Vanessa Bumagny e o poder (do) feminino

O segundo sexo. Capa. Reprodução
O segundo sexo. Capa. Reprodução

 

Vanessa Bumagny toma emprestado do clássico de Simone de Beauvoir, o título de seu terceiro disco, O segundo sexo [2015], mas engana-se quem esperar encontrar ali um manifesto feminista ou coisa do tipo.

No entanto, esta discreta parceira de nomes como Chico César e Zeca Baleiro – que comparece ao disco em participação especial na faixa-título – demonstra seu empoderamento feminino, por exemplo, ao assinar, sozinha ou com parceiros, todas as faixas do disco.

Acompanhada de músicos como Adriano Magoo (sanfona, teclado), Érico Theobaldo (programação de bateria, bateria, baixo, guitarra), Fernando Nunes (contrabaixo), Roger Menn (guitarra, violão), Rovilson Pascoal (violões) e Zeca Loureiro (guitarra), entre outros, Vanessa Bumagny desfila toda sua versatilidade e talento.

O segundo sexo (Luiz Pinheiro/ Vanessa Bumagny) tem clima de new wave e lembra o pop do Metrô. “É duro ser o segundo sexo, o primeiro, o terceiro e todos os demais”, provoca a letra, para reafirmar, mais adiante: “é duro ser o primeiro filho, o caçula, o do meio e todos os demais”. Música alegre para tristes tempos: no fundo, é duro ser humano, hoje em dia.

Nada igual por aí evoca Cor de rosa choque (Rita Lee/ Roberto de Carvalho): “isso vermelho é sangue cuidado está vivo e pulsa/ quente como nunca se viu nada igual por aí”, diz a letra de Vanessa Bumagny, cujo arranjo é outro ponto do disco que nos leva a pensar em bons momentos do pop rock nacional oitentista. “Este disco é dedicado a quem escuta inocentemente como se fosse sempre a primeira vez”, a artista arremata no encarte provocantemente.

No repertório do sucessor de De papel [2003] – título que é o significado de seu sobrenome – e Pétala por pétala [2009] – batizado por parceria com Chico César, também gravada pelo parceiro – destacam-se ainda O que for melhor (Vanessa Bumagny), faixa que abre o disco com sua luminosidade musical, a valsa Você era meu sonho (Heloiza Ribeiro/ Vanessa Bumagny), A Carlos Drummond de Andrade, em que ela musica um poema do “anti-musical” João Cabral de Melo Neto, Tristeza só (Vanessa Bumagny), samba à base de baixo, guitarra e bateria, e Do meu jeito (Luiz Tatit/ Vanessa Bumagny), em que a protagonista parece fraquejar, mas no fundo é senhora de sua decisão.

Ouça Tristeza só (Vanessa Bumagny):

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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