Samba de roda e mina

Quintais. Capa. Reproducao
Quintais. Capa. Reproducao

 

Roque Ferreira assina mais de um terço do repertório de Quintais [2016], novo disco de Clécia Queiroz, que dedicou à obra do compositor conterrâneo seu disco anterior, Samba de Roque [2009] – ela estreou com Chegar à Bahia [1999].

Parceria dela e dele, a faixa Quintais batiza este novo álbum da cantora baiana, plural deste sinônimo de terreiro, espaço propício para a prática do samba de roda, presença constante no repertório, feito a cavaquinho (Dudu Reis), violão (Marcos Bezerra), percussão (Sebastian Notini e Bira Monteiro) e marcado a palmas, com aparições ocasionais de flauta, saxofone, clarinete, trombone, violino, flugelhorn, com participações especiais de Targino Gondim (sanfona em Águas de Oxum, parceria de Roque com J. Velloso), Dona Nadir (voz no Trecho de sodade de domínio público que abre Samba bom, de J. Velloso e Alexandre Leão) e Sú de Oiá (voz na vinheta Salve Xangô, dela).

O título dialoga com o do mais recente álbum da também conterrânea Maria Bethânia, Meus quintais [Biscoito Fino, 2014], outra grande intérprete de Roque Ferreira e, de resto, do universo do samba de roda do Recôncavo Baiano, patrimônio imaterial da humanidade pela Unesco. “Foi escolhido de uma maneira insólita, depois de muita hesitação. Era necessário encontrar alguma coisa bonita e direta, sincera mesmo e que, sozinha, desse conta de tantas histórias, reunisse em suas poucas sílabas tantos climas, ritmos, arranjos e textos diferentes”, explica Vítor Queiroz em texto no encarte – o projeto gráfico, fazendo lembrar um antigo compacto, no formato e tamanho, merece destaque.

Flor d’água (Samir Trindade) é homônima ao maior sucesso da Banda de Pau e Corda, de Pernambuco. Pedra papel e tesoura (Samir Trindade) usa o lúdico dos brinquedos infantis para falar de amor: “pedra papel e tesoura/ par ou ímpar zerinho ou um/ é só ter você na memória/ que o peito faz/ tum tum tum tum”, começa a letra.

A sequência formada por Caruru (Samir Trindade), Salve Xangô, o medley Homenagem a Xangô, com Xorodô (Emília Biancardi), A lua de Nanã (Clécia Queiroz) – “inspirado livremente em O celular de Naná, de Otto”, como alerta o encarte sobre as semelhanças entre a homenagem do pernambucano ao conterrâneo falecido este ano – e Eu saravei (Sú de Oiá), Águas de Oxum e Areia branca (Roque Ferreira) visita o universo dos orixás e do tambor de mina, de forte presença no Maranhão, sobretudo no interior do estado.

Difícil não querer entrar na roda e dançar, mesmo sem saber ou sem ter quintal.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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