Segundo álbum de Tom Zé é relançado

Tom Zé. Capa. Reprodução
Tom Zé. Capa. Reprodução

 

Em Tom Zé ou Quem irá colocar dinamite na cabeça do século [documentário, Brasil, 2000, de Carla Regina Gallo Santos], o compositor baiano, que venceu o Festival da Record de 1968 com São Paulo, meu amor (São São Paulo), revela a frustração com o comentário de Edu Lobo: “a música de Milton Nascimento é música em qualquer lugar”, teria dito o filho de Fernando sobre o preterido.

Tom Zé revela ainda que trabalhou a partir de então para se autossabotar. O mais tropicalista entre os tropicalistas, após a estreia no mesmo ano do disco-manifesto do movimento, lançou, dois anos depois, um álbum intitulado simplesmente Tom Zé [RGE, 1970], onde afirma que “as melhores ideias deste disco devem ser divididas com os meus alunos de composição da SOFISTÍ-BALACOBADO (muito som e pouco papo) e com Augusto de Campos”, grifo dele, em texto reproduzido na contracapa do álbum, que a Som Livre, braço fonográfico das organizações Globo, recoloca no mercado 46 anos após seu lançamento.

Ia na contramão da declaração no documentário, pois o segundo disco ganha em sofisticação e traz algumas de suas músicas mais marcantes. Uma pena o relançamento não trazer, no encarte, informações sobre os instrumentistas que participaram das gravações.

O autor de Dulcinéia Popular Brasileira, Qualquer bobagem (com Os Mutantes), O riso e a faca, Jimmy, renda-se (Jimi renda-se) e Jeitinho dela, para citar apenas faixas deste disco de 1970, deve muito a relançamentos. É por demais conhecida sua redescoberta, a partir do interesse do talking head David Byrne por seus discos, encontrados por ele por acaso em sebos cariocas, na década de 1990, especialmente Estudando o samba [1975], que desencadeou relançamentos nos Estados Unidos pelo selo Luaka Bop – a reboque, no Brasil, pela Trama. Tom Zé deixava o ostracismo por que passou boa parte das décadas de 1980 e 90 para reocupar definitivamente seu devido lugar na MPB, embora a sigla não seja suficiente para comportar-lhe.

De Com defeito de fabricação [1998] para cá, Tom Zé lança discos regularmente, com motes interessantes e sintonizado com a geração (Y) mais jovem, o que faz dele um dos compositores mais interessantes, geniais e joviais do Brasil. Em 2016 completa 80 anos de idade – e nem vou falar aqui de sua vitalidade no palco.

Antes tarde do que nunca, Tom Zé tem três músicas na trilha sonora da novela global Velho Chico – o que não deixa de ser sinônimo de sucesso: Dor e dor, Senhor cidadão e Um oh! e um ah!.

Sobre Tom Zé, o disco ora relançado, restam ainda três curiosidades: a burrice dos censores da ditadura militar brasileira alcançou a segunda faixa, Guindaste a rigor. Tom Zé foi obrigado a gravar “assopro de coca-cola” em vez de “arroto”, como dizia a letra original; a contracapa traz a seguinte cobrança: “aproveito a ocasião para informar que a Prefeitura de São Paulo não me pagou até agora o prêmio de primeiro lugar (São Paulo, meu amor) do Festival da Record de 1968 e até começou a dizer que não assumiu esta obrigação”.

A terceira é a seguinte: procurado por Homem de vícios antigos para uma entrevista sobre o relançamento e sua importância, o compositor afirmou, através de sua produção, não ter sido comunicado sobre o assunto pela Som Livre.

Ouçam Tom Zé em Guindaste a rigor:

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

4 comentários em “Segundo álbum de Tom Zé é relançado”

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