A cor do som

O Assanhado Quarteto em foto de Rafael Mota
O Assanhado Quarteto em foto de Rafael Mota

 

O clima de Feira [2015] vai muito além do nome do disco e do belo projeto gráfico da estreia do Assanhado Quarteto. André Milagres (violão sete cordas e guitarra), Bruno Vellozo (contrabaixo), Lucas Ladeia (cavaquinho) e Rodrigo Heringer, o Picolé (bateria, vibrafone e percussão) pegaram emprestado o choro de Jacob do Bandolim para batizar seu grupo, que foge do convencional – vide os instrumentos utilizados para tocar choro (mas não só) – para apresentar sua música, tão colorida quanto uma boa feira.

Os quatro cursavam mestrado na Unirio quando conheceram Mário Séve, ás dos sopros, integrante do Nó em Pingo d’Água, cuja sonoridade influenciou o quarteto. O bamba acabou aceitando o convite e produzindo o disco do Assanhado. No texto do encarte destaca o “repertório que, de uma forma instigante e inspirada, dialogava não só com o choro, mas com outros estilos musicais”, os “deliciosos arranjos “progressivos””.

Feira. Capa. Reproducao
Feira. Capa. Reproducao

Em vez de optarem por um caminho fácil (regravar choros conhecidos), um meio termo (mesclar choros conhecidos e inéditos), eles optaram pelo mais desafiador: Feira é completamente autoral e inédito.

Põe fiado! (André Milagres/ Lucas Ladeia/ Rodrigo Heringer) é a vinheta de abertura, uma balbúrdia sonora a lembrar o ambiente de trabalho dos feirantes. Tilho no choro (Lucas Ladeia) é um chorinho em que cavaquinho e contrabaixo dialogam inspiradamente. Dia bom (Rodrigo Heringer) começa a destacar o vibrafone, instrumento pouco usual no choro, mais comum no jazz. O instrumento volta a tomar as atenções para si em Maíra (André Milagres).

Mário Sève comparece a Atreva-se (Lucas Ladeia) e Do avarandado (Rodrigo Heringer), em que sola e dialoga com o quarteto, no que é uma das justificativas do título do disco: Feira é lugar de trocas e bastante popular.

A percussão que abre Cocada preta (André Milagres), reforçada pelo diálogo que se segue com o contrabaixo, remete ao bumba meu boi. O inventor inglês Richard Trevithick é o homenageado em Trevithick way (Lucas Telles). Ao mestre (André Milagres) é o momento em que mais o Assanhado Quarteto se aproxima da música erudita, o que poderia ser quase um imperativo para um grupo formado no âmbito da academia.

O cavaquinho vibrante de Bambolê evoca o bandolim de Jacob eu seus momentos mais próximos ao samba – com seus mais de sete minutos, a faixa mais longa do disco certamente é um dos arranjos progressivos de que falou Mário Sève, cujo saxofone assume ares progressivos em Do avarandado, faixa que encerra Feira.

Atualmente radicados no Rio de Janeiro, essa turma vinda da terra do Clube da Esquina faz bonito ao armar sua banca de boa música nesta imensa feira chamada Brasil.

Ouça o Assanhado Quarteto em Do avarandado (Rodrigo Heringer):

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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