Amor ao mar

Margem. Capa. Reprodução
Margem. Capa. Reprodução

 

Adriana Calcanhotto aparece mergulhada num mar de lixo – plástico, sobretudo garrafas pet – na capa de Margem (2019), disco que encerra sua trilogia “do mar” – iniciada com Maritmo (1998) e continuada em Maré (2008).

O disco dialoga com os demais dedicados ao mar – que comparece a sete das nove faixas –, entre ondas de amor, compositores de sua predileção e repertório autoral, escoltada por banda base formada por Rafael Rocha (bateria, percussão e bases eletrônicas), Bruno di Lullo (contrabaixo e synth) e Bem Gil (guitarra, guitarra acústica, violão, tres cubano, flauta).

Os ilhéus (Antonio Cicero e Zé Miguel Wisnik) provoca uma reflexão sobre certa desesperança com o futuro que paira no Brasil que devasta a Amazônia impunemente: “uma onda pode vir do céu/ imponderável como as nuvens/ e cair no dia feito um véu/ ou a tampa de um ataúde/ e nada impede que se afundem/ neo-Atlântidas e arranha-céus/ ou que nossas cidades-luzes/ submersas se tornem mausoléus”, diz a letra.

Dessa vez (Adriana Calcanhotto) e Era pra ser (Adriana Calcanhotto) têm ecos do conterrâneo Lupicínio Rodrigues, a cujo repertório a cantora dedicou Loucura (2015).

Um dos destaques do álbum, Tua (Adriana Calcanhotto) é séria candidata a hit radiofônico, algo corriqueiro para a gaúcha, desde que lançou Enguiço (1990) e ganhou os dials brasileiros com Naquela estação (Caetano Veloso/ João Donato/ Ronaldo Bastos). A música passeia por referências e autorreferências: os versos “dentro da noite voraz” e “dentro da noite feroz” ecoam o Dentro da noite veloz de Ferreira Gullar, tornado verso de Vambora, faixa de Maritmo. O “breu das noites brancas de hotel” ecoa o Caetano Veloso de Noite de hotel. “Dentro da noite fulgás” lembra a parceria dos irmãos Marina Lima e Antonio Cicero. A faixa tem reforço da guitarra portuguesa de Ricardo Parreira e do flugel e trompete de Diogo Gomes.

Ogunté (Adriana Calcanhotto) dialoga com o candomblé, homenageando o orixá-título e Iemanjá/Odoyá, denunciando os flagelos da migração, da ostentação e do consumo desenfreado (de petróleo, mas não só). O funk Meu bonde (Adriana Calcanhotto) encerra o disco dialogando diretamente com Remix século XX (Adriana Calcanhotto), faixa de Público (2000), e Pista de dança (Adriana Calcanhotto e Wally Salomão), faixa de Maritmo.

Serviço

Reprodução
Reprodução

Adriana Calcanhotto apresenta o show Margem em São Luís neste sábado (7), às 21h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Os ingressos custam entre R$ 80,00 e R$ 160,00, à venda na bilheteria do teatro e no site Ingresso Digital. A produção é de Moraes Jr.

*

Ouça Margem:

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

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