Agora sabemos por onde anda Belchior

O bigode mais importante da música brasileira nos deixou esta madrugada. Reprodução
O bigode mais importante da música brasileira nos deixou esta madrugada. Reprodução

 

“Se você vier me perguntar por onde andei/ (…)/ de olhos abertos lhe direi”: que falta faz um Belchior nestes tempos tenebrosos que vive o Brasil. Desaparecido há alguns anos, o bardo cearense faleceu esta madrugada em Santa Cruz do Sul/RS, destino final deste “jovem que desce do norte pra cidade grande”, “há tempo, muito tempo, que eu estou longe de casa”

O bigode mais importante da música brasileira já estava afastado de palcos e estúdios há alguns anos, mas é fato que sua obra nunca o deixou desaparecer por completo – o que não acontecerá nem agora, quando de sua subida – e nunca deixou de traduzir o Brasil à perfeição, “amar e mudar as coisas me interessa mais”.

“O passado é uma roupa que não nos serve mais”, mas parece que teimamos em usar, mesmo rota e apertada, que o diga o golpe em curso, que falta faz a mira do sobralense apontada para este estado de coisas, atendendo ao pedido de hashtags e blocos de carnaval: fora, Temer! Volta, Belchior! “Com fé em Deus, um dia/ ganha a loteria/ pra voltar pro norte”.

“O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará e do Brasil. Que Deus conforte a família, amigos e fãs de Belchior. O Governo do Estado decretou luto oficial de três dias”, declarou o governador do Ceará Camilo Santana (PT) em uma rede social.

“Nossos ídolos ainda são os mesmos” e sexta-feira passada, quando Gildomar Marinho, radicado no Ceará, subiu ao palco para uma canja durante a apresentação de Wilson Zara no Buriteco Café, pedi-lhe que tocasse Conheço meu lugar, a minha preferida (escolha difícil) do repertório de Belchior: “o que é que pode fazer um homem comum neste presente instante?”.

Triste, me pego tentando sorrir de obituaristas que ainda caem na velha piada do quilométrico nome falso que Antonio Carlos Belchior (só isso!) inventou em entrevista à turma do Pasquim.

Mas “não há motivo para festa/ a hora é esta/ eu não sei rir à toa”. “Eu sou apenas um rapaz latino-americano sem dinheiro no banco” que gasta os poucos trocados com discos, livros e jornais. Agora sabemos por onde anda Belchior. Sua volta pode ser impossível. Sua permanência, não: “guarde uma frase pra mim dentro da sua canção”.

Que venham as homenagens, a mais aguardada, certamente, o lançamento da biografia Pequeno perfil de um cidadão comum, do jornalista Jotabê Medeiros, setembro que vem. “Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)/ Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto/ E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto/ Que a terra lhe seja leve”.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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