Céu para deleite e delírio

Céu: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro
Céu e banda: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro

 

O público lotou as dependências do Teatro Arthur Azevedo para a noite de abertura do Festival BR-135, ontem (18). Os ingressos foram trocados por um quilo de alimento não perecível.

Áurea Maranhão é a Tatá Werneck local: todo mundo acha graça, menos eu. A mestra de cerimônias carregou nas tintas ao encarnar uma “aborrecente”, forçando por demais a barra para parecer descolada.

Secretária de Estado da Cultura, Olga Simão era dispensável no púlpito. É tipo “jabuti trepado”, alguém sem nenhuma organicidade. Apesar de o órgão ser um dos patrocinadores do evento – ao lado de Cemar e Vivo –, ela não combinou com o resto da noite.

Acsa Serafim e Otília são talentosas. A primeira cantou uma música autoral e, juntando-se à segunda e ao guitarrista Márcio Glam, emendaram um repertório de covers de Beatles, Janis Joplin – Otília evocou-a nas vestes – e Queen. O Maratuque Upaon Açu acompanhou-os nos dois últimos números e foi interessante vê-los evocar a ciência do pernambucano Chico, mesmo sem citar seu nome ou tocar seu repertório.

O show de abertura era uma espécie de micropanorama da diversidade proposta pelo BR-135, projeto idealizado pelo casal Criolina – os músicos Alê Muniz e Luciana Simões –, que desde 2012 vem movimentando a cena autoral de São Luís.

A noite de ontem (18) era um cartão de visitas do Festival que eles realizam até amanhã (20), no Centro Histórico da capital maranhense. Além de shows estão previstas atividades formativas, através de debates, seminários, palestras, rodas de conversas e negócios, oficinas etc.

O BR-135 pode orgulhar-se de mais um feito, entre tantos mostrados em vídeo, ontem, na abertura do Festival: trouxe à São Luís, pela primeira vez, a cantora Céu, contando 10 anos de carreira, com cd e dvd Ao vivo [2014] recentemente lançados.

Calçando havaianas, o brilho de seu vestido curto reforçou seu brilho: é das mais talentosas cantoras em atividade neste país de cantoras. E é autora de quase todo o seu repertório. O do show de ontem tinha por base Caravana sereia bloom [2012], mais recente álbum de estúdio.

Mas não faltaram músicas de Céu [2006], Vagarosa [2009] e mesmo do Ao vivo. Deste último pinçou suas recriações para Piel Canela, bolero cinquentista de Bobby Capó, do repertório de Eydie Gormé com o trio Los Panchos, e Mil e uma noites de amor, sucesso oitentista de Pepeu Gomes, parceria dele com Baby Consuelo e Fausto Nilo.

Céu (voz, teclado e percussão) estava acompanhada de DJ Marco (scratches e MPC), Dustan Gallas (guitarra, teclado e vocais), Lucas Martins (contrabaixo e vocais) e Bruno Buarque (bateria e vocais), a mesma banda de Ao vivo. Ao cantar o bolero ela os apresentou como “quarteto Los Panchos”.

Ela ainda encarou outros covers: Mora na filosofia, de Monsueto de Menezes e Arnaldo Passos, aparece como incidental em Malemolência [Alec Haiat/ Céu] e Visgo de Jaca, de Rildo Hora e Sérgio Cabral, lançada por Martinho da Vila, ganhou uma interpretação característica desde que a gravou em Vagarosa.

O público delirou com a sequência de reggaes Concrete jungle, Slave driver e Kinky reggae, do antológico Catch a fire, de Bob Marley, disco que completou 40 anos em 2013 e que ela vem tributando em shows há algum tempo. De repente formou-se uma clareira na plateia e os corredores laterais viraram um clube de reggae, com muita gente dançando em pé.

À cantora não faltou simpatia. Elogiou a beleza do teatro e da cidade e revelou que espera voltar o quanto antes. “É muito bom tocar lá fora [no exterior], mas chegar aqui [no Brasil], é outra coisa. Nossa cultura é muito forte”, disse.

Para não deixar de citar, de sua lavra, ela foi de Falta de ar [Gui Amabis], Retrovisor [Céu], Sereia [Céu], Grains de beauté [Céu/ Beto Villares], Cangote [Céu], 10 contados [Alec Haiat/ Céu] e Lenda [Alec Haiat/ Céu/ Graziella Moretto], entre outras.

O bis, magro, trouxe Chegar em mim [Jorge du Peixe]. “Não dá para fazer outro, não há tempo”, justificou-se. Não sei se se referia a algum limite de horário do teatro ou a seu voo de volta ao Rio, onde ela tem show hoje (19), fazendo ao vivo justamente o repertório de Catch a fire.

A depender do público não haveria limite. Céu é o limite.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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