Brilha um Estrela

Foto: Zema Ribeiro

 

Lucas é Estrela desde o sobrenome. O guitarrista paraense colocou a multidão para dançar e aplaudir, ontem (25), na Praça Nauro Machado (Praia Grande), na programação do Festival BR 135 Instrumental.

É bastante jovem, pouco mais de 20 anos, mas toca como se tivesse mais tempo de experiência que de idade. Tem pose de rock star, mas é generoso: não quer o palco só pra si. O grupo que lhe acompanha, um percussionista, um tecladista e uma guitarrista que também toca banjo, se reveza na função de band leader. Todos falam, interagem com o público.

Lucas Estrela brilha e isto não é um trocadilho barato. Para além da música, o que por si só bastaria, usa uma camisa com paetês e um sapato lustradíssimo, parece que acabou de sair do engraxate, realçam-lhe o brilho.

É um homem bonito, com cabelos compridos inicialmente presos, mas que depois ele solta, balançando ao ritmo do que toca: siriá, tecnobrega, guitarrada, tecnoguitarrada, lambada. Nunca ouvi um brega de churrascaria tocado com tanta sofisticação. A sonoridade do quarteto faz o público parecer um enorme grupo de figurantes em cena de festa em filme de cineasta pernambucano com trilha sonora de DJ Dolores.

O Pará é tradicionalmente um celeiro de bons guitarristas. Lucas Estrela perpetua a tradição sendo moderno, ousado. Ano passado lançou Sal ou Moscou, seu disco de estreia. O primeiro a me falar dele foi o jornalistamigo Jotabê Medeiros, que assistiu a seu show no Se Rasgum em 2016, entrevistou-o e publicou uma matéria na CartaCapital. Quando comentei há poucos dias que o veria no Festival BR 135, o crítico musical mandou: “o garoto arrebenta”. De fato.

Ao fazer os agradecimentos, Lucas Estrela disse ter parentes no Maranhão, “metade da família no Pará, metade aqui em São Luís”. Várias pessoas na fila do gargarejo responderam ao cumprimento. Depois o artista desceu para o meio da multidão, empunhando sua guitarra, dançando e engrossando o coro de “Fora, Temer!”.

Ao anunciar o fim do show, Lucas Estrela ouviu de um ou outro tirador de onda mais exaltado: “toca Raul!” e “Calypso!”. Quando voltou para o bis, mandou: “vamos fazer mais uma. Não, vamos fazer logo mais duas” e seguiu com seu repertório autoral e dançante, cúmplice do público em êxtase do início ao fim.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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