais com estas palavras e extrair deste episódio um ensinamento bastante pertinente: Cultura não tem mãe, pelo contrário, é a mãe de todos, conjunto de crenças, mitos, conhecimentos, instituições e práticas, por meio dos quais uma sociedade afirma sua presença no mundo e garante sua reprodução e permanência no tempo.

A professora Ecléa Bosi nos ensina que “Quando duas culturas se defrontam, não como predador e presa, mas como diferentes formas de existir, uma é para a outra como uma revelação. Mas essa experiência raramente acontece fora dos pólos submissão-domínio. A cultura dominada perde os meios materiais de expressar sua originalidade”.

O problema não é de xenofobismo, bairrismo, ou estrelismo (chega de darlenes! Até “Celebridade” finalmente acabou), porém de tirar São Luís deste eterno festival de mediocridade cultural: mais do mesmo e do pior. Isso sim é que deve ser honestamente debatido. Dez anos de Marafolia, Forró Fest, Sítios Siqueiras … o ano todo! Que valores humanos e culturais agregam a nossa cultura? Que danos irreparáveis causam ao nosso patrimônio cultural (só pensamos no ambiental)? Que riquezas são geradas e distribuídas? Qual o montante de trabalho e renda que proporcionam aos nossos artistas e a nossa população como um todo?

De todo o Brasil, esses tipos de eventos sofrem críticas de múltipla espécie, pois acabam por abocanhar grande soma de patrocínios e incentivos públicos e privados, relegando a planos inferiores as manifestações culturais locais. Imaginem isso acontecendo na Bahia!

A continuar assim, em breve já não faremos por merecer o pomposo título de Patrimônio Cultural da Humanidade. Que patrimônio? Que cultural? Que humanidade? Um dos mais jocosos exemplos desta visão míope, na contramão de tudo que está acontecendo no mundo hoje, está aqui, bem próximo: a “suspensão” da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e a “desativação” do Conselho Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico, fatos geradores de danos culturais irreparáveis aos nossos produtores culturais. Onde estão nossos políticos, artistas, jornalistas, intelectuais? E o Maranhão, parece-me ser o único estado da Federação sem Conselho de Cultura em funcionamento? E os teatros, quase todos fechados ou dirigidos sem nenhuma transparência, sem publicação de editais licitando as respectivas pautas, sem uma gestão compartilhada dos seus usos com artistas e produtores culturais, os diretamente interessados?

Creio ser este o debate que interessa. Só espero que tenhamos todos comedimento e generosidade para enfrentá-lo neste ano eleitoral, independentemente das nossas opções políticas, religiosas, partidárias e ideológicas. Vamos aproveitar o momento para acender a verdadeira fogueira da nossa mais legítima manifestação cultural que é o São João, e apagar a das vaidades. Persistindo os sintomas, chamem o Wladimir!

(*) poeta/compositor

Secretaria Executiva do V Fórum Municipal de Cultura

O ANJO DA GUARDA E A PRIMEIRA REUNIÃO PREPARATÓRIA PARA O

V FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA

por Zema Ribeiro (*)

Ainda me pergunto o por que de quando se necessita cortar gastos em determinada publicação, as primeiras “vítimas” são as páginas do caderno de cultura; assim acontece também com investimentos estatais e privados e, se fôssemos citar mais exemplos, o texto se prenderia a isto, o que não é nossa intenção.

A “cultura”, que não é só “coisa de artistas” – como bem frisa o tema do V Fórum Municipal de Cultura – ainda desperta – e muito – o interesse de pessoas ditas “comuns”.

O Fórum Municipal de Cultura é um espaço democrático e apartidário para a discussão de políticas públicas para a cultura, nunca a dissociando de temas como economia, políticas sociais, comunicação e educação.

A primeira reunião preparatória para este acontecimento ímpar – o V Fórum, que se realizará nos dias 1, 2, 3 e 4 de setembro – serviu-nos como um belo exemplo: durante o último sábado, dia 12 de junho, inúmeros interessados ocuparam as “arquibancadas” do Teatro Itapicuraíba, no Anjo da Guarda para tecer discussões em torno do tema. A repercussão superou as expectativas dos membros da comissão organizadora do evento, representada na ocasião, por Joãozinho Ribeiro (Secretaria Executiva), Itevaldo Jr. e Zema Ribeiro (Assessoria de Imprensa).

As discussões realizadas trataram do coletivo. Os presentes tentavam mostrar que o Anjo da Guarda não pode – nem deve – ser lembrado apenas por ocasião da encenação da Paixão de Cristo; inúmeras outras manifestações culturais “povoam” o bairro. A Lei Municipal de Incentivo à Cultura – ora paralisada – também foi debatida.

Este primeiro encontro foi marcado por belos momentos. As pessoas não se incomodaram em perder o dia dos namorados para discutir um tema como cultura, quase sempre posto em um plano de importância inferior na cesta de necessidades básicas à condição humana. Durante o acontecimento, relatos, trocas de experiências e apresentação da peça “João Boa Morte: Cabra Marcado pra Morrer”, do poeta Ferreira Gullar, com o Grupo Grita.

A segunda reunião preparatória ficou agendada para o dia 26 de junho, em local ainda a ser definido, e a terceira, em 3 de julho, na comunidade de Rio dos Cachorros. Lá, nesta data, estarão acontecendo diversas atividades artísticas. O encontro terá início às 8h e, a exemplo do Anjo da Guarda, deve durar todo o dia, entre as discussões e as atividades culturais.

“A idéia de organizar o fórum maior em prévias reuniões preparatórias é a de descentralizar, até fazendo jus ao tema proposto, que diz que ‘cultura não é só coisa de artistas’”, diz Joãozinho Ribeiro, nome maior do fórum ludovicense, e que o estará representando em Rio Claro-SP, onde acontece entre os dias 17 e 19 de junho, o III Fórum Regional de Políticas Culturais. Esta será a mais importante discussão sobre cultura antes da realização do Fórum Cultural Mundial, que acontecerá em São Paulo entre os dias 26 de junho e 4 de julho.

Críticas, sugestões, dúvidas? Entre em Linha Direta com o Fórum: (98) 9609-8139, 9114-2769 e/ou forummunicipaldecultura@pop.com.br

(*) da Assessoria de Imprensa do Fórum Municipal de Cultura

PREPARANDO O V FÓRUM MUNICIPAL DE CULTURA

Joãozinho Ribeiro (*)

O Fórum Municipal de Cultura é uma articulação apartidária, que visa construir a cidadania cultural no município. O seu objetivo maior é reunir atores para pensar e intervir na cidade, propondo políticas culturais democráticas e valorizando o desenvolvimento humano e solidário. Durante seus oito anos de existência tem promovido trocas de experiências sobre a ação cultural, a democratização da gestão, processos

participativos e proposto políticas de cultura para o município, além de debates sobre os desafios do desenvolvimento e sua relação com a questão cultural. Desta forma, tem possibilitado a discussão das questões nacionais e regionais da cultura sob o ponto de vista local, contribuindo para a construção da esfera pública e democrática da cultura.

O Fórum tem possibilitado a aproximação de agentes culturais públicos e privados, técnicos de governo, artistas, produtores culturais, pesquisadores e professores universitários e especialistas da cultura e serviços voltados para a cultura e o lazer.

Foi por iniciativa do Fórum que dois importantes instrumentos de política cultural transformaram-se em diplomas legais, aprovados pela Câmara de Vereadores de São Luís: A Lei de Incentivo à Cultura (hoje abandonada pela atual gestão municipal) e o Conselho Municipal de Cultura e Patrimônio Histórico (igualmente desativado). Através também do Fórum, quatro grandes encontros culturais foram realizados (1997, 1998, 2000 e 2001) em

São Luís, abordando temáticas relacionadas com a nossa herança cultural e com a gestão pública e democrática da cultura, culminando com um memorável debate entre os candidatos à Prefeitura de São Luís, realizado em 2000, no Teatro Alcione Nazaré, onde, pela primeira vez, expuseram para a população seus Planos de Governo para a Área da Cultura.

Este ano o V Fórum Municipal de Cultura será realizado nos dias 1, 2, 3 e 4 de setembro, tendo como tema principal “Cultura não é só Coisa de Artista!”, devendo ser precedido de vários encontros preparatórios, que devem privilegiar bairros localizados em dez regiões

estratégicas de São Luís, além de articular-se com os movimentos culturais das cidades de Alcântara, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar.

A partida para esta inusitada caravana cultural acontecerá neste sábado, 12 de junho, no Teatro Itapicuraíba, no Bairro do Anjo da Guarda, onde artistas, gestores, produtores e agentes culturais em geral debaterão questões de relevante importância para a construção de uma política decente e democrática para o município de São Luís, Patrimônio da Humanidade.

2004: Ano da Cultura

2004 está sendo considerado o ano dos fóruns culturais. Em âmbito mundial, dois grandes eventos estão mobilizando agentes culturais de todo o planeta: o Fórum das Culturas de Barcelona, com duração de cinco meses (maio a setembro) e o Fórum Cultural Mundial, que

será realizado na cidade de São Paulo, de 26 de junho a 04 de julho. Antecedendo estes eventos, vários outros aconteceram e estão por acontecer.

Exemplificando:

– III Fórum Internacional Arte sem Fronteiras; 31 de março a 02 de abril em SP, que reuniu representantes da América Latina e Europa. Tema: “Diversidade e Direitos Culturais – Cultura e Políticas Públicas para o Desenvolvimento;

– Fórum Brasileiro de Cultura; RJ, dias 19, 20 e 21 de maio. Tema: Diversidade Cultural e

Igualdade Social: promovendo novos valores, novos comportamentos e oportunidades”;

– III Fórum Regional de Políticas Culturais; Rio Claro/SP, de 17 a 19 de junho.

Tema: Cultura é a Mãe!”; (o missivista estará participando deste encontro; grifo do editor)

No período de 12 a 15 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro, artistas, escritores e poetas, agentes e produtores culturais, gestores de governo, redes de

cultura e cidadania de todo o país já haviam se reunido no “Encontro de Cultura das Cidades”, evento associado ao Fórum Cultural Mundial (com participação do missivista; novamente grifo do editor)

O Fórum das Culturas de Barcelona, que tem como foco maior a gestão municipal e local das políticas públicas para a cultura, em sua abertura, teve como principal novidade a aprovação pelo Fórum de Autoridades Locais (Prefeitos, Ministros e Secretários) a Agenda 21 das Cidades para a Cultura.

Acredito que o movimento cultural da Área Itaqui-Bacanga estará dando um precioso exemplo para toda a cidade de São Luís e para todo o Estado do Maranhão, contribuindo, pioneiramente, para uma discussão mais qualificada e democrática das coisas da Cultura, que não interessa somente aos artistas.

Não esqueça: dia 12 de junho, das 9:00 às 18:00, no Teatro Itapicuraíba.

(*) poeta e compositor

Secretaria Executiva do V Fórum Municipal de Cultura