Show da Eddie coroou o já consagrado BR 135

Foto: Zema Ribeiro

 

Com 30 anos de estrada, a Eddie é menos conhecida – mas não menos importante – que seus pares de manguebit, principalmente Nação Zumbi e mundo livre s/a. Mas os meninos de Olinda já estavam na área quando o boom se deu e seguem firmes, fortes e tendo o que dizer.

No camarim, após o show da banda ontem (2), na última noite de Festival BR 135, Fábio Trummer me contou que o grupo foi convidado a gravar o disco de estreia no mesmo período em que Chico Science o fez. “Vamos lá! A gente só vai acontecer se for em bando”, vaticinava o malungo. A Eddie, com sua sabedoria, recusou: “Chico, nós ainda não estamos preparados para isso”.

Só estreariam em disco em 1998, com o ótimo Sonic Mambo. Nação Zumbi e mundo livre s/a já tinham dois discos cada uma e o vocalista da primeira já havia falecido em um trágico acidente automobilístico no carnaval do ano anterior. A pressa é inimiga da perfeição e o segundo disco só sairia em 2002, Original Olinda Style, título que bem cabe de rótulo ao som da banda, que mistura punk, rock, maracatu, ciranda, frevo, surf music e outros carnavais. Sobre este disco, uma curiosidade: a grana dos direitos autorais pela gravação de Quando a maré encher (Fábio Trummer/ Roger Man/ Bernardo Chopinho) por Cássia Eller, em seu Acústico MTV (2001), ajudou enormemente em sua feitura. A música, aliás, foi um dos pontos altos – e não foram poucos – do show vibrante de ontem, um passeio por todas as fases destes 30 anos de carreira – quase 20, se contarmos a partir do debut discográfico.

Fábio Trummer (guitarra e voz), Alexandre Urêa (percussão e voz), Andret Oliveira (trompete, teclados e samplers), Rob Meira (contrabaixo) e Kiko Meira (bateria) botaram o público para cantar, dançar e aplaudir. De Quebrou, saiu e foi ser só (de Morte e Vida, o disco mais recente, de 2015) a Veraneio (que batiza o disco de 2011), passando por Danada (de Metropolitano, de 2006), Desequilíbrio (de Carnaval no Inferno, de 2008), Sentado na beira do rio e Pode me chamar (ambas de Original Olinda Style).

Quando um fã mais afoito gritou pedindo por O Baile Betinha, Urêa retrucou, bem humorado: “você já quer acabar o show, rapaz?”. Fazia calor, Trummer deu mais um gole na long neck e agradeceu à polícia: “pelo expediente eles já podiam ter ido embora, mas ainda estão aí para garantir a segurança de todo mundo”. A programação da noite estava atrasada e ao se despedirem, lamentou, para desespero do ótimo público presente: “ainda tínhamos umas seis ou sete músicas”. Atenderam aquele pedido e não voltaram para o bis.

Em uma rede social da banda, um comunicado postado por volta de meio dia de hoje (3) anuncia a remarcação de um show em Londrina/PR para o ano que vem, em virtude de não terem conseguido “logística em tempo hábil para sair de São Luís”. O BR 135 marcou, então, o encerramento desta turnê da Eddie – não poderia haver coroamento mais adequado para ambos. Este mês a Eddie disponibilizará outro single do disco novo, a ser lançado em 2018.

Pessoalmente, Fábio Trummer é ainda mais simpático. Em seu braço esquerdo cheio de tatuagens, mostro a ela a mosca que dá nome à banda, que compareceu ao encarte do primeiro disco. Aos 47, ele entra de férias para curtir outra estreia: esperar a chegada de seu primeiro filho.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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