Em sua 10ª. edição, Mostra Cinema e Direitos Humanos amplia abrangência

A 10ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo pode até ter sofrido com os cortes orçamentários do governo, mas, por outro lado, como indica o nome, continuou crescendo em relação à abrangência das obras exibidas. O que começou como América do Sul logo virou Hemisfério Sul e, agora, Mundo. O que antes chegava a apenas algumas capitais, logo alcançou todas, além de algumas cidades do interior do Brasil.

A etapa São Luís deste ano acontece entre os próximos 3 a 9 de dezembro, no Cine Praia Grande (Centro de Criatividade Odylo Costa, filho, que volta a abrigar o evento). 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens compõem as três mostras em que se divide a programação: Homenagem, Panorama e Temática. A primeira apresenta uma retrospectiva de obras apresentadas pela Mostra ao longo de sua primeira década de existência; a segunda reúne 24 filmes produzidos a partir de 2011 no Brasil, Estados Unidos, França e Singapura, selecionados por chamada pública; a terceira exibirá filmes sobre direitos de crianças e adolescentes.

A Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo é uma realização do Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos. Este ano, a produção é do Instituto Cultura em Movimento (Icem), o mesmo responsável pela mostra Cinema Pela Verdade, com filmes que enfocam o período da ditadura militar brasileira, realizada em universidades em todas as capitais do país.

Uma novidade na programação deste ano é a realização de sessões matutinas. “Esse ano a gente preferiu otimizar o tempo e não fazer as sessões sempre nos mesmos horários. Desta forma dá para ter mais sessões. Há dias com três, quatro e cinco sessões”, antecipou Nat Maciel, produtora local da Mostra. As sessões acontecem das 9h às 21h, todas com entrada gratuita.

Entre os destaques da programação estão os longas Betinho – A esperança equilibrista e Branco sai, preto fica, o primeiro a cinebiografia do sociólogo Herbert de Souza; o segundo, “um manifesto das classes pobres sobre o estado do Brasil”, de acordo com o crítico Inácio Araújo, da Folha de S. Paulo.

Confira a seguir, a programação da Etapa São Luís da 10ª. Mostra Cinema e Direitos Humanos no Mundo:

3 de dezembro (quinta-feira)

9h

Eu não quero voltar sozinho [de Daniel Ribeiro e Diane Almeida, ficção, Brasil, 2010, 17 min.]. Sinopse: Leonardo, um adolescente deficiente visual, muda de vida totalmente com a chegada de Gabriel, um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo que tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana, ele vive a inocência da descoberta do amor entre dois adolescentes gays.

Quando a casa é a rua [de Theresa Jessouroun, documentário, Brasil, 2012, 35 min.]. O que leva crianças e jovens a viver nas ruas? O que faz com que deixem as ruas? O documentário procura responder essas perguntas com depoimentos e imagens cotidianas de jovens que cresceram nas ruas da cidade do México e do Rio de Janeiro.

15h (sessão com audiodescrição)

Pele um real [de Aline Guimarães, ficção, Brasil, 2015, 15 min.]. Cinco adolescentes, vendedores ambulantes nos sinais do Rio de Janeiro, enfrentam uma realidade estampada no cenário da cidade e vista por muitos através das janelas de seus carros. Numa sobrevida de baixa perspectiva, Pele, o recém-chegado ao grupo, se apaixona por Iara, conhecida por todos pela sua simpatia.

Muito Além do Peso [de Estela Renner, documentário, Brasil, 2012, 90 min.]. O filme mergulha no tema da obesidade infantil ao discutir porque 33% das crianças brasileiras pesam mais do que deviam. As respostas envolvem a indústria, a publicidade, o governo e a sociedade de modo geral.

16h50

Léo [de Mariani Ferreira, ficção, Brasil, 2015, 15 min.]. Rodrigo não aceita a homossexualidade do irmão caçula, Léo. Por isso, provocará uma tragédia da qual os dois serão as maiores vítimas.

Habita-me se em ti transito [de Claudia Rangel, documentário, Brasil, 2014, 22 min.]. Apresenta 10 entrevistados em situação de rua em Juiz de Fora/MG. No discurso oral e pelas imagens, o filme aborda a sobrevivência nos espaços urbanos, a relação dos entrevistados com o entorno, o vício do álcool e do crack, a prostituição e a vulnerabilidade desta parcela marginalizada da população.

Quem matou Eloá [de Lívia Perez, documentário, Brasil, 2015, 24 min.]. Uma análise crítica sobre a espetacularização da violência e a abordagem da mídia televisiva nos casos de violência contra a mulher, revelando um dos motivos pelo qual o Brasil é o sétimo num ranking de países que mais matam mulheres.

18h

Meu amigo Nietzche [de Fáuston da Silva, ficção, Brasil, 2012, 15 min.]. O improvável encontro entre Lucas e Nietzsche será o início de uma grande revolução na mente do garoto, em sua família e na sociedade. Ao final, ele não será mais um menino. Será uma dinamite.

Silêncio das inocentes [de Ique Gazzola, documentário, Brasil, 2010, 52 min.]. Uma denúncia urgente, necessária e inadiável sobre a violência contra a mulher que, mesmo depois de quatro anos da criação da lei Maria da Penha, continua fazendo muitas vítimas no Brasil.

19h

Abraço de Maré [de Victor Ciriaco, documentário, Brasil, 2013, 16 min.]. No meio da atribulação de um centro urbano, cinco pessoas vivem na mais pura sintonia entre a natureza e a cidade. Do asfalto ao mangue, o curta-metragem documental traz para a tela a história de vida de uma família ribeirinha, que mora em uma casa de taipa às margens do rio Potengi.

Betinho – A Esperança Equilibrista [de Victor Lopes, documentário, Brasil, 2015, 89 min.]. Sociólogo e ativista, Herbert de Souza, o Betinho, tinha a saúde frágil, mas a força dos grandes idealistas. Lutou permanentemente contra as injustiças e a favor da vida. Liderou diversos movimentos sociais, mobilizando milhões de brasileiros a ajudar a mudar o rumo do país.

4 (sexta)

9h

A visita [de Leandro Corinto, ficção, Brasil, 2014, 8 min.]. Matheus vive com seu tio Theo, a quem chama de pai. Seu pai biológico foi morar no exterior quando ele era muito pequeno, então ele sequer tem lembranças dele. Hoje, Matheus finalmente receberá a visita de seu verdadeiro pai, o que lhe trará alguns questionamentos e uma surpresa.

Alma da Gente [de Helena Solbertg e David Meyer, documentário, Brasil, 2013, 83 min.]. Um grupo de jovens da Zona Norte do Rio de Janeiro ensaia o último espetáculo do Corpo de Dança da Maré, coordenado pelo Coreógrafo Ivaldo Bertazzo. Filmado com um intervalo de 10 anos, o documentário mostra os diferentes destinos dos personagens, marcados pela transformação através da arte.

15h

Correntes [de Caio Cavechini, Ivan Paganotti e Evelyn Kuriki, documentário, Brasil, 2006, 58 min.]. O filme foca as experiências dos que combatem a escravidão nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. Ele apresenta as experiências e o cotidiano dos representantes da sociedade civil, de instituições e de entidades governamentais enquanto tenta refletir sobre as vitórias e desafios do combate à escravidão.

16h

O Contador de Histórias [de Luiz Villaça, ficção, Brasil, 2009, 110 min.]. Criado na Febem e adotado por uma pedagoga francesa, Roberto Carlos retorna à Febem, após concluir seus estudos, como educador. Ali começa sua história com outras crianças e adolescentes. Ele vai adotando-os e criando uma família numerosa, com 20 filhos adotivos. Alguns ditos irrecuperáveis, como ele, pelas instituições.

18h

Nunca Mais! Cochabamba, 11 de janeiro de 2007 [de Roberto Alem, documentário, Bolívia, 2007, 52 min.]. A Bolívia vive uma série de transformações políticas e sociais que deflagraram trágicos acontecimentos. Um deles ocorreu na cidade de Cochabamba em 11 de janeiro de 2007, quando se enfrentaram duas forças, dois projetos políticos, duas visões de país, e carregaram para o olho do furacão mais de 80 mil pessoas.

19h

Numa Escola em Havana [de Ernesto Daranas, ficção, Cuba, 2014, 108 min.]. Chala, um garoto de 11 anos, vive com sua mãe viciada em drogas, Sonia. Para sustentar a casa, ele treina cães de briga, indiretamente ajudado por um homem que pode ser ou não seu pai biológico. As dificuldades de sua vida refletem na escola, onde é aluno de Carmela, por quem ele tem um grande respeito.

5 (sábado)

15h

Cartas do desterro [de Coraci Ruiz e Julio Matos, documentário, Brasil, 2014, 15 min.]. Oksana é armena; Salamu é saharaui. Ambos vivem em Londres, cidade que abriga milhares de imigrantes e refugiados de diversas partes do mundo. Neste filme, foram convidados a escreverem cartas contando a sua história.

Sobre coragem [de Guilherme Xavier, documentário, Brasil, 2014, 23 min.]. Propõe experiência olho a olho com moradores da maior ocupação Sem-Teto da América Latina: a Vila Nova Palestina, localizada às margens de uma reserva ambiental ao extremo sul de São Paulo. Um desabafo de superação existencial que trata de opressões, abandono, religião e saudade.

Porque temos esperança [de Susanna Lira, documentário, Brasil, 2014, 71 min.]. Mostra a jornada de uma mulher pernambucana e a sua rejeição para tudo aquilo que parece não ter jeito. Vivendo profundos dilemas na vida pessoal e na tentativa de reconstruir outras vidas, ela inicia uma trajetória pelos presídios de Recife, na intenção que pais reconheçam seus filhos.

16h45

Nau insensata [de Cristiano Sidoti, documentário, Brasil, 2014, 15 min.]. Dias após o golpe militar no Brasil, em 1964, um navio prisão foi enviado à cidade de Santos. 50 anos depois ex-presos retornam ao cais e relembram os fatos vividos.

Do outro lado da cozinha [de Jeanne Dosse, documentário, França-Brasil, 2013, 40 min.]. A história entre uma “mãe preta” e uma filha de patrões. Uma relação de amor puro une a criança à sua babá, e no entanto, esconde todo um sistema sociocultural que rege a sociedade brasileira.

17h40

Memória para o uso diário [de Beth Fromaggni, documentário, Brasil, 2007, 80 min.]. Ivanilda busca evidências que provem que seu marido, desaparecido desde 1975, foi preso pelo governo brasileiro. Romildo procura pelo corpo de seu irmão num cemitério do subúrbio carioca. Mães choram por seus filhos, assassinados pela polícia nas favelas.

19h

A visita
Alma da gente

6 (domingo)

15h

O Plantador de quiabos [de Coletivo Santa Madeira, ficção, Brasil, 2010, 15 min.]. Uma tragicomédia sobre um agricultor que decide comprar uma bicicleta para aumentar sua produção no campo.

Procura-se Janaína [de Miriam Chnaiderman, documentário, Brasil, 2007, 54 min.]. Há crianças sem lugar no mundo, entregues a instituições e que não se desenvolvem nos padrões esperados: não são portadoras de deficiências, mas também não têm um desenvolvimento dito normal. Assim era Janaína: negra, pobre e institucionalizada na Febem dos anos 1980. Duas décadas depois, onde estará Janaína?

16h30

Na direção do som [de Jonathan Gentil e Pedro Prado, documentário, Brasil, 2013, 15 min.]. Marcelo Temtem é um pescador que perdeu a visão aos 21 anos. Aos 42 ele encara uma nova experiência ao dirigir o novo videoclipe da banda Tarrafa Elétrica. O documentário acompanha os bastidores da produção deste videoclipe.

Ninguém nasce no paraíso [de Alan Schvarsberg, documentário, Brasil, 2015, 25 min.]. Em Fernando de Noronha, espécies em extinção encontram abrigo e políticas de preservação. Em contrapartida, a espécie humana encontra-se em extinção diante da atual proibição do nascimento na ilha, quando as gestantes são expulsas aos sete meses de gravidez e forçadas a deixar suas casas rumo a Recife ou Natal.

Félix, o herói da Barra [de Edson Fogaça, documentário, Brasil, 2015, 72 min.]. Félix, herói fundador da comunidade de Barra de Aroeira/TO, seria um ex-escravo que teria lutado na guerra do Paraguai e recebido de D. Pedro II uma grande extensão de terras pela sua atuação no conflito. A perda do documento real gerou um conflito pela posse das terras que já dura mais de 50 anos.

18h

O muro é o meio [de Eudaldo Monção Jr., documentário, Brasil, 2014, 15 min.]. Aborda pichações de protesto gravados nos muros da Universidade Federal de Sergipe. São gritos de revolta pela falta de segurança no Campus, estrutura e qualidade de ensino. As pichações são mostradas como formas de indignação, reivindicação e também de comunicação contra a apatia das paredes brancas que abafam os conflitos socioculturais.

Branco sai, preto fica [de Adirley Queirós, documentário-ficção, Brasil, 2015, 93 min.]. Tiros em um baile de black music na periferia de Brasília ferem dois homens, que ficam marcados para sempre. Um terceiro vem do futuro para investigar o acontecido e provar que a culpa é da sociedade repressiva.

7 (segunda)

9h

Numa escola em Havana

15h

Gigantes da Alegria [de Ricardo Rodrigues e Vitor Gracciano, documentário, Brasil, 2012, 12 min.]. Os Gigantes da Alegria desfilam todos os anos na Sapucaí, na escola de samba Embaixadores da Alegria, abrindo o desfile das campeãs do carnaval. Os portadores de nanismo e deficiências físicas se destacam.

Encantados [de Tizuka Yamasaki, ficção, Brasil, 2014, 78 min.]. Atrevida e perseverante até a teimosia, Zeneida se transforma quando é desafiada. Tem acessos de pânico. O pai quer interná-la num hospício. Zeneida só quer sobreviver, agora que encontrou seu primeiro grande amor: Antonio, o Encantado Sucuri.

16h30

500 – Os Bebês Roubados pela Ditadura Argentina [de Alexandre Valenti, documentário, Argentina/Brasil, 2013, 100 min.]. Durante a ditadura militar na Argentina foram sequestrados bebês e crianças, filhos de presos e desaparecidos políticos ou nascidos em prisões clandestinas ou centros de tortura e extermínio. O grupo “Avós da Praça de Maio” criou o “Banco dos 500”, uma luta para localizar as 500 crianças a partir de amostras de seus próprios sangues.

18h20

Nau insensata
Do outro lado da cozinha

8 (terça)

9h

500 – Os Bebês Roubados pela Ditadura Argentina

14h40

Do meu lado [de Tarcisio Lara Puiati, ficção, Brasil, 2014, 14 min.]. As vidas de duas vizinhas, uma umbandista e uma protestante, começam a se cruzar quando uma infiltração abre um buraco na parede que divide suas casas.

Colegas [de Marcelo Galvão, ficção, Brasil, 2013, 103 min.]. Uma divertida aventura que trata de forma poética coisas simples da vida, através dos olhos de três personagens com síndrome de Down. Eles trabalham na videoteca do instituto onde vivem e um dia, resolvem fugir no Karmann-Ghia do jardineiro (Lima Duarte).

16h45

Numa escola em Havana

18h30

Eu não quero voltar sozinho
Quando a casa é a rua

19h30

Sandrine [de Elen Linth e Leandro Rodrigues, ficção, Brasil, 2015, 12 min.]. Entre a matemática e a relação conturbada com mãe, Sandrine espera por uma cirurgia no corredor de um hospital.

À Queima Roupa [de Theresa Jessouroun, documentário, Brasil, 2014, 90 min.]. Filme mostra a violência e a corrupção da polícia do Rio de Janeiro nos últimos 20 anos, apresentando os fatos mais emblemáticos deste período do ponto de vista dos familiares, testemunhas, sobreviventes e demais envolvidos diretamente nos casos, como advogados, promotores e juízes.

9 (quarta)

9h

O Contador de Histórias

14h

A visita
Alma da Gente

16h30

Abraço de Maré
Betinho – A Esperança Equilibrista

18h30

Submarino [de Rafael Aidar, ficção, Brasil, 2014, 20 min.]. Dois anos após a morte do seu companheiro, Olavo vive isolado aos 85 anos. Na solidão do luto ele se aventura pelo mundo virtual, submergindo em uma grande fantasia entre os espaços públicos e privados da internet.

Quando meus pais não estão em casa [de Anthony Chen, ficção, Singapura, 2013, 99 min.]. A rotina da família Lim é modificada com a chegada de Terry, empregada doméstica que foi para a cidade sonhando com uma vida melhor. Encarregada de cuidar do filho do casal, ela desenvolve uma relação íntima com o menino.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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