Alegria na contramão

Herih. Capa. Reprodução

 

Há força, frescor e originalidade na música de Heriverto Nunes, que agora assina simplesmente Herih – “estou em busca de mais leveza”, afirmou em entrevista a este resenhista e Gisa Franco, no Balaio Cultural de sábado passado (10), na Rádio Timbira AM (1290KHz), programa que apresentamos semanalmente ao meio dia.

Herih tem os dois pés fincados no terreiro, que remete à sua infância, embora sua obra não se limite ao rico universo da mãe África e das religiões de matriz africana – a Herih, o disco, comparecem, por exemplo, o samba (a autoral Só me lembra você (Samba de esquecer) e Bermuda, parceria com Lauande Aires) e o bolero (Do nada o amor, com Tiago Máci).

Herih, o disco, é uma espécie de antologia, dividia em quatro partes: Unplugged, com 10 faixas em que é acompanhado apenas do violão e guitarra de João Simas (que assina arranjos e produção); Olha Pemba, título de seu EP anterior (cujas cinco faixas aparecem aqui na íntegra), com direção musical e violão de João Eudes; Tambor de Mina, com pontos autorais (Nossa Senhora das Graças, Pedra preta, Arranca toco, Marinheiro e Cabocla braba) e de familiares, creditados como Tio Cristiano (Banzeiro do mar e Vovô Artur), Vovó Alenice (Princesa Maria) e Tia Dalvina (Preto velho do Ariri). Nestas nove faixas (gravadas ao vivo, com som captado por Beto Ehongue), o artista conta com a percussão de Mestre Eliezer e Banda Ajayô, além dos vocais de Camila Boueri, Milla Camões e Tássia Campos (o Trio 1, 2, 3, que dia 23 lança EP nas plataformas digitais), além de Mirna Voz. “Amigo é pra essas coisas. Botei as amigas pra cantar uma macumbinha”, agradeceu faceiro, na mesma entrevista.

Completam o rol de 27 faixas os bônus Pra sereia (Banco de areia) (Herih) e Pomba gira cigana, esta adaptada por Herih, incluindo um remix pelo dj Marcone Cutrim.

Na mesma entrevista, ele lembrou-se de um episódio de preconceito, sofrido ao apresentar uma música, por whatsapp, a um interlocutor não identificado que reagiu com um “Deus me livre”, “cruz credo” ou coisa que o valha. Era Seu tranca rua, música de sua autoria, que abre Herih, o disco que lança em show nesta quinta-feira (15), às 19h, no Buriteco Café (Rua Portugal, Praia Grande), com participações especiais de Milla Camões, Tiago Máci, Alex Ferr e Mestre Eliezer – o couvert artístico custa R$ 15,00.

Em tempos de preconceito, ódio e intolerância, a voz, a ginga e as criações de Herih se insurgem contra este triste estado de coisas. Ele personifica o espírito do brasileiro, que não deixa de fazer festa mesmo quando tudo parece conspirar contra.

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Veja o clipe de Olha Pemba (adaptação de Herih):

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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