Re-Fellini

Ao descobrir o cinema de Fellini, Lucy tenta se corresponder com o ídolo. Frame. Reprodução

 

Federico Fellini (1920-1993) é como sarapatel: ou se ama ou se odeia.

Em busca de Fellini [In search of Fellini; EUA, drama/romance, 93 min; exibido esta semana no Cine Lume, Edifício Office Tower, Renascença] é uma linda homenagem ao cinema do italiano, autor de obras-primas como 8 ½, A doce vida, Amarcord, A estrada da vida e Noites de Cabíria, entre muitos outros – e por extensão, a música de David Campbell uma bela homenagem a Nino Rota, colaborador constante do homenageado.

O filme se passa em 1993, ano da morte de Fellini, e acompanha a viagem da americana Lucy Cunningham (Ksenia Solo) até a Itália, após descobrir o cinema felliniano e apaixonar-se pelo cineasta em um festival chamado Tutto Fellini – título de uma exposição ocorrida no Brasil em 2012 no IMS/RJ e Sesc Pinheiros.

Reverente, o filme não deixa de tirar onda: Claire (Maria Bello) e Kerri (Mary Lynn Rajskub), mãe e tia de Lucy, respectivamente, repetem o que comumente se ouve de quem não compreende o universo onírico de Fellini: “quem vê isso?”, perguntam-se, referindo-se aos filmes do diretor, tidos como “confusos”. É hilariante a cena em que uma diz: “essa é a parte que eu mais gosto”, enquanto a outra responde: “mas você ainda não viu isso”, e ouve de volta: “me refiro a ter chegado ao final”.

O filme de Taron Lexton é hábil ao entremear a obra de Fellini na jornada de Lucy, enquanto sua mãe definha, vítima de um câncer. “A vida é isso: seguir seus próprios sonhos”, diz um personagem a determinada altura. Mais felliniano impossível.

Aos 20 anos, Lucy deixa a bolha em que vivia, sob os cuidados da mãe superprotetora, para viver uma aventura idílica, recheada de atrasos, desencontros, fugas, perigos, paixões, fantasia e poesia.

“O visionário é o único realista”, nos ensina Fellini, em frase citada mais de uma vez em Em busca de Fellini. Mais do que nunca, nos tempos sombrios em que vivemos, o cineasta tem razão.

Para ver e se embriagar.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s