Uma obra-prima

Frida Kahlo: Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?. Capa. Reprodução
Frida Kahlo: Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?. Capa. Reprodução

 

É uma verdadeira obra de arte a graphic novel Frida Kahlo: para que preciso de pés quando tenho asas para voar? [Frida Kahlo: pourquoi voudrais-je des pieds puisque j’ai des ailes pour voler?, tradução: Fernando Scheibe; Nemo, 2016, 128 p.; veja as páginas iniciais], de Jean-Luc Cornette (texto) e Flore Balthazar (desenho e cores).

A HQ biográfica acompanha Frida, seu marido Diego Rivera, então um muralista mais conhecido que ela, e Leon Trotsky, de quando o casal recebe no México o intelectual marxista forçado ao exílio até sua morte, menos de quatro anos depois.

A rima é pobre, mas Frida sempre usou suas cores para superar suas dores, e uma palavra-chave deste álbum – como de resto em qualquer relato biográfico acerca da pintora – é traição, no amor, na amizade e na política.

Mulher livre, Frida viveu um polígono amoroso que é aqui exposto sem escamoteação, tampouco sem tirar a atenção para aquilo que verdadeiramente importa: sua obra, sua força, sua atualidade.

Num contexto de criação da Quarta Internacional, da perseguição a Trotsky pelo NKVD (o Comissariado do Povo para Assuntos Internos, na sigla em russo, espécie de Ministério do Interior) e de discussões acerca do rótulo de surrealista que André Breton quis impor à protagonista, o enredo de Frida Kahlo é urdido com bom humor.

Um glossário de perfis, por Jean-Luc Cornette, acompanha a trajetória dos personagens após 1940, ano da morte de Trotsky. Também ao fim do volume, as referências apontam, entre livros, filmes, reportagens, museus, exposições e murais de Diego Rivera, obras “que foram essenciais para nós e nos permitiram realizar esta graphic novel com o maior rigor possível”, no dizer dos autores.

A quem conhece minimamente a biografia de Frida, ao menos a partir do filme homônimo [2002], de Julie Taymor, baseado em Frida: a biografia [Globo, 2011], de Hayden Herrera, esta HQ não acrescentará novidades. Mas merece ser contemplada como obra-prima que é. Aposto que Frida aprovaria a bela homenagem.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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