Artesania poética

Celso Borges na Virada Cultural em São Paulo. A camisa tem estampa de Cláudio Lima. Foto: Fernanda Castello Branco

De Celso Borges já disse o poeta Marcelo Montenegro: “faz os livros mais bonitos que já vi”. O paulista não exagera: para além da beleza dos poemas, cada objeto-livro que lança é único, a começar pela trilogia de livros-cds que lançou entre 2000 e 2010: XXI, Música e Belle Epoque.

Mal lançou a segunda edição de O futuro tem o coração antigo [Pitomba!, 2019], o maranhense já inventa outro artesanato: a caixinha Carimbocarinho [Ed. do autor, 2019], em que os 15 poemas, curtos, minutos, haicais, chistes, são acondicionados em uma caixinha e carimbados página a página.

“No meio do caminho tinha um carimbocarinho”, brinca com o Drummond num dos poemas do volume. “Tambor batendo/ tambor/ fazendo meu/ coração/ tambor tremendo”, diz outro, em possível diálogo com a Balada do amor em chamas, parceria gravada por Zeca Baleiro em O amor no caos – volume 1, recém-lançado novo disco do cantor e compositor. “Com esse sol maior que se acendeu/ um tambor dentro de mim bateu/ e o desejo de viver em mim aflora”, diz a letra.

Uma das páginas de Carimbocarinho. Reprodução

Os poemas de Celso Borges são emoldurados pelo projeto gráfico e ilustrações de Cláudio Lima, numa espécie de publicidade afetiva: é como se ele traduzisse em ícones o conteúdo dos poemas.

“Cláudio além de ser um grande cantor, é um grande parceiro, um grande amigo, uma pessoa que percebe algumas coisas da forma como eu percebo. Tem uma delicadeza. A gente tem uma cumplicidade musical e a começamos a trabalhar juntos no livro-cd Música, de 2006, ele fez um projeto gráfico lindo, naquela época. Ele gravou algumas canções minhas, Boi da tarja preta, parceria com Alê Muniz, e São Luís, baseada naquela abertura do [programa de rádio] Reggae Point [Shaperville, de Michael Rilley], e faz uns projetos gráficos fantásticos. Ele tem uma facilidade muito grande em pegar tua ideia, teu verso, teu conceito poético e transformar aquilo numa coisa gráfica, desde a escolha da fonte. Ele tem o olhar muito cuidadoso, tem a velocidade dele, fica amadurecendo na cabeça aquelas ideias, ouve muito o que a gente fala, eu também o escuto muito. Estou tendo a felicidade de fazer esse projeto com ele, já fiz O muro, já fiz Ponta d’Areia é Ponta d’Areia, vamos fazer agora O drible, sobre o Garrincha, com ilustrações de Fernando Mendonça, vamos fazer o lançamento em breve também. É um parceirão e se identifica muito com essa série da poética afetiva. Até o final do ano lançaremos outras coisas e outras parcerias virão”, declarou o poeta sobre a parceria.

Celso Borges atualmente prepara um livro em que conta a história por trás de mais de 100 composições musicais que têm a capital maranhense como tema ou paisagem. Enquanto este livro de maior fôlego não fica pronto, diverte-se fazendo livrinhos artesanais, de tiragens pequenas, exercitando o ofício de poeta e enveredando pelo de contista – caso do citado O muro, em que conta a resistência da mãe diante da violência urbana e da insistência dos filhos em subir um muro ao redor de sua casa e, em nome da segurança, perder a visão do bairro e da vizinhança. Um ato de rebeldia. E poesia.

Serviço

A noite de autógrafos de Carimbocarinho acontece sábado (1º. de junho), às 17h, no Café Guará/ Chico Discos (Rua de São João, 289-A, esquina com Afogados, Centro).

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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