Ainda queima a esperança

A lona do circo da Turma do Biribinha. Foto: Zema Ribeiro

 

Termina amanhã (17) em São Luís a programação do Sesc Circo.

Na programação do Palco Giratório, que antecedeu o Sesc Circo, vi um espetáculo, quinta-feira passada (12), intitulado Magia. Era da Companhia Teatral Turma do Biribinha, de Alagoas, e unia, com simplicidade e competência, os ambientes mágicos do circo e do cinema.

Teófanes Antônio Leite da Silveira, o palhaço Biribinha, completa 60 anos de carreira em 2018. Em Magia, convida pessoas da plateia a interagir com ele no palco, longe de qualquer possibilidade de constrangimento – não faltaram, aliás, candidatos, sob a lona absolutamente lotada.

O espetáculo é um conjunto de esquetes que homenageiam do Gene Kelly de Cantando na chuva ao Charlie Chaplin de tantos clássicos do cinema mudo, passando também pelo universo do faroeste, entre outros.

Diversão e risos garantidos, além de uma viagem à infância e ao universo lúdico do picadeiro, de que o palhaço é senhor absoluto, ainda mais no caso de Biribinha de Arapiraca.

Com classificação indicativa livre, havia muitas crianças na plateia, mas criança não anda só. A determinada altura, enquanto agradecia os que participavam de um esquete e recrutava outros para o próximo, disse a um jovem que deixava o palco: “desça! E leve o Temer junto!”, para gargalhada geral.

Há quem ache que arte e política não se misturam e este que vos perturba mesmo chegou a ver quem tentasse censurar os poetas Celso Borges e Fernando Abreu pela Noite Lula Livre, que realizaram na quinta anterior (5), no Chico Discos, vendendo pôsteres com poemas de sua autoria aludindo ao sequestro político do líder das intenções de voto em qualquer pesquisa eleitoral – ambos estão no livro Lula Livre, que sai este mês, organizado por Ademir Assunção e Marcelino Freire, com entre outros, Aldir Blanc, Augusto de Campos, Caco Galhardo, Carlos Rennó, Chico César, Frei Betto, Juvenal Pereira, Laerte e Xico Sá.

Há quem pense que tergiverso e mude de assunto. Não. A Turma do Biribinha e a palavra que dá título a seu espetáculo tiveram mesmo a capacidade de encher de esperança (roubei o título de um antigo sucesso de Raul Seixas na voz de Diana) os ludovicenses que (ainda) creem na arte e na política – juntas ou separadas: durante o tempo em que estiveram na cidade, armaram literalmente um circo (onde Magia foi apresentado) ao lado do Terminal de Integração da Praia Grande, relembrando o saudoso Circo Cultural Nelson Brito, o Circo da Cidade, para os íntimos, retirado da população no fim do mandato do ex-prefeito João Castelo (1937-2016) e nunca devolvido.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

2 comentários em “Ainda queima a esperança”

  1. Fui prestigiar no primeiros dias. E depois fomos gravar. Sempre mágico o circo. Bravos ao Sesc. Ao palhaço Biribinha. A trupe de atores locais. A você pelo valor das criticas .

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