Legado beatle

How the Beatles changed the world. Frame. Reprodução

 

O fim dos Beatles caminha para meio século e a banda segue das mais – se não a mais – influentes no planeta em todos os tempos. Provas disso são suas músicas continuarem sendo regravadas ao redor do mundo e qualquer coisa que leve seu nome/marca vender como água (o que começou a acontecer ainda enquanto estavam juntos), sejam edições remasterizadas de seus discos de carreira, gravações inéditas ou raras ou até mesmo brinquedos.

Nada mau para um grupo cuja união durou menos de uma década.

Ao longo deste tempo os Beatles operaram algumas revoluções no fazer artístico, elevando a música pop à categoria de obra de arte. John Lennon, Paul McCarney, George Harrison e Ringo Star foram, sem dúvida, dos artistas mais documentados em todos os tempos. Em meio ao turbilhão, difícil um filme, uma reportagem, ou o que quer que seja, dizer algo novo sobre os fab four.

Não parece ser a intenção de How the Beatles changed the world [EUA, Inglaterra, 2017; disponível na Netflix], documentário de Tom O’Dell, que localiza a importância do fenômeno Beatles para a compreensão da década de 1960 e de tudo o que viria depois, em termos de música, cultura e comportamento – mesmo Rolling Stones, quase sempre apontados como rivais dos Beatles, num Fla x Flu musical sem sentido, The Doors e Beach Boys, para citar (apenas) outras bandas surgidas na mesma década, aconteceram a reboque do protagonismo beatle.

Através de entrevistas com críticos de música, pessoas próximas ao quarteto de Liverpool e trechos de entrevistas dos próprios Beatles, O’Dell aponta-os como precursores em se tratando da relação música e lisergia, de aproveitar ao máximo o que os estúdios oferecem (as limitações técnicas eram enormes nos anos 1960, sabemos) e no componente político: em visita aos Estados Unidos os Beatles foram pioneiros em abordar assuntos espinhosos à época, como a guerra do Vietnã, além de tirar onda com a própria rainha da Inglaterra.

A cena é conhecida, mas nos faz rir novamente: a um auditório lotado, Lennon manda: “para o próximo número precisamos da ajuda de vocês. As pessoas nos assentos mais baratos batam palmas; as demais, basta chacoalhar suas joias”. Close numa constrangida rainha da Inglaterra, volta a imagem a um John qual criança pego em travessura.

Outras revoluções beatle: a transmissão em cadeia mundial de tevê de All you need is love (com Mick Jagger e outros famosos na plateia), o fim das aparições públicas enquanto banda (quantas, hoje, não vivem de separar e juntar de acordo com as necessidades, sobretudo financeiras), as guinadas artísticas em discos fundamentais como Rubber soul, Revolver e Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, além dos primeiros solo de John Lennon (uma trilogia com Yoko Ono, sua segunda esposa) e Paul McCartney – se hoje são corriqueiros discos solo de integrantes de bandas, nisso os Beatles também foram pioneiros, como haviam sido, no começo da carreira, ao decidirem gravar material autoral (o que não era padrão na época).

Recentemente Quincy Jones deu uma entrevista afirmando que os Beatles eram os piores músicos do mundo. Lembrou o Lobão da época em que vivia falando mal de Caetano e Gil. Ver How the Beatles changed the world lembrou-me o Oscar Wilde de A alma do homem sob o socialismo: “não é a obra de arte que tem que aspirar a se tornar popular; o povo é que tem que se tornar artístico”. Sob a égide do “mas é isso o que o povo gosta”, muitos artistas acomodam-se e ofertam mais do mesmo (ou menos do mesmo, se a ideia é facilitar); com os Beatles era diferente.

How the Beatles changed the world pode não trazer novidades, sobretudo aos beatlemaníacos mais ferrenhos; mas localiza o legado beatle num contexto de profunda transformação da cena pop no mundo. Para sempre.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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