“60 é o novo 30”

Birdman. Capa. Reprodução
Birdman. Capa. Reprodução

Depois de se tornar um sucesso interpretando um personagem no cinema – o Birdman que dá nome ao filme – um ator tenta refazer a carreira no teatro, em crise consigo mesmo e com a família – é separado da esposa, com quem tem uma filha adulta, sua assistente na nova ambição.

O cinema de Alejandro González Iñárritu – de petardos como Amores brutos, Babel e Biutiful, entre outros – continua distribuindo tapas na cara de nossa sociedade. “A única obsessão de vocês é viralizar”, vemos o protagonista dizer à sua filha, que por sua vez retruca que toda a dedicação do pai em montar uma peça de Raymond Carver é seu ego inflado, “nada a ver com arte”.

“Um crítico se torna um crítico por não ter qualidades suficientes para ser um artista”, é o que mais ou menos – cito de memória – diz Riggan Thomson (Michael Keaton), o personagem central, à crítica de teatro de um jornalão cuja opinião parece ser a única preocupação do elenco. Ela ameaça “destruir” sua montagem – mesmo antes de vê-la.

A cena que afinal garantiria o sucesso (de crítica) da peça – ou, antes, o acidente durante – lembrou o conto-título de O homem-mulher, de Sérgio Sant’Anna, que daria um ótimo filme.

Após a contratação de Mike Shiner (Edward Norton), o sucesso (de público) – mesmo para a pré-estreia – é imediato, o que contribui para as crises de Thomson. Numa cena, espécie de ensaio aberto, o novo integrante do elenco brada para que a plateia abandone os celulares e tenha uma experiência própria, sem mediação, que, mesmo no papel de espectadores, vivam, enfim.

Enquanto tenta provar que é um ator (e diretor) para além do personagem – e/m roupa de pássaro – que o consagrou, Riggan é atormentado com a voz (e presença) do homem pássaro em sua cabeça, recomendando-lhe a volta a ele – ao personagem, ao estrelato.

Birdman nos leva o tempo todo a questionar os limites e interseções entre ego, vaidade, bastidores, relações, fama, sucesso, crítica, arte “de verdade” e a que merece o desprezo da crítica, por vezes apesar do sucesso de público.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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