Beleza a norte, sul, leste e oeste

Foto: ZR (27/5/2017)
Foto: ZR (27/5/2017)

 

Ao contrário de shows em que, em geral, o uso de celulares e câmeras é proibido (em vão) pela produção, a plateia que assistiu Claudio Lima sábado passado (27), no Cine Teatro da Cidade de São Luís, foi das mais educadas que vi em muito tempo. E a colheita de imagens e posterior postagem nas redes sociais foram incentivadas, logo no texto de abertura, que anunciou a subida do cantor ao palco.

“Coloquem seus celulares no silencioso, mas não os desliguem: fotografem e filmem e postem nas redes sociais”, dizia o texto. Em seguida, solicitou, para gargalhadas da plateia: “este show está sendo gravado. Guardem manifestações como “lindo! Gostoso! Arrasou, qualhira!”, para os intervalos das músicas”. Pedido pronta e educadamente atendido.

Gritos de “lindo!”, “gostoso!” e “viado!” foram ouvidos ao fim da primeira música, Boi tarja preta (Celso Borges/ Alê Muniz). “Tá bom, gente! Já chega!”, pediu Claudio Lima entre a timidez ensaiada e o domínio absoluto da cena – sua performance nunca é exagerada, a serviço tão somente de sua voz, de dar ênfase ao que canta.

O show de lançamento de Rosa dos ventos coroava de forma brilhante uma ideia acalentada há ao menos cinco anos. O show seguiu à risca o roteiro do disco, à exceção de Lástima (Giovanne Chaves), que cantou sentado, acompanhado apenas pelo teclado de Rui Mário.

A inclusão da inédita comprova o que Claudio Lima disse em entrevistas de divulgação do show: já está catando repertório para um próximo disco. Em Rosa dos ventos gravou apenas nomes maranhenses – incluindo ele, em seu début como compositor – e quase apenas inéditas, a exceção justamente a faixa-título, já registrada pelo compositor, Bruno Batista – “mas eu cantei antes”, também frisou em diversas entrevistas, lembrando os prêmios de melhor música e melhor intérprete que ele e Bruno levaram, respectivamente, no Festival Viva 400 Anos de Música Popular, que em 2012 celebrou os 400 anos de fundação da capital maranhense.

Claudio Lima, que a exemplo de seus discos anteriores, assina o projeto gráfico de Rosa dos ventos, também era autor do belo cenário em que desfilou o repertório do disco, acompanhado por Eduardo Patrício (programações eletrônicas, bateria e percussão), Pablo Habibe (guitarra), Davi Oliveira (contrabaixo), Memel (guitarra), João Neto (flauta) e Rui Mário (teclado e sanfona).

Em Eu não sou refém da maioria (Claudio Lima) trouxe ao palco o bailarino Luciano Teixeira que, a princípio enrolado numa bandeira do Brasil, foi literalmente até o chão coreografando o funk. “É uma honra, pra mim, pra vocês, pra toda a equipe, podermos fazer arte em tempos tão sombrios”, disse o cantor em determinada altura do espetáculo. Fervorosamente aplaudido após cada música, não foi diferente após o comentário.

Após São Luís (Variações líricas a partir de uma abertura de programa de reggae) (letra de Celso Borges sobre melodia de Michael Rilley), Claudio Lima tornou a brincar com a plateia: “não precisam pedir bis. Ele já está institucionalizado. A gente vai sair e volta pra fazer”. Voltaram aos gritos de “mais um, mais um!”, prontamente atendido. Cantou Bis (Cesar Teixeira), de onde tirou o verso que dá título a seu disco anterior, Cada mesa é um palco (2006). Foi o único momento em que o cantor e os seis músicos estiveram todos juntos no palco ao mesmo tempo, quando Claudio Lima os apresentou ao público.

O disco e a figura escolhida para título apontam em todas as direções, norte, sul, leste, oeste. Rosa dos ventos, disco e show, e Claudio Lima aglutinam e distribuem beleza. Seu público não é refém da maioria e justamente por isso estava ali.

*

Roteiro do show

1) Boi tarja preta (Celso Borges/ Alê Muniz)
2) Salomé minha dor (Fernando Abreu/ Marcos Magah)
3) Não seja burra, baby (Walquiria Almeida/ Claudio Lima)
4) Caminhos ocultos (Der wegweiser) (Franz Schubert/ Claudio Lima)
5) Pingão (Tiago Máci)
6) Parapapá (Claudio Lima/ Mário Tommazo)
7) Esmolas (Bruno Batista)
8) Não sou refém da maioria (Claudio Lima)
9) Melodia sentimental (Claudio Lima/ Mário Tommazo)
10) Lástima (Giovanne Chaves)
11) Só me resta regar tuas petúnias (Claudio Lima/ Marcos Tadeu)
12) Falta flauta (Claudio Lima/ Marcos Tadeu)
13) Nem os cadáveres sobreviverão (Marcos Magah/ Acsa Serafim)
14) Rosa dos ventos (Bruno Batista)
15) São Luís (Variações líricas a partir de uma abertura de programa de reggae) (Celso Borges/ Michael Rilley)

Bis

16) Bis (Cesar Teixeira)

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s