Otimismo e (re)aproximações

Sinais do sim. Capa. Reprodução

 

Sinais do sim [Universal, 2017], novo disco dOs Paralamas do Sucesso, encerra nove anos de espera dos fãs desde o último álbum de inéditas do grupo, Hoje (2009). Em 35 anos de carreira, o trio sempre se equilibrou entre temas pessoais e sociais, e este novo trabalho, otimista em tempos sombrios, segue essa linha, sem no entanto soar mais do mesmo.

Otimismo aqui não significa alienação. Medo do medo (João Ruas/ Capicua) toca o dedo em feridas contemporâneas: “é muito lucrativo/ que o mundo tenha medo/ medo da gripe/ são mais uns medicamentos/ vêm outros vírus/ reforçar os dividendos/ medo da crise e do crime”. A música, que tem a maior letra do disco, é de 2007 e é uma primeira (re)aproximação – no caso, com o rap e com Portugal – em um disco feito delas.

O trio em foto de Mauricio Valladares

Os Paralamas do Sucesso reaproximam-se da Nação Zumbi, com quem dividiram turnê pela Europa com Chico Science ainda à frente dos mangueboys. O disco tem participação especial de Pupillo (percussão em Contraste, assinada pelo trio) e produção do mago Mário Caldato Jr., que produziu Fome de tudo, da Nação Zumbi, em 2007, entre inúmeros outros trabalhos, de gente daqui e de fora.

Reaproximam-se dos hermanos latino-americanos, de cuja música sempre foram embaixadores – foram os primeiros a gravar Fito Paez por aqui, por exemplo. Em Sinais do sim aparece Cuando pase el temblor (Gustavo Cerati), do power trio argentino Soda Stereo. Há também uma reaproximação com o rock britânico, inspiração no começo da carreira, em Blow the wind (Herbert Vianna), com letra cantada em inglês.

Os Paralamas do Sucesso se reaproximam ainda de seus pares de geração. O trio ganhou de presente de Nando Reis (ex-Titãs) a desbragadamente romântica Não posso mais, em que se derrama: “se o amor é Deus/ rei de um reino/ água no copo/ prato e colher/ uma igreja ergo/ pra rendê-lo/ um poço cavo/ pra encontrar/ mar água lago/ o seu refresco/ vento bandeira/ a tremular/ flor que nasce/ da semente/ mente inventa/ circular/ eu não posso mais/ não posso mais/ não posso mais/ não posso mais viver/ sem você”, começa a letra.

E há ainda uma reaproximação com Gilberto Gil e o terceiro mundo, o que desde Selvagem? (1986) tornou Os Paralamas do Sucesso uma das mais interessantes bandas brasileiras surgidas no boom do chamado rock brazuca. O reggae Sempre assim fecha Sinais do sim com categoria.

A faixa-título (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone), que abre o disco, a única em que se ouvem apenas os instrumentos do trio, é síntese: “Eu/ sei que teu coração é meu/ que algo em mim te convenceu/ de que o melhor está por vir”. Como diz a letra de Teu olhar (Herbert Vianna/ Bi Ribeiro/ João Barone), “longe dos clichês”, esbanjando versatilidade, Os Paralamas ofertam um disco do puro, bom e velho rock’n roll.

*

Veja o clipe de Sinais do sim:

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s