Amigos, artistas e intelectuais reafirmam grandeza de Adalberto Franklin em sua despedida

Adalberto Franklin durante sua posse no IHGM. Foto: Elson Araújo
Adalberto Franklin durante sua posse no IHGM. Foto: Elson Araújo

 

Faleceu ontem (2) em Imperatriz, o jornalista, escritor, historiador e bacharel em Direito Adalberto Franklin Pereira de Castro (Uruçuí/PI, 28/4/1962 – Imperatriz/MA, 2/3/2017), imortal da Academia Imperatrizense de Letras (AIL), de que é fundador, e membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM). Foi ainda o primeiro presidente da Fundação Cultural de Imperatriz (FCI), secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Gestão Pública de Imperatriz e secretário de Comunicação Social da Prefeitura de Açailândia/MA. Teve ainda destacada atuação junto a movimentos da Igreja Católica.

Piauiense de nascimento, Adalberto Franklin mudou-se ainda criança para o Maranhão, onde morou em Balsas, depois estabelecendo-se em Imperatriz, em que construiu o legado vastíssimo de dedicação à cultura do Maranhão, em particular da região tocantina. Fundou a Ética Editora, que deixa um valioso catálogo. Foi também fundador do Partido dos Trabalhadores (PT), em Imperatriz, pelo qual concorreu, em 2012, à Prefeitura Municipal, mesmo ano em que havia recebido da Câmara Municipal o título de cidadão imperatrizense, pelos relevantes serviços prestados à cidade, sobretudo no campo cultural – foi um dos inventores do Salão do Livro de Imperatriz (Salimp), um dos mais bem sucedidos eventos literários do Maranhão.

Nunca buscou riqueza, tendo seguido firme na busca por um mundo justo – coisa de idealistas e abnegados, estes seres infelizmente cada vez mais “fora de moda”. Uma prova deste exemplo pode ser encontrada em seu site, quando disponibilizou seus livros Breve história de Imperatriz (2005) e Apontamentos e fontes para a história econômica de Imperatriz (2008) para download gratuito, por ocasião de um concurso público realizado pelo município. Alegava que “nem todos podem comprar, principalmente os menos favorecidos financeiramente e os que, desempregados, estão buscando um emprego estável”, comentando ainda os baixos índices de leitura no Maranhão e a insuficiência de bibliotecas públicas, temas que sempre lhe preocuparam.

Adalberto Franklin sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) quando participava de uma reunião na AIL, no último dia 9 de fevereiro. Desde então estava internado na UTI de um hospital particular em Imperatriz. Diabético, havia passado por cirurgia cardíaca recentemente. Sofreu uma pneumonia durante a internação, apresentando um quadro de melhora, mas não resistiu. Seu corpo será velado ao longo desta sexta-feira na residência da família e o sepultamento acontecerá amanhã (4), às 9h, no Cemitério Campo da Saudade, em Imperatriz.

Diversos amigos, artistas e intelectuais manifestaram pesar pelo falecimento de Adalberto Franklin. “Perda lamentável”, declarou o compositor Josias Sobrinho. “Literatura maranhense de luto. Deixa-nos um grande guerreiro político e ativista das grandes e justas causas: Adalberto Franklin”, manifestou-se o compositor Joãozinho Ribeiro, dando dimensão de sua grandeza. Para a assistente social Rose Teixeira, “Adalberto Franklin eternizou-se pelas suas obras, grande perda”. Procurado pelo blogue para um depoimento, o músico Wilson Zara devolveu uma pergunta: “como se descreve uma tristeza enorme?”.

“Um homem casado com as letras e profundamente apaixonado por nossa história. Bastava uma simples manifestação de interesse pela nossa literatura e já se tornava uma pessoa especial para Adalberto Franklin. Onde tiver espaço para os bons, lá é o lugar desse grande Ser Humano”, manifestou-se o poeta, compositor e escritor Zeca Tocantins, autor de diversos livros publicados pela Ética Editora, fundada por Adalberto Franklin.

“Destaca-se como o mais competente e consistente pesquisador da história imperatrizense e regional, para qual dedicava grande parte de seu tempo, talento, esforço, saúde e outros recursos. Publicou diversos livros, nas áreas de História, Economia, Religião, Metodologia. Editou mais de 1.000 livros de autores imperatrizenses, regionais, estaduais e nacionais. Deixa vários livros em fase de conclusão, pesquisa, projeto e reedições”, pontuou o jornalista Edmilson Sanches.

“Sinto um impacto no peito cada vez que perdemos pessoas que lutam, brigam e contribuem de forma significante e até mesmo contundente com a cultura e a boa arte. Nos últimos cinco anos perdemos muitos colegas, alguns deles, Ribamar Fiquene, Luiz Brasília, Papete, Neném Bragança, e agora o meu amigo, parceiro e admirável Adalberto Franklin. Estou muito triste. Logo agora que, numa conversa pessoal, demostrou alegrias com a ideia e me ofereceu ajuda no que fosse necessário para juntos realizarmos a volta do Faber [o Festival Aberto Estância do Recreio]  um dos maiores festivais brasileiros, realizado nos anos 1990. Descanse em paz, meu irmão! Você fez sua parte e deixou um legado na literatura, cultura e arte. Imperatriz chora!”, declarou com exclusividade a Homem de vícios antigos o secretário municipal de Cultura de Imperatriz, o músico Chiquinho França.

“Temos certeza que Adalberto Franklin está entre os que combateram o bom combate e acabaram a sua carreira, guardando a fé. O combate em prol da transformação da sociedade, a carreira rumo ao desenvolvimento com justiça social e a fé em Deus e na força do nosso povo”, afirmou o Diretório Municipal do PT de Imperatriz, em nota.

O Governo do Maranhão também emitiu nota de pesar, reconhecendo a trajetória de Adalberto Franklin “como escritor e editor, além de ativo militante político ligado às causas da democracia”.

O cantor e compositor Gildomar Marinho resume bem a grandeza de Adalberto Franklin, seu companheiro de militância política desde a década de 1980. “Percebe-se a importância de alguém que parte ao tentarmos definir quem de fato partiu. O político? O literário? O historiador? O economista? O humanista? Pessoalmente, amigo é a definição mais precisa para Adalberto Franklin. Daqueles em que um simples bate papo converte-se em uma verdadeira aula de vida. Homem de mil livros. Incentivador voraz da pesquisa e do registro de cada detalhe da história, em especial, de Imperatriz e Região Tocantina, terra que abraçou como sua. E, bem mais que pesquisa e registro, ele próprio é parte dela. Em minha lembrança estará para sempre o companheiro de militância, sempre presente nos movimentos populares, das lutas sindicais, da defesa vigorosa pela terra para todos em uma terra sem lei, retrato de um pedaço do Maranhão sangrento do último quarto do último século do milênio passado. Adalberto fez da vida sua profissão de fé. E, sendo um homem de fé, decerto alcançará a vida eterna. Falando nisso, vale um registro: sua generosidade o fez partícipe de inúmeros trabalhos acadêmicos e literários, o que reforça a franciscana frase “é dando que se recebe”, já que ficará imortalizado também aqui por esta terra por seu legado, sua história, sua luta e por seus registros a iluminar futuras gerações. Trazendo a lume o adágio de que ninguém é insubstituível, fico a imaginar quantos Aldalbertos seriam necessários para suprir a imensa lacuna que sua partida provoca, especialmente nestes tempos sombrios em que a sombra da mediocridade paira sobre esta Nação. Resta aferrarmo-nos ao seu sonho, seu ideal, sua utopia e, sobretudo, à sua luta. Adalberto Franklin. PRESENTE!”, declarou com exclusividade ao blogue.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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