O Divino e o guia

O Divino em mim. Frame. Reprodução
O Divino em mim. Frame. Reprodução

 

Vinicius Maciel é literalmente o guia de O Divino em mim [documentário, Brasil, 2018, 30 minutos]. Guia de turismo em Alcântara, o jovem chama a atenção pela enorme barba e grandes alargadores que usa nas duas orelhas – além do sorriso cativante, que ele mesmo destaca, longe de imodesto, em uma de suas falas.

É ele que a câmera de Luiza FC – que assina direção, roteiro, câmera e edição do documentário – segue ao longo de meia hora de filme, com depoimentos de outros personagens importantes da Festa do Divino de Alcântara, a mais tradicional e possivelmente a mais longeva do Brasil, como a bandeirinha Andressa, o coordenador Seu Moacyr, as caixeiras Marlene e Romana, entre outros.

Vinicius é narrador, mas o protagonista é o Divino Espírito Santo, a festa a ele devotada, exercício de fé em catolicismo popular que une sacro e profano.

Distante pouco mais de 22 quilômetros de São Luís, o município de Alcântara é cinematográfico e sobrenatural, o que por si só já garante belas imagens. Luiza FC opta pelo percurso que faz a maioria absoluta dos turistas que vai até o município: de barco, a partir do cais da Praia Grande, em São Luís, atravessando a Baía de São Marcos, em uma viagem de cerca de uma hora. Já durante a travessia Vinicius começa a falar de sua relação com o município e com a festa.

É um filme que abarca a importância dos festejos para a população local, para o turismo de Alcântara, da preservação da tradição e, de modo divertido, as relações desta com o dia a dia do lugar: os papéis de cada homem e mulher na sua realização – a Festa do Divino tem lugar certo no calendário religioso, mas mobiliza tarefas durante todo o ano – e o bom humor de quem a faz, entre doses de licor, cachaça e conhaque, doces de espécie (iguaria típica do lugar) e uma bandinha de metais e percussão tocando músicas religiosas e sambas e marchinhas como Trem das onze (Adoniran Barbosa) e O teu cabelo não nega (José Victor Valença, José Raul Valença e Lamartine Babo). Nunca é demais lembrar que é desse híbrido de sagrado e profano que surge a Dança do Cacuriá, cuja base rítmica é alicerçada nas caixas do Divino.

O documentário foi realizado pela maranhense Luiza FC como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da USP. Sábado passado (28), às vésperas do início de mais uma Festa do Divino, o filme foi exibido em Alcântara, no Café com Arte (Rua Grande, 76, próximo à Casa do Divino). Hoje (30), às 18h, O Divino em mim será exibido no Laborarte (Rua Jansen Müller, 42, Centro), com entrada franca.

As sessões do filme integram a Mostra Divino Tambor, junto com o documentário Coreiras, da documentarista também maranhense Júlia Antunes, com apoio da Unesp. Semana que vem os filmes terão exibições no Rio de Janeiro (serviço na imagem abaixo).

Divulgação

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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