Festival Avanca-São Luís acontece amanhã e depois no Teatro da Cidade

Produção local é de Francisco Colombo, que selecionou filmes do Festival de Avanca, Portugal, para exibição na capital maranhense. Mostra chegará também à Imperatriz, nos próximos dias 9 e 10 de setembro

Francisco Colombo (E) dirige Beto Ehongue durante a filmagem de seu novo curta-metragem. Foto: Evandro Filho
Francisco Colombo (E) dirige Beto Ehongue durante a filmagem de seu novo curta-metragem. Foto: Evandro Filho

 

A paixão por cinema é combustível vital para o cineasta e professor universitário Francisco Colombo. De férias em São Luís, após uma temporada de um ano em Aveiro, Portugal – para onde retorna no próximo dia 6 –, onde está cursando o Mestrado em Comunicação, ele aproveitou a vinda à cidade natal para visitar parentes e amigos, mas nem tudo foi descanso.

Em menos de um mês em São Luís, Colombo aproveitou para rodar seu novo curta-metragem, e realizará amanhã (2) e quinta-feira (3), no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy, Rua do Egito, Centro), a mostra de cinema Avanca-São Luís, com sessões gratuitas às 17h e 19h, em ambas as datas.

A seleção de filmes também poderá ser vista em Imperatriz – dias 9 e 10 de setembro, nos mesmos horários –, onde terá produção local do professor Marcos Fábio Belo Matos, do campus da UFMA naquela cidade. A mostra Avanca-Imperatriz, também com entrada gratuita, acontecerá no auditório da UFMA (Centro).

O novo filme de Colombo aborda, mais uma vez, a questão da violência, a exemplo de Reverso, curta-metragem que amealhou vários prêmios em diversos festivais. Ainda sem título, foi rodado domingo passado, com roteiro e direção de Colombo, fotografia e câmera de Paulo Malheiros, som direto de Marcos Belfort e atuações de Beto Ehongue, Gil Maranhão e Daniel San – todos estreantes.

A curadoria da mostra que o cineasta traz à São Luís (e Imperatriz) é do professor e cineasta Antonio Valente, diretor do Festival de Avanca. Em julho passado, Colombo foi jurado de algumas categorias no certame português e realizou por lá uma mostra de filmes maranhenses, exibidos em Ovar e Avanca, apresentando um pequeno panorama da produção local.

Entre os critérios para a seleção dos filmes que serão exibidos em São Luís Colombo destaca a qualidade e a dispensa de legendas. “Alguns destes filmes dificilmente entrarão em cartaz no Brasil, mesmo em salas fora do circuito comercial, mais voltadas ao chamado cinema de arte. Assim este festival se torna uma chance única de vê-los. Na Europa quase todo mundo é bilíngue, então escolhemos filmes ou em português – embora a língua falada aqui difira bastante da de lá – ou animações que dispensam texto. Há filmes muito bonitos e de procedência diversa, de países a que não estamos acostumados a ouvir falar enquanto polos produtores de cinema, como Jordânia, Chipre, Taiwan, Cazaquistão e até mesmo Portugal”, afirmou.

Um detalhe: Colombo não está recebendo dinheiro pela produção da mostra. “Não estou recebendo pagamento de ninguém. Apenas imaginei que seria uma boa trazer esses filmes pro Maranhão. Embora muita gente não acredite, ainda penso que podemos devolver um pouco à sociedade daquilo que ganhamos”, afirma, referindo-se ao fato de ter estudado em escolas e universidades públicas e à liberação, pelo Ministério Público Estadual, de onde é funcionário, para o Mestrado em Portugal.

Conheça a programação e as sinopses (mantidas expressões usadas em Portugal, conforme recebidas da produção):

2 de setembro (quarta-feira), 17h

Acabo de ter um sonho [Acabo de tener un sueño, ficção, 7’25’’, Espanha, direção: Javi Navarro]
Sinopse: Irene tem oito anos a acabou de acordar de um sonho horrível.

Deus providenciará [Ficção, 14’58’’, Portugal, direção: Luís Porto]
Maria vive sozinha no interior do país numa aldeia recôndita. É uma mulher de fortes convicções morais e religiosas. Sozinha e isolada não tem como justificar uma gravidez súbita e indesejada. À saída do hospital, onde lhe foi confirmada a gravidez, Maria não sabe o que fazer. “Como conciliar a exigência da religião com a sua vontade?” Mas um acidente pode ser a solução – basta que permaneça quieta! Ninguém a poderia culpar por um acidente, pois não? Maria está sozinha. Na igreja, Maria encontra o seu consolo e combate a solidão, mas o seu refúgio é agora o seu calvário. O que falará mais alto: o medo da ostracização e do julgamento popular, o amor a Deus ou… o temor a Deus?

Tons de cinzento [Оттенки серого, animação, 6’, Rússia, diretor: Alexandra Averyanova]
Início do século XX. São Petersburgo. Um rapaz e uma rapariga conhecem-se na estação de comboios de Tsarskoselsky, mas são separados momentos depois. À medida que vão crescendo, os dois caminham nas mesmas ruas de Petersburgo. No entanto, só 20 anos depois, a mística ligação que emergiu entre eles durante as suas infâncias, trouxe estes dois jovens de volta ao sítio em que se encontraram pela primeira vez.

Rapaz de olhos azuis [Cheshm Aabi, ficção, 18’06’’, Irã, diretor: Amir Masoud Soheili]
Um rapaz, com uma cor incomum de cegueira, causa vergonha aos seus pais ao matar, acidentalmente, algum gado da aldeia. Como consequência, seus pais procuram tratamento médico para o rapaz, mas quando os médicos não conseguem ajudar, eles levam-no a um xamã local para o tratar.

Foi o fio [Animação, 5’, Portugal, diretor: Patrícia Figueiredo]
Uma mulher novelo, uma velha mulher que passa os dias a olhar pela janela e uma vendedora de roupa caída dos estendais estão unidas por um fio. As três conduzem as acções de outras personagens e o inevitável destino de uma mulher com o marido às costas.

Ele e ela [He and She, experimental, 6’, Cazaquistão, diretor: Gaziza Malayeva]
Eles encontraram-se. Ele e ela. Ele olhou para ela, ela olhou para ele. Um, dois, três… Depois de três segundos, o seu coração irá pertencer a este estranho, e há muito decidi por mim mesmo dar o meu coração à primeira pessoa que chegasse, muitos se passaram desde então, como ela nunca, muito se passou desde então, como ela não era amada…

Caçador de borboletas [Bu die ren, animação, 18’, Taiwan, diretor: Min-Yu Chen]
É uma tradição de família, dos caçadores de borboletas, acabar as suas próprias imagens deste insecto. No entanto, à medida que o tempo passa, o meio-ambiente altera-se bastante e as florestas começam a desaparecer rapidamente, provocando consequentemente a extinção deste ser vivo. Como podem estes caçadores de borboletas realizarem os seus próprios trabalhos para cumprir a tradição?

2 de setembro (quarta-feira), 19h

Miragem [Ficção, 10’, Portugal, diretor: Joaquim Pavão]
Miragem, imagem ou imagens com insinuados desvios em relação às recordações que se viveu. Somos bisnetos, netos, filhos e mais tarde pais. Do que se guarda deixo aqui, frases soltas do que também se é.

O imortalizador [The immortalizer, ficção, 22’30’’, Chipre, diretor: Marios Piperides]
Em 1870 Otomano governou o Chipre, uma época de intensa disparidade religiosa e de classes. Um homem que chora o destino fatal da sua jovem filha, viaja durante a noite em busca da pessoa que ele acredita que será capaz de mantê-la viva.

Depois da guerra… antes da guerra… [После войны… до войны…, ficção, 45’, República Checa, diretores: Igor Korablev, Kristina Cevich e Galina Krsnoborova]
28 de dezembro de 2012, no Dia dos Santos Inocentes de Belém, Putin, o Presidente da Rússia, assinou a lei №272-FZ que efectivamente proibia famílias americanas e/ou estrangeiras a adoptar órfãos russos. A lei de “Herodes, o assassino de bebés”, como é denominada na Rússia, conduziu a um crescente valor de suicídios entre as crianças órfãs. A lei condenou um número incontável de órfãos a viverem em orfanatos, pelo país. A lei matou um bebé com deficiência que estava prestes a ser adoptado por cidadãos americanos. Mas esta história não é sobre política. Esta história é sobre alguns órfãos russos no Dia de Ano Novo no campo. Algumas mulheres bondosas encontram crianças que têm sido abandonadas pelos pais. Uma destas mulheres escreve cartas às crianças, fazendo de conta que vêm dos seus pais. É tudo o que ela consegue fazer para as ajudar.

3 de setembro (quinta-feira), 17h

Noturna [Ficção, 5’, Portugal, diretor: Pedro Farate]
No fim de contas, todos procuramos algo que receamos e que está no fundo do nosso ser, cabendo-nos a nós enfrentar os próprios medos.

O homem que não sabia muito [L’homme que en connaisait un rayon, ficção, 20’, França, diretora: Alice Vial]
O senhor Beranger trabalha na Paradesign, uma grande loja de móveis, onde os funcionários vivem dia e noite nos cenários. Beranger vive na sua casa de cartão e destaca a promoção do seu apoio para os pés. A sua vida parece perfeitamente estabelecida, até ele ser promovido para o misterioso 13º andar.

Ar [Aire, experimental, 4’, México, diretora: Romina Quiroz]
Giuliano e Paola dormem profundamente no quarto. De repente, uma suave brisa entra pela janela, desenhando delicadamente numa das paredes do quarto; a brisa torna-se gradualmente uma explosão violenta que perturba o sono de Giuliano, que persegue a sensação do vento até que ele ficar preso dentro.

Artista de rua [The street artist, animação, 7’, Jordânia, diretor: Mahmoud Hindawi]
A história de um velho artista que, apesar do seu incrível talento, está desiludido e precisa de inspiração.

Stavanger [Ficção, 38’, Alemanha, diretor: Arto Sebastian]
A história da agricultora Marta, que após a morte súbita de seu marido, é sugada numa mistura de tristezas, solidão e supressão. Incapaz de reconhecer sua perda, ela está em negação com a realidade e agarra o que resta de seu marido: seu amor.

3 de setembro (quinta-feira), 19h

Pecado Fatal [Ficção, 90’, Portugal, diretor: Luís Diogo]
Lila, uma rapariga de 20 anos, regressa a Paços de Ferreira, para tentar descobrir quem são os seus pais e porque é que estes a abandonaram no contentor do lixo no dia em que nasceu. Aluga um quarto a Nuno, um jovem divorciado. Em pouco tempo apaixonam-se. Mas ela está longe de imaginar que, na noite em que se conheceram, Nuno cometeu um Pecado Fatal que pode comprometer para sempre a sua bela história de amor.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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