O respeitável cidadão faker

Frame de Cidadão Kane. Reprodução
Frame de Cidadão Kane. Reprodução

 

Antes da fama mundial com Cidadão Kane [1941, 119 minutos], Orson Welles transmitiu, em 1938, uma adaptação radiofônica de A guerra dos mundos, de H. G. Wells.

Em outubro de 1971, a rádio Difusora, ao completar 16 anos, repetiu a experiência, com a diferença de que, nos Estados Unidos de mais de 30 anos antes, os ouvintes sabiam tratar-se de obra de ficção.

A invasão marciana anunciada pelos radialistas de cá, entre os quais o sonoplasta Elvas Ribeiro, vulgo Parafuso, em cuja insuspeita opinião Cidadão Kane é o melhor filme de todos os tempos, foi tratada como se fosse real, assustando alguns ouvintes.

A história é deliciosamente contada em Outubro de 71: memórias fantásticas da Guerra dos Mundos, organizado pelo professor Francisco Gonçalves da Conceição, hoje secretário de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular.

Lembro o episódio por conta da mostra Mr. Faker – Orson Welles e a autoria na indústria do cinema, que o Sesc/MA abre amanhã (12), às 18h30, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, Praia Grande), de graça – os ingressos podem ser retirados na bilheteria do cinema, com meia hora de antecedência a cada sessão.

“Faker (impostor) é uma referência recebida por Orson Welles por criar um conceito estético em sua obra onde o falso foi utilizado como essência da própria arte para confrontar e desmascarar a realidade em busca da verdade”, explica o texto de divulgação da mostra.

Serão exibidos 11 filmes de Welles, a começar por sua estreia, Cidadão Kane, interpretado pelo próprio diretor. Indicado ao Oscar em várias categorias, o filme levou a estatueta de melhor roteiro original. O diretor tinha então, apenas 25 anos.

Cidadão Kane retrata a vida do fictício Charles Foster Kane, baseada na do real William Randolph Hearst, barão da mídia estadunidense, dono de uma rede com mais de 30 jornais, personagem fundamental para o conceito de imprensa marrom.

Entre os filmes da programação também está A marca da maldade [1958, 95 min.], misto de policial e suspense, digno de Hitchcock. Com música de Henri Mancini (autor do antológico tema de A pantera cor de rosa), a obra escancara a questão da corrupção e violência policial, com sua fábrica de provas contra quem deseja incriminar – mais atual, impossível.

Veja a programação completa da mostra Mr. Faker – Orson Welles e a autoria na indústria do cinema:

Amanhã (12)
18h30: Cidadão Kane

13 (quarta-feira)
16h: Grilhões do passado [1955, 93 min.]
18h: Verdades e mentiras [1973, 89 min., colorido]
20h: A marca da maldade

14 (quinta)
16h: Falstaff: o toque da meia noite [1965, 98 min.]
18h: O estranho [1946, 95 min.]
20h: Macbeth [1948, 89 min.]

15 (sexta)
14h: A dama de Shangai [1947, 87 min.]
18h: Dom Quixote [1992, 116 min.]
20h: Soberba [1942, 88 min.]

16 (sábado)
14h: O processo [1962, 107 min.]
18h: Cidadão Kane
20h: Verdades e mentiras

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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