Chorografia do Maranhão: Márcio Guimarães

[O Imparcial, 25 de janeiro de 2015]

Cavaquinista do Cantinho do Choro e um dos articuladores da cena choro em São Luís, o herdeiro musical de Six é o 46º. entrevistado da série Chorografia do Maranhão

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

TEXTO: RICARTE ALMEIDA SANTOS E ZEMA RIBEIRO
FOTOS: RIVANIO ALMEIDA SANTOS

Márcio Henrique Guterres Guimarães é um dos novos militantes da cena choro em São Luís do Maranhão, cidade em que nasceu em 12 de novembro de 1981. Há cerca de dois anos “sentou praça” na praça Gonçalves Dias, cartão postal também chamado de Largo dos Amores, no Centro da capital maranhense.

Com recursos do próprio bolso e a ajuda de amigos fundou o movimento Cantinho do Choro, que realizou no logradouro apresentações gratuitas aos sábados, aproveitando a beleza da vista do por do sol no lugar. Sem patrocínio e estrutura, o projeto foi forçado a acabar. Mas guerrilheiros fiéis do gênero seguiram o comandante e fundaram o grupo Cantinho do Choro, que se apresenta semanalmente às quartas-feiras no Salomé Bar, novo point da Lagoa.

Márcio Guimarães é filho de José Henrique da Silva Guimarães, engenheiro, e Maria Raimunda Guterres Guimarães, funcionária pública. É sobrinho-neto de Francisco de Assis Carvalho da Silva, o Six, advogado e cavaquinista falecido, a seu tempo, um dos agitadores do gênero no país – entre outros feitos, fundou o Clube do Choro de Brasília.

Casado com Thaís Monteiro Frias Guimarães, a musicista e produtora cultural Tathy Estrela, que acompanhou a entrevista, e pai da pequena Luna, Márcio foi o primeiro aluno formado em cavaquinho na Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo [EMEM].

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Quais as tuas primeiras lembranças de música na infância? Eu fui me envolver mesmo com música aos 15 anos, quando eu saí em bloco tradicional. Fui começar a tocar cavaquinho aos 19. Sempre envolvido com música. Eu tinha um tio, que eu me lembro vagamente, não tive oportunidade de tocar com ele, que é o Six, um dos fundadores do Clube do Choro de Brasília. Era meu tio. Cheguei a presenciar algumas rodas de choro dele aqui em São Luís, na casa de meus parentes.

Teus pais gostam de música? Meu pai é boêmio, sempre gostou de música. Minha mãe é mais parada, na dela, mas sempre gostou de ouvir aquele estilo de música, Roberto Carlos, mais MPB.

E se ouvia muita música em tua casa? Teus pais compravam muitos discos? Muita música. Houve uma época, há uns 15 anos eu era dj, e ficava pesquisando estilos de música da época e o que havia de novo. Depois que eu comecei a namorar com Thaís, já estamos há 10 anos juntos, eu passei a consumir mais MPB, por que Thaís tem um acervo muito grande de MPB, e tocar com ela. Começamos um projeto que era mesclar violão e cavaquinho, era algo que não tinha aqui, ela tocava violão e cantava e eu improvisava, a partir de umas aulas que eu tive na Escola de Música com o professor Juca [do Cavaco, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 13 de abril de 2014]. Mas quem me ensinou isso aí foi João Soeiro [violonista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 30 de março de 2014]. Foi meu primeiro professor na Escola.

Você atribui a Six a sua maior influência em sua escolha pelo choro? Ah, sim. A veia musical familiar eu atribuo a ele. É primo legítimo da minha vó, foi criado lá em casa. Tem um tio meu que era muito boêmio, vivia lá em casa, infelizmente faleceu ano passado, era pandeirista, ele sempre falava para mim: “meu filho, não dá pra você ser boêmio, por que tu não quer virar a noite, nem quer beber” [risos]. Eu não bebo. Mas ele sempre gostou de música, música instrumental. Era aficionado.

Você falou que veio tocar cavaquinho aos 19 anos. Antes, você passou por outro instrumento? Eu comecei a me envolver com violão aos 17, 18 anos, comecei a fazer aula, fiz três meses, só que o cara enrolava, eu comecei a ser autodidata. Comecei a ver uns amigos meus tocando cavaquinho, aquele som, me encantei, foi paixão à primeira vista. Eu comprei meu primeiro cavaquinho dum amigo meu, chamado Gustavo Smith, passei dois anos pesquisando, autodidata, fiz prova para a Escola e passei, de primeira, graças a Deus. Daí continuei, ainda peguei dois anos de aula quando era ali na Beira-Mar. Quem fez a prova comigo foi o professor Charles, na época. Foi uma oportunidade muito boa, por que quando a gente vai estudar música a gente vê que não sabe de nada, e até hoje, eu te digo: eu ainda estou aprendendo. Cada profissional que chega, como a gente já teve vários cursos de choro, eu até acho bom vir mais cursos de choro para São Luís. Teve um que a Petrobras trouxe, e a Vale, foi o primeiro [curso] de choro que teve aqui, que veio a [cavaquinista] Luciana Rabello. Tu é louco! Uma didática de palheta, que eu fiquei: “cara, eu não sei nada”. Depois fiz o segundo, e nunca parei de estudar. Comecei em bloco tradicional, e tal, quando entrei na Escola vi que não sabia nada, e comecei a estudar choro.

Você concluiu o curso de cavaquinho na Escola? Concluí o curso em 2007 e ao concluir o curso eu fui saber por meu professor, o Juca, que eu era o primeiro aluno a formar na história da Escola de Música, eu não sabia. “Olha, eu tenho uma surpresa pra ti: você é o primeiro aluno a se formar [em cavaquinho] na Escola”. E eu, “pô, professor, bacana”. É uma pessoa por quem tenho muita afeição e até hoje é meu mestre. Eu sou fã dele, uma pessoa humilde, simples. E ele morava lá perto da casa da minha vó. Eu morava na Praça da Alegria e Juca morava na Rua do Norte, amigo do pessoal lá, amigo do pessoal da família de Thaís também. Eles se reuniam, faziam roda de choro lá na praça.

Além de músico, você tem outra profissão? Eu sou formado em Sistemas de Informação, bacharel em Informática. Mas hoje eu larguei a informática, só vivo de música, só vivo para a música. Sou músico profissional.

Dá para viver de música? É difícil demais. Mas com projetos, dando aulas, eu dou aulas, sou professor de música, tem o chorinho, tenho minha banda, em paralelo, a gente toca em casamentos etc. A gente toca tudo da atualidade, dos anos 1960 à atualidade. Mas eu amo chorinho, chorinho para mim… eu ouço todo domingo o Chorinhos e Chorões [programa dominical apresentado por Ricarte Almeida Santos às 9h na Rádio Universidade FM (106,9MHz)], alivia, relaxa. Meu maior sonho é trazer um conservatório de música para São Luís. Eu soube de um para Imperatriz, aprovado na Lei de Incentivo [a Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Maranhão].

Você passou pelo violão. O que te fez escolher o cavaco? O violão eu toquei nível básico. O cavaco foi paixão à primeira vista, olhando as pessoas solando, me encantou. As pessoas pensam que o cavaquinho, por ter só quatro cordas, é um instrumento limitado. Engano. Quem estuda realmente, cada instrumento é um mundo diferente. O cavaquinho pra mim não é limitado, dá para fazer muita coisa. Se se estudar tem muita coisa de campo harmônico para fazer.

Quem você considera seus principais mestres? Em São Luís Juca é meu mestre. Fora a Luciana Rabello, tive oportunidade de pegar aula com ela, excelente aula, meu sonho pra mim é o [cavaquinista] Henrique Cazes. Na Escola de Música a gente estudou pelo método dele e ele outro método que ele está lançando.

Teus pais sempre apoiaram tuas escolhas? Apoiaram pouco no começo. Sempre falavam “vai estudar, música não dá futuro” e tal. Quando eles olharam que eu me interessei, me dedicava àquilo, começaram a apoiar. Depois de um ano, o presente de natal que meu pai me deu foi um cavaquinho, um Paulistinha da Rossini, nunca esqueço, ainda tenho esse cavaquinho. Meu primeiro cavaquinho foi um tonante Trovador, que eu comprei desse Gustavo. Quem também me deu uma força foi Michael, um amigo meu, me incentivou, eu tirava umas dúvidas com eles.

Qual o bloco tradicional em que você tocava? Cavaquinho eu toquei n’Os Vingadores, percussão em 1995, eu tive a oportunidade de tocar percussão n’Os Versáteis, fui tricampeão pel’Os Versáteis, fui levado por meu primo, Henrique Machado, que hoje mora em Brasília. Em 1999 eu toquei pel’Os Vingadores, 1999, 2000, em 2001 eu fui para Os Feras. Toquei n’Os Feras de 2001 até 2004, 2005. Depois eu saí de bloco tradicional. É um ritmo sensacional! Adoro o ritmo de bloco tradicional. Tem um cd carnavalesco meu, um projeto paralelo nosso, o Mixiricu, que no meio de músicas eu botei o bloco tradicional, o tambor de crioula, que pra mim é um dos ritmos mais lindos do Maranhão. Tive oportunidade de fazer aula percussiva com Lazico [o percussionista Lázaro Pereira], a gente fez um curso só de ritmos maranhenses, para se aprofundar mais, é uma oportunidade de valorizar mais a música do Maranhão. Aqui no projeto a gente toca não só choros conhecidos, mas também músicas de compositores maranhenses, como Zezé [Alves, flautista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 9 de junho de 2013], Domingos [Santos, violonista sete cordas, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 16 de março de 2014], Osmar do Trombone [Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 23 de junho de 2013], dia 28 [de janeiro] ele vai estar aqui, com Osmarzinho [Osmar Jr., filho de Osmar do Trombone, saxofonista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 5 de janeiro de 2014], que se formou agora em BH, gente fina, caras que tocam muito e são humildes. Gosto disso neles, somam e a gente vai aprendendo. Em termos de dar aulas, para mim foi muito bom. É um incentivo não só para estudar, mas para ver outras vertentes. Tem aluno que tu tá ensinando uma coisa para ele e ele te mostra outro caminho.

Você hoje tanto faz [cavaquinho] centro como solo? Sim, tanto centro como solo. Na Escola eu fazia mais centro, hoje estou estudando os dois.

Você considera o Juca teu grande mestre. Ele toca muito no estilo Waldir Azevedo. Você também segue esse estilo? Não. Hoje estou tentando me adequar por causa do grupo. O Juca ele domina tanto o centro quanto o solo, eu era mais centro. Hoje faço os dois. É mais um motivo pra gente estudar cada vez mais.

A Luciana Rabello também tem um estilo próprio, não é? Sim. Eu gostei muito, no estilo dela, da divisão de palheta, que ela faz no cavaquinho, que ela puxa as duas de cima, as duas de baixo [demonstra, no cavaquinho]. Ela divide o som, dá outro som. A gente explora, no grupo, música nordestina, muito Josias Sobrinho [compositor]. A gente está valorizando os compositores da terra. Aqui tem vários compositores excelentes. O Maranhão não perde para outros estados, e sim soma. O pessoal tem é que acabar com a cultura, uma cultura musical que eu não gosto, o pessoal quer ganhar como profissional, mas não age como profissional. Em termos de horário, por exemplo: o ensaio é tal hora e as pessoas não chegam; não são todos, é claro. Outra coisa: lá fora, todo mundo é unido. Se briga como qualquer um, mas defendem uma bandeira, não te queimam. Aqui em São Luís é cada um querendo puxar o tapete do outro, isso tem que acabar. Minha maior briga cultural mesmo é esse negócio: ser profissional. Às vezes a pessoa não é profissional aqui, tem que pensar que é tua empresa. Em tua empresa você chega bem arrumado. A Tathy Estrela, nossa produtora, padronizou a vestimenta da gente [aponta o bordado Cantinho do Choro no peito direito da camisa], já estamos pensando em outras roupas para outros horários. Isso dá estrutura para o trabalho da gente, a gente sempre estudando, faz com que sejamos valorizados.

Aqui há um grupo que passou a ter uma postura mais organizada, profissional e passou a influenciar outros grupos: o grupo Argumento. É outra postura em relação a contratos, já influenciou o pessoal do Bossa Nossa, vários grupos estão se estruturando. Outra influência para nós é o Calhau Jazz, do meu amigo Arlindo Pipiu [multi-instrumentista], que dá muita força pra gente, é uma pessoa que, desde o começo apoiou o trabalho da gente, além da Tathy e do Monteiro Jr. [cardiologista e violonista]. Ele está ali, paralelamente com a gente, sempre dando ideia, desde o começo, quando o projeto era na praça, sempre somando. São pessoas que chegam para ajudar a gente.

Qual a formação do Cantinho do Choro, hoje? Eu no cavaco, no bandolim o Raul, se formou agora, no violão seis cordas, o Carlos Reis, na percussão Nonatinho [Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 6 de julho de 2014], na flauta transversa João Neto [Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 2 de fevereiro de 2014], e no sax o Ricardo.

O Raul começou em um projeto do Sesc. Está tocando muito. Humilde, estudioso, dedicado. Tem tudo para crescer, muito futuro. É um talento que vem aí para abraçar o choro também.

O grupo nasce com aquele projeto da praça [Gonçalves Dias]? Conta pra gente a origem do Cantinho do Choro. O Cantinho do Choro foi um projeto que a gente colocou na praça, eu e Tathy Estrela. A gente chegou para agregar, chamando amigos, alunos da Escola, professores. Até o diretor da Escola foi um que abraçou, o Raimundo Luiz [bandolinista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 15 de setembro de 2013], “pô, Márcio, eu vou lá pra te dar uma força”, meu amigão. Estávamos fazendo do bolso, tirando, o pessoal indo pelo choro. Por que paramos? Não tem estrutura, o local estava sendo depredado, todo pichado, uma bagunça, estava tendo assalto. Houve um assalto com homicídio, não no choro, mas a gente parou justamente com medo. Ali estava tão bom o local, a gente pega o por do sol, a praça é belíssima. O pessoal do centro turístico já estava começando a parar, enchendo de turistas, e a gente sem estrutura. Aqui em São Luís, como em todo lugar, o Estado devia garantir banheiros químicos, às vezes senhoras de idade não tinham onde sentar. O choro em São Luís não é consumido só por pessoas de idade, crianças que gostavam iam, ficavam dançando no meio da roda, muito massa! Contagia todas as pessoas o chorinho. Pra gente continuar com esse projeto na praça, teria que ter essa estrutura, justamente pra gente dar um conforto às pessoas, não só ao grupo. A gente fez um projeto, esse projeto a gente levou para a Secretaria de Cultura, passamos na Lei de Incentivo e infelizmente não conseguimos patrocínio, de jeito nenhum. Até agora, tudo o que a gente conseguiu foi do bolso. Monteiro Jr. colaborou, Selma Delago [cantora e empresária], da Ponto Branco, até hoje, essa camisa que eu tou, essa branca aqui [aponta para o bordado], bordado dela, a Ponto Branco é patrocinadora forte da gente hoje em dia, são pessoas que agregam por que gostam do projeto. Infelizmente não há empresários grandes que chegam para investir. Outras pessoas a quem a gente deve muitos são vocês, o Ricarte divulgando nossa agenda no Chorinhos e Chorões, desde o começo observando como está o projeto. A gente começou esse projeto por que aqui em São Luís acabou o Clube do Choro. Acabou, parou. E a gente sentiu necessidade de estudar o choro, saindo daquele âmbito de Escola de Música. Uma época a gente foi para a Bahia. Na Bahia todo dia tem recital de música. Na Escola de Música eles só vão fazer recital no final do semestre. Eu voltei com um projeto lá, não é meu esse projeto, o Sexta Musical. Quando eu saí, graças a Deus que Jair [Torres, guitarrista] continuou. Era um projeto em que todos os alunos tocavam. A gente desenvolveu esse projeto para agregar essas pessoas, alunos e professores terem a oportunidade de chegar junto e estudar.

Fora o Salomé Bar, vocês têm outra agenda atualmente? Não. O Salomé Bar é um parceiro. O Cantinho do Choro já tem dois anos, a gente estava correndo atrás de casa [para tocar]. A gente está fechado com o Salomé. Foi a primeira casa que abriu para a gente fazer um projeto de choro, viu o projeto, abraçou, e está sendo um sucesso, cada vez mais cheio. Todas as quartas, a partir das 20h. Era das 20h às 22h, às vezes tem que reservar mesa. Nós já estamos fazendo das 20h às 23h, três horas de choro aqui. É como o Clube do Choro, faz duas horas de chorinho e um convidado. A gente está chamando os mais conhecidos do choro, mas também pessoas novas. Nessa quarta agora vai ter o Monteiro Jr., tive a oportunidade de trabalhar com ele, fazer centro para ele. Até hoje a gente se reúne e toca. É bom ter essas pessoas que gostam do choro aqui em São Luís.

Você é cavaquinista e falou em composições. Além destas, há outras habilidades que você desenvolve na música? Eu trabalho mais arranjos no trabalho de Tathy Estrela, ela fazendo violão e eu improvisando. No cd de carnaval eu faço meus arranjos dando a ideia e transfiro para o metal [o naipe de metais]. Noutros trabalhos também. Como compositor fui um dos classificados para a Exposamba, entre 800 concorrentes, eu já estava entre os 160, já estava na terceira etapa, e parou. Eu e Selma Delago, grande compositora, está vindo com um cd de samba excelente, compõe maravilhosamente bem. Ela é tia de Tathy Estrela, a família é musical, isso já te estimula a tocar.

Além de blocos tradicionais e do Cantinho do Choro, você já integrou outros grupos? Eu já toquei em grupos de samba. O primeiro foi na Liberdade, chamado Supersamba, toquei num do Centro que era Samba Ponto Com. O último em que toquei foi o Pra Ficar, com o Dinho, que canta no Argumento. A gente passou um tempo, o Junior [Henrique Cardoso, violonista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 10 de agosto de 2014], que está no Bossa Nossa, fazia o violão.

E de choro? Choro eu toquei nesse de Monteiro, Tocando com o Coração, toquei em recitais da Escola de Música, e agora no Cantinho do Choro.

Já tem quanto tempo o Cantinho do Choro? O projeto tem uns dois anos. Agora esse grupo que a gente está tem uns seis meses. São pessoas que frequentavam lá, não deixaram o projeto na mão e ficaram com a gente.

Como tem sido a dinâmica do Cantinho do Choro? Vocês se reúnem durante a semana, definem repertório? O repertório de uma semana não é igual ao de outra? Toda terça-feira estamos nos reunindo. Não, a gente sempre acrescenta cinco músicas novas e estuda as da pessoa que vai participar. Por exemplo, Osmar com o Cinco gerações, nós vamos tocar com ele o cd Cinco gerações.

Você tem participação em discos? De chorinho no disco de Monteiro Jr. De samba, Selma Delago, gravei agora um cd com composições próprias para carnaval, tem dois, um é o Mixiricu, com músicas para carnaval e São João. Passei com um baião no Sesc [a mostra de música Onde canta o sabiá?], ficou entre as 12, está indo para um disco agora, o nome da música é Na pisada do baião, foi selecionada, defendi-a agora. Não foi concurso, foi seleção. Ano passado a gente ficou em segundo lugar no concurso de marchinhas carnavalescas [do Sesc/MA], e eu harmonizei a de Selma Delago que foi a campeã. E eu e Tathy ganhamos como melhores intérpretes. A gente vai começar a gravar um disco de choro e quem vai produzir é Arlindo Pipiu, um disco de choro do Cantinho do Choro.

Para você o que é o choro e qual a importância dessa música? O choro não é só estudo, mas também é um modo de eu ganhar mais agilidade, mais técnica. É uma biblioteca musical. Eu acho que todo músico devia estudar choro, aquilo te dá um leque de possibilidades para trabalhar a música. E é uma música de qualidade. O choro é uma escola complexa de música, por que o choro abrange todos os estilos.

Uma pergunta que pode soar óbvia, mas que é de praxe fazermos: você se considera chorão? Eu sou um mero estudante [risos]. Mas eu me considero chorão por que eu amo o choro. Eu amo o choro, toco choro até em casa. Outro dia mesmo eu peguei o cavaquinho, estava tocando pra minha filhinha de quatro meses, e ela olhava para o dedilhado e eu “ah, essa vai ser musicista”, ela não piscava [risos].

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

2 comentários em “Chorografia do Maranhão: Márcio Guimarães”

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