Dramas cruzados

Farol das orcas. Frame. Reprodução

 

Baseado em Agustín corazón abierto (Agustín coração aberto, em tradução livre), livro de Roberto Bubas, Farol das orcas [El faro de las orcas, 2016; direção: Gerardo Olivares; 110 minutos], drama argentino-espanhol, é uma bela prova de que o cinema e a literatura (e as artes em geral) podem tratar de qualquer tema, por mais delicado que seja, sem o risco de esbarrar no piegas ou no politicamente incorreto, quando a abordagem é inteligente.

Bubas (Joaquín Furriel) é uma espécie de agente florestal, que atua numa reserva ecológica na Patagônia, onde convive diretamente com as orcas, espécie de baleia tida como assassina – a seu ver, injustificadamente.

O filme, disponível no Netflix, aborda o drama de Lola (Maribel Verdú), mãe de Tristan (Guinchu Rapalini), um menino autista de nove anos. A partir de uma reação do garoto vendo um documentário sobre baleias no National Geographic, ela cruza meio mundo, da Espanha à Patagônia, para tentar a experiência. Só Beto pode ajudá-los.

O guarda-fauna reluta a princípio. Mas logo se afeiçoa ao garoto – e à mãe – e coloca o próprio emprego em risco para ajudá-los. Beto e Lola se apaixonam, num filme sem excesso ou pieguice, profundamente emocionante.

As locações naturais daquele trecho de praia da Patagônia ajudam a tornar tudo ainda mais bonito. Mergulhar (literalmente) no trabalho, num lugar remoto e com praticamente nenhuma opção de lazer, foi a forma que Beto encontrou para superar uma tragédia pessoal. Ele acaba contrariando a própria natureza ao se tornar “amigo” das orcas.

Cada personagem tem seu próprio drama e é neste entrecruzamento que residem a força e a beleza de Farol das orcas, que aborda o autismo por um viés poético. Quando Beto resolve fazer as coisas à sua maneira para ajudar Tristan não sobra espaço para enxergar o garoto como um coitado, estranho ou digno de pena – como em geral, infelizmente, ainda são vistas as pessoas com deficiência, seja qual for. Longe de panfletário, o filme acompanha seus passos, evoluções, a superação de seus medos e a paixão por orcas, mar e música.

Veja o trailer:

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

Um comentário em “Dramas cruzados”

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