Música para ler

Unknown pleasures. Capa. Reprodução
Unknown pleasures. Capa. Reprodução

Em Unknown pleasures [Cobogó, 2014, 112 p.; tradução: Gabriela Fróes], o jornalista Chris Ott, crítico de música com textos publicados em veículos como The Village Voice, pretende e consegue ir além da aura mítica construída ao redor da vida breve do genial Ian Curtis (1956-1980), que se suicidou aos 23 anos em maio de 1980.

No livro que leva o título e comenta o processo de realização do disco Unknown pleasures, do Joy Division, destaca, por exemplo, a importância do produtor Martinn Hannett para a moldura da sonoridade da banda, destacando e localizando a importância do grupo – que viria a desaguar no New Order com o suicídio de seu líder – tanto àquela época quanto visto em perspectiva, quase 36 anos depois do fim – o livro foi escrito em 2003, quando Curtis já contava mais de 20 anos de morto.

“Algo que sempre falta nas discussões sobre o trabalho do Joy Division é perspectiva. E só o tempo pode nos dar perspectiva. Por mais objetivo que alguém possa ser, e por mais distante que esteja da história, a música do Joy Division tem a mesma potência que qualquer droga: é esmagadora, entorpecente e certamente viciante”, anota Ott nos Agradecimentos, em que revela ainda que o “livro começou como um breve artigo chamado “An Ideal for Listening” [O melhor para se escutar], publicado originalmente no site Pitchfork”, do qual foi colaborador.

Na tentativa de ajudar a compreender a alma, mente e coração inquietos, intensos e criadores de Ian Curtis, o livro de Chris Ott se soma a Joy Division: Unknown pleasures [Unknown pleasures, tradução de Martha Argel e Humberto Moura Neto, prefácio de Edgard Scandurra, Seoman, 2015, 374 p.], do contrabaixista Peter Hook, e a Tocando a distância: Ian Curtis & Joy Division [Touching from a distance – Ian Curtis and Joy Division, tradução de José Júlio do Espírito Santo, prefácios de Kid Vinil e Jon Savage, Edições Ideal, 2014, 317 p.], de Deborah Curtis, viúva de Ian.

Unknown pleasures integra a charmosa coleção O livro do disco, que “traz para o público brasileiro textos sobre álbuns que causaram impacto e que de alguma maneira foram cruciais na vida de muita gente”, conforme texto de abertura do livro. Há, na coleção, volumes dedicados a The Velvet Underground and Nico (por Joe Harvard), A tábua de esmeralda, de Jorge Ben (por Paulo da Costa e Silva), Estudando o samba, de Tom Zé (por Bernardo Oliveira), As quatro estações, da Legião Urbana (por Mariano Marovatto), Electric Ladyland, de Jimi Hendrix (por John Perry) e Led Zeppelin IV (por Erik Davis), entre outros.

Ouça Unknown pleasures:

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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