Cronovisor funciona como tributo

[Sobre Cronovisor – Renato Russo, de corpo e alma, Cine Teatro da Cidade de São Luís, sexta-feira, 20/1]

Foto: ZR (20/1/2017)
Foto: ZR (20/1/2017)

 

Costurado por depoimentos de Renato Russo (1960-1996) e projeções diversas, Cronovisor – Renato Russo, de corpo e alma é um passeio por grandes sucessos da Legião Urbana. O nome do espetáculo é tomado emprestado de uma máquina do tempo supostamente inventada por um padre italiano e destruída pela Igreja Católica século passado.

Samuca Luna, cantor e psicólogo, se apresenta sozinho no palco, acionando as projeções a partir de um laptop e cantando, ora acompanhando-se ao violão e por um par de bumbos acionados com os pés, ora por bases pré-gravadas.

O espetáculo funciona bem como tributo ao líder da maior banda de rock já surgida no Brasil, mas não vai além disso. Entre sucessos como Ainda é cedo, Geração Coca-cola, Meninos e meninas, Pais e filhos, Giz e Teatro dos vampiros, entre outras, informações por demais conhecidas da vida de um personagem bastante documentado, dado o interesse contínuo por Renato Russo, mesmo 20 anos após sua morte.

É um erro, aliás, afirmar, sobre uma das poucas músicas do roteiro não assinadas por Renato Russo, que ele tornou sua Hoje a noite não tem luar (versão de Carlos Colla para Hoy me voy para Mexico, de C. Villa, A. Monroy e M. Pagan, sucesso dos Menudos). A música é um hit póstumo da Legião Urbana, registrada durante um intervalo da participação do grupo no Acústico MTV – o show, gravado em 1992, o segundo da série no Brasil, só foi lançado em disco em 1999.

As outras músicas não assinadas pelo homenageado são o Opus 17, de Robert Schumann, que Renato Russo ouvia obsessivamente perto de morrer, e Love of my life (Freddie Mercury), hit do Queen, que Luna mescla a Os barcos. Em Por enquanto, uma homenagem a Cássia Eller (1962-2001), para delírio da plateia que lotou o Cine Teatro da Cidade de São Luís.

Antes de cantar Baader-Meinhof Blues, a projeção exibiu a estrela vermelha símbolo da organização guerrilheira alemã que dá título à música. Vestido numa camisa vermelha, Samuca tirou onda: “calma, gente! Não é a estrela do PT!”. Ao cantar Que país é este? a projeção exibiu as fotografias de todos os presidentes da república, incluindo os militares, com os respectivos mandatos, de Deodoro da Fonseca ao ilegítimo, cuja foto, acompanhada da legenda “atual” foi saudada por gritos de “Fora Temer!” em uníssono, coro que se repetiu para acompanhar a letra quilométrica de Faroeste caboclo.

Com Samuca Luna cantando, sobre bases pré-gravadas, Vento no litoral e Tempo perdido, mais dois hits da Legião Urbana, o show termina entre a sensação de missão cumprida, isto é, lotar o teatro e emocionar o público, e a falta de risco e ousadia a um mergulho mais profundo na vida e obra de Renato Russo, artista que sempre arriscou saltos sem medir distâncias.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

Um comentário em “Cronovisor funciona como tributo”

  1. Nos 20 minutos que suportei ficar no teatro vendo o “espetáculo” achei uma coisa quase de improviso e que o protagonista (um cantor no máximo esforçado) não tinha a dimensão da obra do homenageado, já que as suas intervenções me pareciam extremamente superficiais, atrapalhadas e que geravam cenas desconcertantes, em que ninguém poderia prever de onde viria a próxima “falha”. Ainda “bem” que a plateia maranhense é quase sempre complacente com os artistas que tem origem em outros estados. Em matéria de homenagem ao Renato Russo, prefiro mil vezes aquelas feitas pelo nosso “Legião Urbana Cover”. Não lembro a última vez que não tenha assistido um show até o final. Será que me precipitei em deixar o recinto com 20 minutos de apresentação, caro Zema? Abraço.

  2. Gostei das observações sobre o filme. Assisti e fiquei ate o final, tb esperava mt, mt mais. Sou fa de legião e Renato da tempo, nunca tive oportunidade de assistir seus shows e acreditei que cronovisor seria bom. No entanto, me enganei. Erros, comentários machistas e uma certa manipulação da plateia c as falas e um humor tosco. Confesso q as musicas e a lembrança de R.R me envolveram

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