“A reforma trabalhista de Temer é o ouro de tolo do momento”

Foto: Moisés Profeta

 

Acontece amanhã (19), às 21h, na Praça dos Catraieiros (Praia Grande), de graça, mais uma edição do tradicional Tributo a Raul Seixas, show que Wilson Zara apresenta desde 1992 – a primeira edição, realizada ainda em Imperatriz, onde morava o ex-bancário, foi intitulada A hora do trem passar, nome de uma das faixas de Krig-ha, bandolo!, clássico da discografia do roqueiro, de 1973.

É o primeiro disco solo de Raul Seixas, lançado no auge da repressão militar no Brasil, então governado pelo general Médici. O baiano acabou exilado, retornando ao Brasil no ano seguinte, com o estrondoso sucesso Gita (1974).

Clássico do solo inicial, Ouro de tolo é lembrada diante do momento político turbulento por que passa o Brasil, sob novo golpe desde o ano passado. “A reforma trabalhista de Temer é o ouro de tolo do momento”, diz o material de divulgação do show de Zara, prevendo gritos ecoando a hashtag mais usada nas redes sociais desde março de 2016: fora, Temer!

Zara (voz e violão) será acompanhado por Mauro Izzy (contrabaixo), Marjone (bateria) e Moisés Profeta (guitarra e efeitos; é dele o clique do frontman que abre e ilustra este post). No cartaz surgem os nomes de diversos sindicatos locais, a demonstrar o quão antenado era Raul Seixas e o quanto seguem vivas sua música e filosofia.

“Quando eu compus, fiz Ouro de tolo/ uns imbecis me chamaram de profeta do apocalipse/ mas eles só vão entender o que eu falei no esperado dia do eclipse”, dispara em As aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor (1974), um recado direto aos milicos que o exilaram.

Os tempos igualmente sombrios são outros e Raul Seixas, falecido 21 de agosto de 1989 – a data do tributo é sempre próxima –, é um dos que fazem falta para traduzir artisticamente este triste estado de coisas. Como Belchior, Cazuza e Sérgio Sampaio, para ficarmos em uns poucos exemplos de artistas proféticos a seu modo.

Diversão garantida no palco e na plateia, no Tributo a Raul Seixas, Zara e banda repassam boa parte do repertório do Maluco beleza. Nem precisa gritar “toca Raul!”.

E se é “fora, Temer!” o que o povo quer, fiquem com mais esta profecia do homenageado (de Rockixe, de 1973): “o que eu quero eu vou conseguir/ pois quando eu quero, todos querem/ quando eu quero todo mundo pede mais/ e pede bis”.

Divulgação

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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