10º. Maranhão na Tela já está com inscrições abertas

Em entrevista ao blogue, Mavi Simão fez um breve balanço da trajetória do festival, comentou a homenagem a Joaquim Haickel e destacou a participação feminina

Tudo para ti, de Naldo Saori. Reprodução
Tudo para ti, de Naldo Saori. Reprodução

“Uma produtora independente se propor a fomentar um segmento é uma grande pretensão. Mas sempre pensei que se fizesse o máximo que estivesse ao meu alcance, isso já seria alguma coisa. Quando o Maranhão na Tela surgiu com esse objetivo, em 2007, quase nada era feito para fomentar o cinema local”, relembra Mavi Simão, a idealizadora e produtora do festival, em entrevista exclusiva a Homem de vícios antigos.

“O grande plano por trás do Maranhão na Tela sempre foi “picar as pessoas com o bichinho do cinema” e, aos pouquinhos, vamos “picando” cada vez mais pessoas. Em 2007 praticamente não se produzia no Maranhão e hoje estamos no melhor momento do cinema maranhense. Acredito que uma parte disso se deva ao forte investimento do festival na realização de cursos e na produção de curtas”, continua.

A 10ª. edição do Maranhão na Tela acontecerá de 16 a 26 de agosto, no Centro de Criatividade Odylo Costa, filho (Praia Grande) e promete ser histórica. Entre as mostras tradicionais, como a Panorama Brasil, que exibe longas-metragens nacionais inéditos, e a Animarte!, que exibe anualmente mais de 350 animações de diversos países, haverá mostras retrospectivas dedicadas aos melhores filmes já apresentados pelo festival e uma de clássicos do cinema nacional.

A Mostra Maranhão de Cinema, competitiva dedicada exclusivamente à produção local, já está com inscrições abertas – podem ser feitas até 31 de maio no site do Maranhão na Tela.

Cada edição do festival tem dois homenageados, um nacional e um local. O martelo quanto àquele ainda não foi batido, mas o maranhense a receber as homenagens em 2017 é o cineasta Joaquim Haickel. “Ele tem uma trajetória no cinema maranhense que por si só já o coloca no lugar de um dos maiores cineastas do estado. São quase 40 anos de carreira, dezenas de filmes e prêmios conquistados nacional e internacionalmente. E, para além da sua produção autoral, ele também é um grande produtor e, consequentemente um fomentador da produção local. Quantos profissionais trabalham nas obras que o Joaquim produz? Quantos diretores já tiveram a oportunidade de realizar através da sua produtora? Isso sem falar do Mavam [o Museu da Memória Audiovisual do Maranhão] e do apoio que ele sempre deu a outros diretores, inclusive os iniciantes. Estava mais do que na hora dele ser nosso homenageado”, reconhece Mavi.

O festival acontece em agosto, mas suas atividades têm início em junho, quando a jornalista e roteirista Angélica Coutinho ministrará um curso avançado de Roteiro de Ficção, de 40 horas, que será certificado pelo Instituto de Educação, Ciência e Tecnologia do Maranhão (Iema), vinculado à Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Secti), parceira do Maranhão na Tela. Junto com o curso serão anunciadas a lista dos selecionados na competitiva, bem como todo o restante da programação de filmes, cursos e debates, além do nome do homenageado nacional.

Além da idealizadora do Maranhão na Tela, o primeiro nome confirmado na programação é de uma mulher. Lembro a pesquisa da Ancine [a Agência Nacional do Cinema, vinculada ao Ministério da Cultura], que confirmou pequena presença feminina no audiovisual e pergunto à Mavi Simão: em um festival idealizado e produzido por uma mulher há uma preocupação quanto a esses índices? De que modo o festival tem buscado superá-los?

“Não existe propriamente uma preocupação. No festival a presença das mulheres sempre foi intensa. Nossa equipe é quase toda formada por mulheres, nosso público tem grande participação de mulheres, acredito até que em maior proporção do que de homens, e o intercâmbio com professoras e representantes de filmes também é grande”, enumera.

“É importante destacar que eu não escolho minha equipe ou convido profissionais baseada na questão de gênero e sim na qualidade do trabalho dessas profissionais. Ou seja, a participação de um grande número de mulheres acontece naturalmente, o que acredito ser bem significativo”, elogia.

“Com relação aos longas-metragens, ainda não é possível exibir uma maioria de obras dirigidas por mulheres, até por que, como exibimos um panorama da produção mais recente do cinema brasileiro, a programação de filmes do festival acaba sendo um espelho do cenário nacional da produção audiovisual”, finaliza.

O Maranhão na Tela é uma realização Mil Ciclos Filmes, patrocinado pela Oi e TVN, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e pelo Banco do Nordeste, por meio da Lei Rouanet, e conta ainda com o apoio cultural do Instituto Oi Futuro e das secretarias de Estado de Educação (Seduc) e Ciência e Tecnologia. A identidade visual desta edição comemorativa foi desenvolvida a partir do óleo sobre tela Tudo para ti, do artista visual maranhense Naldo Saori, que ilustra este texto.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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