Via Gal, o Brasil musical de Jussara Silveira e Renato Braz

Fruta gogoia. Capa. Reprodução

 

Como boa tropicalista, Gal Costa flertou com a Bossa Nova, tendo dedicado um disco ao repertório de um dos papas do movimento, Tom Jobim, Gal Costa canta Tom Jobim, de 1999.

A releitura de Jussara Silveira e Renato Braz, dois dos mais talentosos cantores de nossos tempos, para o repertório da baiana, uma das maiores em todos os tempos, está mais para Bossa Nova, pelos refinados arranjos e direção musical de Dori Caymmi – a produção musical é de Mario Gil e a direção artística de Luiz Nogueira.

Cabe dizer que o par de intérpretes não se acomoda em zonas de conforto: releitura é palavra que aqui faz sentido, indo além de mera regravação. Nada soa forçado. Eles já dedicaram discos ao repertório de mestres: ela, Canções de Caymmi, em 1998; ele, Silêncio – Um tributo a João Gilberto, em 2014. Tudo se liga.

O Bicho Gal, da série Fauna Brasiliensis, de Regina Silveira, na capa, é o mais próximo da “psicodelia” tropicalista a que chega Fruta gogoia – Uma homenagem a Gal Costa [Selo Sesc, 2017; R$ 20,00].

O disco é, além de uma reunião de músicos talentosos, um abrangente songbook brasileiro, e não poderia ser diferente em se tratando de um mergulho na discografia de uma das mais talentosas cantoras brasileiras em todos os tempos, de longeva carreira – já são mais de 50 anos desde o compacto de estreia, quando ainda assinava Maria da Graça, seu nome de batismo, em 1965.

As bases são executadas por Dori Caymmi (violão), Mario Gil (violão), Swami Jr. (violão sete cordas), Sizão Machado (baixo), Toninho Ferragutti (acordeom), Itamar Assiere (piano), Teco Cardoso (sax), Celso de Almeida (bateria) e Bré Rosário (percussão), além de um octeto de sopros, mais cordas, violas e violoncelos, que passeiam por um repertório que abrange do citado Tom Jobim (Estrada do sol, parceria com Dolores Duran, e Tema de amor de Gabriela) a Caetano Veloso (nome mais presente na discografia de Gal Costa e não por acaso também neste Fruta gogoia: Tigresa, Meu bem, meu mal, Baby, Não identificado e Força estranha), passando por nomes como Chico Buarque (Folhetim), Jards Macalé (Vapor barato, parceria com Waly Salomão), Luiz Melodia (Pérola negra), Lupicínio Rodrigues (Volta) e Dorival Caymmi (Só louco e Modinha para Gabriela), além de nomes menos conhecidos mas fundamentais, como Tuzé de Abreu (Passarinho) e Pereira da Costa e Milton Villela (Teco, teco).

Fruta gogoia foca um repertório antológico e diverso de Gal Costa, passeando por diversas fases de sua carreira. A bela e merecida homenagem é mais uma prova de sua profunda e definitiva influência sobre cantoras e cantores brasileiros e de seu lugar na preferência dos apreciadores de música brasileira.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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