Show de sensibilidade

EMILIO AZEVEDO*
ESPECIAL PARA O BLOGUE

Acompanhada do sete cordas João Eudes, Tássia canta Nara. Foto: Rejane Galeno
Acompanhada do sete cordas João Eudes, Tássia canta Nara. Foto: Rejane Galeno

Foi num lugar muito especial, o bar do senhor Francisco de Assis Leitão Barbosa, no Centro de São Luís. Ocorreu no dia 22 de janeiro de 2016. A cantora arrebentou. Deitou e rolou, fez e aconteceu. Introjetou letras e músicas, soltando a voz, descendo literalmente do salto e fazendo chover literalmente. Enfim, assistido por uns 70 privilegiados, foi muito interessante o show que Tássia Campos fez ontem, no Chico Discos, homenageando Nara Leão.

Acompanhada do músico violonista João Eudes, ela cantou composições de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Ronaldo Bôscoli, João Gilberto, Fagner, Zé Kéti, João do Vale, Roberto e Erasmo Carlos, Bené Nunes, Ari Barroso e Chico Buarque de Holanda. Destaque (as que mais me arrepiaram) para Carcará (João do Vale e José Cândido), João e Maria (Chico Buarque e Sivuca) e Noite dos Mascarados (Chico Buarque). Ao todo foram vinte canções, com mais duas após os pedidos de “mais umas”.

Tássia agrada naturalmente pela voz, misto de talento e trabalho. Como me disse Leo (o do outro Bar), “é uma menina estudiosa”. Mas, além da dádiva e do estudo, ela me chama a atenção por certa agressividade. Não por uma agressividade fruto da grosseria inconsequente, ou de algum tipo de estupidez. Falo de uma agressividade que se reflete (também) no palco e me parece relacionada com sensibilidade, ternura e insubordinação, consequência de inquietações artísticas, sociais, místicas, existenciais, libertárias.

É a mesma bendita insubordinação que fez com ela mandasse “se fuder”, um burocrata que certa vez tentou atrapalhar seu trabalho no antigo bar Odeon, ou então, a ternura que lhe deixou de olhos arregalados, ao observar os versos de Carlos Drummond de Andrade, declamados pela atriz Rosa Everton, na abertura deste mesmo show dedicado a Nara Leão. É a sensibilidade de uma operária da arte, que com seu cotidiano de cigarra-formiga, enfrenta diariamente “os batalhões”, “os alemães e seus canhões” e que guarda “o seu bodoque, ensaiando rocks para as matinês”.

*Emilio Azevedo é jornalista do Vias de Fato.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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