Frederico felliniano-edipiano

O signo das tetas. Frame. Reprodução

 

Recentemente o cineasta e empresário Frederico Machado arrendou o Cine Lume. Nos próximos anos irá se dedicar a vários projetos de sua primeira faceta. Ontem (27), o filho de Nauro e Arlete, em sessão aberta e gratuita, recebeu amigos e sua equipe para a exibição de O signo das tetas [Brasil, 2015, 68 min.], lançado em dvd após trajetória vitoriosa em festivais.

Após a sessão, depoimentos sinceros e emocionados do diretor e de sua equipe, entre os quais destaco os atores Lauande Aires, Rosa Ewerton e Maria Ethel, os três oriundos do teatro, mas que desempenharam muito bem seus papéis – literalmente – na telona, em suas primeiras experiências com a sétima arte.

Frederico Machado já tem garantido seu lugar entre os grandes artistas do Maranhão, desde seu curta-metragem de estreia, Litania da velha, baseado no livro-poema homônimo de sua mãe, a poeta Arlete Nogueira da Cruz. Não à toa citei-a, e ao pai de Fred, o saudoso poeta Nauro Machado, no primeiro parágrafo – ele, homenageado pelo filho no curta Infernos, aparece em O signo das tetas.

A intenção não é diminui-lo ou rotulá-lo, mas entender como fundamental a presença dos pais para a vida e obra de Frederico Machado. Antes de road movie, como dizem alguns críticos, O signo das tetas é uma permanente busca felliniana-edipiana, no que reside, obviamente, algo de autobiográfico – embora isto, também obviamente, não explique tudo, seria muito fácil.

Ninguém é filho de Nauro e Arlete impunemente e com essa carga ele vem se tornando um dos mais importantes realizadores do Brasil em se tratando de cinema autoral – afora outras aprontações que lhe consomem tempo, juízo (e dinheiro), como a locadora Backbeat e a distribuidora e produtora Lume Filmes – pela qual é lançado o dvd de O signo das tetas.

Há violência e doçura, num filme cuja ótima trilha sonora vai de Franz Schubert e Flo Menezes (que executa àquele e temas originais, compostos para o filme) a Pablo do Arrocha.

Há também momentos hilariantes. Como a cena em que o protagonista, vivido por Lauande Aires, pedala sua bicicleta por uma estrada de chão, a sola do sapato descolada, lembrando o carteiro de Carrossel da esperança, de Jacques Tati – o piano emoldurando a cena lembrando o Nino Rota que trilhava Fellini.

É a busca de um reencontro com o passado, que não se completa, aquele tipo de filme que ao final deixa o espectador imaginando o que aconteceria acaso continuasse, convidando-o a imaginar um roteiro particular. Não é óbvio, nem fácil.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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