Concerto de orquestras de violões abriu encontro em São Luís, ontem

Foto: Zema Ribeiro

 

Um bom público compareceu na noite do feriado de ontem (1º.) ao Teatro Arthur Azevedo para prestigiar o concerto de abertura do I Encontro Interinstitucional de Violões – cujas atividades já aconteciam desde a manhã, no Convento das Mercês. O espetáculo teve entrada franca.

Além de concertos, a programação inclui oficinas, workshops, masterclasses, palestras e curso de regência, numa realização da Orquestra de Violões da Uema-Emem, em parceria com instituições como a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo (Emem), Convento das Mercês, Teatro Arthur Azevedo, Escola de Música Municipal Maestro Nonato (de São José de Ribamar) e Orquestra Maranhense de Violões, além do apoio do Grand São Luís Hotel e do Restaurante Flor de Vinagreira.

O professor Roberto Fróes, que regeu a Orquestra de Violões da Uema-Emem, a segunda a se apresentar na noite de ontem, ressaltou a importância do encontro – São Luís não realizava um do tipo há pelo menos sete anos –, da valorização do instrumento e do destaque alcançado pelo violão na identidade musical nacional.

Os concertos – impossível falar no singular – de ontem foram oportunidades de ouvir um repertório quase sempre restrito às escolas de música ou para iniciados. O interesse do público presente demonstra que a plateia gosta do que é oferecido, para se jogar lenha na fogueira daquele velho debate sobre o porquê de a mídia insistir em oferecer apenas o que em tese é mais palatável.

Regida por Domingos Nélio Soares, a Orquestra Maranhense de Violões apresentou as seguintes peças: Camiño de Felanitx, Dança andaluza (ambas de Eythor Torlakson) e Em la playa (folclórica espanhola). Fechando sua apresentação foram de Bela mocidade (Francisco Naiva e Donato Alves), clássico do Bumba-meu-boi de Axixá, quando duas violonistas do grupo trocaram seus violões por ukulele e chocalho. O público cantarolou junto, numa demonstração de que erudito e popular podem ocupar o mesmo espaço. O grupo é formado por Alessandro Freitas, Kevin Wesley, Linda Yang, Mariana Morgana, Admary dos Santos, Carlos Felipe e Luana Gomes.

Na sequência foi a vez da Orquestra de Violões da Uema-Emem, formada por Tiago Fernandes, Uriel Ewerton, Davi Farias, João Marcos Costa, Gabriel Veras e Emanoel Gomes. Roberto Fróes, que cumpriu bem o ofício de mestre de cerimônias, com a dose certa de bom humor, dança enquanto rege, talvez a celebrar o sucesso do evento – merecida comemoração.

O grupo executou Brumas (da Suíte modal), de Paulo Porto Alegre, Schafe können sicher weiden, apresentada pelo regente pela tradução, As ovelhas podem pastar em segurança, de Johann Sebastian Bach, e três movimentos (dos seis da peça) de Variações sobre um tema de Brouwer: Tema, Dança e Final. O cubano Leo Brouwer é desde sempre uma das maiores referências contemporâneas em composição para violão e as peças executadas exploram diversas possibilidades do instrumento.

Bruno Cipriano solou uma máquina de escrever num dos momentos mais inusitados do concerto – dos concertos: A máquina de escrever, de Leo Wilczek. A plateia riu, em estado de graça. O grupo encerrou sua apresentação executando um arranjo inédito de João Pedro Borges para Boi da lua, de Cesar Teixeira, ao lado de Bela mocidade um dos maiores clássicos do período junino do Maranhão. Roberto Fróes contou uma curiosidade: integrava uma camerata com Domingos Nélio entre o fim da década de 1990 e início dos anos 2000, quando receberam o presente de Sinhô, à época seu professor, mas o grupo acabou antes e o arranjo permaneceu inédito até ontem.

As duas orquestras voltaram juntas ao palco, sob regência da professora Verónica Pascucci, “uma das responsáveis pela existência do curso de música da Ufma”, como destacou Fróes. Tendo por solista Davi Farias e contando com a participação especial de Joaquim Santos (contínuo), “uma referência nacional em se tratando de violão”, como também salientou Fróes, os grupos executaram o Concerto em D (RV 93), uma das peças mais conhecidas de Antonio Vivaldi.

A programação do I Encontro Interinstitucional de Violões segue até sábado (4), no Convento das Mercês, com as presenças de Alessandro Freitas, Cristiano Braga, Domingos Santos, Endro Fadell, João Pedro Borges, Joaquim Santos, Júnior Maranhão, Marcelo Moreira, Orlando Fraga, Roberto Fróes (coordenador do encontro) e Verónica Pascucci.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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