A cidade onde envelheço inaugura Sessão Vitrine Petrobrás hoje no Cine Praia Grande

Still: Bianca Aun
Still: Bianca Aun

 

“É melhor acreditar em algo utópico que levar uma vida sem sentido”, diz Teresa (Elizabete Francisca Santos), recém-chegada de Portugal, em uma cena de A cidade onde envelheço [drama, Brasil-Portugal, 2016, 99 min., classificação indicativa: 12 anos]. Adiante, respondendo a Francisca (Francisca Manuel), afirma, utopicamente: “eu não vou envelhecer nunca!”.

As frases resumem bem o filme de Marília Rocha, rodado em Belo Horizonte, com inspiração na própria história da atriz que interpreta a personagem que mora há mais tempo no Brasil. Recém-chegada, Teresa é recebida por Francisca, que já tem algumas opiniões formadas sobre o Brasil e o brasileiro e, de certo modo, já está de saco cheio disso aqui. A tensão entre ficar e voltar é um dos fios condutores da trama.

É uma história bem humorada sobre amizade, saudade, decisões e as reviravoltas que a vida e o mundo dão. E também sobre estranhamentos: as diferenças culturais entre Brasil e Portugal são evidenciadas, por exemplo, na crítica de Francisca ao hábito “folgado” de os jovens da periferia “darem uma bola”, isto é, “filar” uma tragada do cigarro alheio – no meio da história tinha um cachorro.

Se os pensamentos de Teresa podem resumir A cidade onde envelheço, filme que levou os prêmios de melhor filme, direção, atriz e ator coadjuvante no 49º. Festival de Cinema de Brasília, ano passado, a sinuca também pode ser uma boa tradução: o ambiente é divertido, bebe-se, mas também se pensa sobre o futuro, metaforizado na melhor tacada para a próxima bola.

As paisagens de Belo Horizonte tornam o filme ainda mais bonito. Se o hábito incessante de fumar das protagonistas nos faz pensar em um filme de época, Jonnata Doll e os Garotos Solventes nos localizam no contemporâneo. Merece destaque à parte a trilha sonora: a banda cujo vocalista interpreta a si mesmo no filme, entre cerveja, rapé e passeios irresponsáveis, e o Jards Macalé do compacto de estreia, de 1970, com Só morto (Burning night) e Soluços.

A letra da última parece traduzir – num filme, afinal, de traduções, cujo português de Portugal falado pelas protagonistas é legendado – uma briga entre as protagonistas: “quando você me encontrar/ não fale comigo, não olhe pra mim/ eu posso chorar”. Mas que amigos não brigam para depois reconciliar-se? A cidade onde envelheço é, também, um filme sobre recomeço.

Serviço

A cidade onde envelheço estreia hoje (9), às 16h20, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), inaugurando a Sessão Vitrine Petrobrás, que exibirá mais de 15 títulos nacionais ao longo de 2017. Os ingressos custam R$ 12,00 (6,00 para estudantes com carteira e demais casos previstos em lei).

Veja o trailer de A cidade onde envelheço:

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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