Ponte Brasil Portugal

Carminho canta Tom Jobim. Capa. Reprodução

Há vários pontos de interseção entre Carminho canta Tom Jobim [Biscoito Fino, 2016] e Até pensei que fosse minha [MP,B, 2016], discos mais recentes lançados pelos portugueses Carminho e António Zambujo, respectivamente. Ambos, de algum modo, são artistas de exceção: embora entre um círculo restrito, são conhecidos no Brasil, que em termos de música e artistas portugueses, com raras exceções, quase sempre para no Roberto Leal que serve de trilha sonora para danças portuguesas no período junino.

São dois dos maiores compositores brasileiros em todos os tempos relidos por uma das maiores intérpretes da terra de Fernando Pessoa e por um cantor e compositor idem bastante interessante. Ambos já haviam mostrado seus talentos em participações em discos de artistas do lado de cá do Atlântico.

Tanto no disco dela quanto no disco dele há participações especiais de brasileiros: Chico Buarque comparece a ambos (como intérprete e compositor), enquanto ela, além dele (em Falando de amor), recebe Marisa Monte (em Estrada do sol) e Maria Bethânia (em Modinha); já Zambujo tem, além do compositor tributado (em Joana francesa), Roberta Sá (em Sem fantasia) e a conterrânea Carminho (em O meu amor).

Até pensei que fosse minha. Capa. Reprodução

Em Carminho canta Tom Jobim, ela é acompanhada pela brasileiríssima Banda Nova: Paulo Jobim (violão), Daniel Jobim (piano), Jacques Morelembaum (violoncelo) e Paulo Braga (bateria). Em Até pensei que fosse minha – título tirado de um verso de Até pensei –, Zambujo é acompanhado por um time que mescla portugueses e brasileiros. Entre os virtuoses de cá estão Ronaldo do Bandolim, Zé Paulo Becker (violão) e Marcelo Gonçalves (violão sete cordas, divide com Ricardo Cruz a produção e assina a direção musical e arranjos), mais conhecidos como Trio Madeira Brasil, além de Marcelo Caldi (acordeom) e Paulino Dias (percussão).

Os tributos fogem do óbvio, vão além do superficial. As seleções de repertório, por exemplo, ultrapassam o mero “o melhor de”, e as releituras não desconstroem músicas já cristalizadas no imaginário do brasileiro. Em Carminho canta Tom Jobim, entre outras, Inútil paisagem, Triste, Sabiá, Luiza e A felicidade; em Até pensei que fosse minha, Futuros amantes, Injuriado, Cecília, Cálice, Januária, João e Maria, Tanto mar e Valsinha.

Com estes dois discos, Portugal redescobre um pequeno e importante pedaço de Brasil. Espero que o Brasil (re)descubra Portugal, para além deste comprovadamente talentoso par de artistas. E além: que o Brasil, cada vez mais, (re)descubra o Brasil.

*

Veja o videoclipe de João e Maria (Chico Buarque/ Sivuca), com António Zambujo:

Veja o making of de Carminho canta Tom Jobim:

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s