Coco pra todo gosto

Fotos: Paula Barros

 

Os integrantes do Coco de Zambê de Mestre Geraldo, entre tocadores, cantadores e dançadores, vindos de Tibau do Sul/RN, multiplicaram-se: um deles percorreu a plateia convidando o público à dança. Logo, praticamente todos os presentes integraram-se à animada roda nos jardins do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM, Rua do Sol, Centro), ontem (28).

Era a estreia do circuito Sonora Brasil 2017/2018 em São Luís. Zambê é o nome de um dos instrumentos utilizados pelo grupo: um irmão do tambor grande de nosso tambor de crioula, com que identifiquei algumas semelhanças. Este tambor é também chamado de pau furado ou oco de pau e é o maior e mais grave dos instrumentos. Isto eu descobri lendo o belo catálogo distribuído pelo Sesc aos presentes. Compõem ainda a “parelha”, o chama, um tambor menor – para seguir no paralelo com o nosso tambor de crioula, equivaleria ao meião – e ainda uma lata de tinta, de 18 litros, percutida por um par de varetas. Todos tocados amarrados à cintura dos tocadores.

Não há mulheres no Coco de Zambê, embora as presentes entre o público não se tenham feito de rogadas e tenham participado, dançando, cantando os refrões e batendo palmas. Ao fim da apresentação, espécie de bis, a coisa se configurou numa oficina, com curiosos experimentando os instrumentos inusitados.

Sobre o Coco de Zambê, outra coisa que descobri lendo o catálogo foi que “há notícias de sua existência desde 1903, quando foi publicada no jornal A República, órgão oficial do governo do Rio Grande do Norte, a notícia cujo conteúdo repudiava com veemência a prática de um “samba” que acontecia na casa de um sujeito conhecido como Paulo Africano, no município de Tibau do Sul. Também Mário de Andrade, na década de 1920 faz, com entusiasmo, alusão à “brincadeira””.

A aproximação com o samba aí se dá pelo preconceito da época: era uma espécie de rótulo para qualquer ajuntamento de negros. Outras aproximações perceptíveis do Coco de Zambê se dão com o frevo e a capoeira – seus dançadores apresentam-se nus da cintura pra cima.

Mestre Geraldo, que dá nome ao grupo, foi fundamental para evitar o desaparecimento do Coco de Zambê, no fim do século passado. “Liderando um grupo familiar, retomou o zambê buscando fidelidade à sua prática tradicional”, também li no catálogo.

O grupo torna a se apresentar amanhã (30), às 19h, em Três Corações (Praça Salustiano Rego, Caxias/MA), com entrada franca.

Outros grupos de coco apresentam-se em São Luís e Caxias/MA, até a próxima quarta-feira. Veja a programação:

Casa do Maranhão (Praia Grande), 19h:
Hoje (29): Coco de Iguape (CE).
Amanhã (30): Coco de Tebei (PE).
Segunda (31): Samba de Pareia de Mussuca (SE).
Segunda (31), das 9h às 12h e das 14h às 17h: Oficina de Coco de Roda: da Pisada ao Verso, com Adiel Luna/PE. Vagas limitadas. Inscrições gratuitas pelo telefone (98) 3216-3830.

Três Corações (Praça Salustiano Rego, Caxias/MA), às 19h:
Amanhã (30): Coco de Zambê (RN).
Segunda (31): Coco de Iguape (CE).
Terça (1º./8): Coco de Tebei (PE).
Quarta (2): Samba de Pareia da Mussuca (PE).

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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