Chorografia do Maranhão: Ignez Perdigão

[O Imparcial, 19 de janeiro de 2014]

Radicada no Rio de Janeiro desde a década de 1970, a multi-instrumentista maranhense Ignez Perdigão é a 24º. entrevistada da série Chorografia do Maranhão

TEXTO: RICARTE ALMEIDA SANTOS E ZEMA RIBEIRO
FOTOS: RIVÂNIO ALMEIDA SANTOS

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

 

Ignez Eleonora Moraes Perdigão nasceu no Hospital Português, em 27 de maio de 1954. De lá foi direto para o Monte Castelo, onde morou até os 16 anos, quando se mudou para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje. A casa de sua família – hoje uma loja de armas que ela não reconhece mais – ficava entre o antigo Cine Monte Castelo e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição.

A multi-instrumentista nasceu em uma família de músicos, nem todos profissionais. Seu pai, o advogado Fernando Eugênio dos Reis Perdigão, teve formação musical que lhe permitiu um duo de violino e piano com Eder Santos, seu compadre, padrinho da menina Ignez. Sua mãe, Joina Cavalcante de Moraes Perdigão, gostava muito de cantar em casa, acompanhando a enorme coleção de discos que punham para tocar.

Do avô, Ignez herdou uma flauta de ébano – “está até hoje comigo”. O violino de seu Fernando foi herdado por Matias Correa, seu filho, contrabaixista, colega de Choro na Feira: “foi o primeiro instrumento do Matias”. A linhagem musical, iniciada com um bisavô violinista, continua: seus três filhos seguiram a profissão da mãe e, como ela, tocam vários instrumentos. Além de Matias, as cantoras Mariana Bernardes [cavaquinhista e violonista] e Alice Passos [flautista]. Ignez domina, além do cavaquinho pelo qual é mais conhecida, flauta, violão, piano e percussão.

Na cadência do samba. Capa. Reprodução

Aproveitando a passagem da musicista por sua São Luís natal, ocasião em que veio passar as festas de fim de ano com a família maranhense, a chororreportagem ouviu seu depoimento no Bar do Léo, em uma tarde de sábado cujos trabalhos foram iniciados com a audição de Na cadência do samba, disco de estreia do Choro na Feira, grupo integrado por ela – com o filho Matias, mais Clarice Magalhães [percussão], Marcelo Bernardes [saxofone, flauta e clarinete], Franklin da Flauta e Domingos Teixeira, o Bilinho [violões de seis e sete cordas].

À equipe da Chorografia do Maranhão juntou-se Leonildo Peixoto, proprietário do estabelecimento e DJ residente, que, entre idas e vindas no cuidado com os fregueses e o repertório, ouviu atentamente o trecho em que Ignez contou de sua convivência com Mário Lago [compositor, ator, dramaturgo e escritor], e lamentou um show perdido há 15 anos. Leia a seguir os melhores momentos das quase quatro horas de conversa.

Como era o universo musical na família? Meu pai ouvia muita música nos momentos de lazer dele em casa, que eram raros, praticamente fim de semana. Sabadão, domingo, ele botava o uisquinho dele, botava música, tinha uma boa quantidade de discos de 78 rotações, e 45 e, sobretudo, dava livre acesso a gente, a manusear estes discos. A gente tinha uma radiola. A infância mais remota, que eu lembro, eu era a irmã mais nova, minha irmã na escola, eu sozinha em casa, de criança, ouvindo música. Eram aqueles disquinhos da série Disquinho, do João de Barro [compositor], com arranjo do Radamés Gnattali [arranjador, compositor e instrumentista], e eu fascinada com aqueles arranjos, ouvindo aquilo. Às vezes de tanto tocar, o disco arranhava. Eu digo que a origem da minha composição com compassos alternados vem daí: o disco arranhava e eu não tirava, eu ficava assim: “pela estrada afora, eu vou/ pela estrada afora, eu vou/ pela estrada afora, eu vou” [cantarola simulando o arranhão do vinil, risos dos chororrepórteres]. E o barato era eu conseguir cantar junto, por que aquilo é uma conta complicada em termos de fração do tempo. Até minha mãe vir lá de dentro [imita um grito]: “Ignez Eleonora, tira esse negócio!”

Você tem essa lembrança a partir de que idade? Muito pequena. Eu fui pra escola já com cinco anos, à beira dos seis. É essa fase de quatro a cinco anos. Eu fui pra escola em 1960, com cinco anos, no mesmo ano eu fiz seis.

Que discos teu pai tinha? O que a gente ouvia lá. Meu pai tinha de tudo. A gente ouvia muito o Bolero de Ravel, tomando o uisquinho dele lá, ele regia junto, se empolgava. E eu também punha, sem ele mesmo, só para ouvir. Eu queria ouvir aquela coisa que fascinava meu pai e de certa forma passou a me fascinar também. Se ouvia muita música erudita e um pouco de jazz também, ele ouvia bastante.

Teus filhos são todos músicos? Eles vivem de música ou a música é um hobby? Não tem nenhuma ovelha negra na família [risos dos chororrepórteres e da entrevistada]. A gente sobrevive de música. Quem faz música instrumental, sobrevive de música, no caso, eu e o Matias. As minhas filhas são cantoras, basicamente. A Mariana toca cavaco, toca violão, desengoma um piano direitinho, mas ela é cantora, inegavelmente a força maior de expressão dela é o canto. A Alice [Passos] também. Alice toca flauta, toca na Orquestra Corações Futuristas do Egberto Gismonti [compositor e multi-instrumentista].

Os discos do Choro na Feira [grupo integrado pela entrevistada] são independentes. O primeiro [Na cadência do samba, 2000] foi feito sob encomenda. Fale um pouco desse processo. O rumo que meu grupo de choro tomou é o seguinte: a gente grava, a gente vende, o dinheiro que a gente apura com a nossa carreira discográfica é para alimentar nossa carreira discográfica. Ninguém bota dinheiro no bolso. É completamente independente, salvo o primeiro disco, esse que estava tocando aqui [Léo havia tocado o disco instantes antes do início da entrevista], ele foi feito sob encomenda para que fizesse parte do livro do Haroldo Costa, Na cadência do samba, que é mais ou menos um álbum fotográfico comentado, de músicas, de músicos, dos 100 anos do samba. Foi feito por décadas, um samba de cada década. Tudo foi decisão deles, os arranjos nossos, a produção nossa, eles pagaram estúdio, convidados, direitos autorais, é um disco caro, as cópias, nos deram mil cópias, e nós somos donos do disco.

Então ele está esgotado, mas vocês podem fazer novas edições. Podemos. Acontece que ele é muito caro, por conta dos direitos autorais. A gente vendeu esses mil discos e a partir daí fizemos o segundo [Choro na Feira, 2003], com o dinheiro do segundo fizemos o terceiro [Maxixes, pitombas e afins, 2005]. A partir do segundo ele tomou um rumo bastante autoral. Este último [Pedra riscada, 2010], as músicas são todas de compositores do grupo, tirando uma faixa do Pedro Paes, um clarinetista maravilhoso.

Foto: Rivanio Almeida Santos
Foto: Rivanio Almeida Santos

Quando e como é que você começou a se interessar pela música, a praticá-la efetivamente? Eu comecei a tocar violão na casa dos vizinhos, eu não tinha violão. Como eu estudava piano, mas também não tinha piano em casa para treinar. E violão era uma coisa mais portátil, eu fiquei brincando, comecei a aprender umas coisas. Meu pai quando se deu conta que eu estava tocando, no primeiro Natal, me deu um violão, eu devia ter de 10 para 11 anos. Aí ele me colocou logo para ter aula com Ubiratan [Sousa, músico, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 12 de maio de 2013], meu primeiro professor de violão. Ele me dava um repertório meio erudito, sempre mais para o solo, uma aproximação mais técnica. É uma coisa que eu guardo hoje em dia. Eu não tenho aula de instrumentista, eu não tenho pendor. Eu amo tocar todos os instrumentos que eu já toquei e toco, mas eu não tenho espírito, aquela disciplina de estudar todo dia. Aquilo que Ubiratan me deu, misturado um pouco, quando eu fui pro Rio, com o que [o violonista] Jodacil Damasceno me deu, me deram a base técnica. Eu saí daqui com 16 anos e já me encontrava e reunia, nós nos reuníamos muito. Quem? [Os compositores] Sérgio Habibe, Giordano Mochel.

Cesar Teixeira? Cesar não. Cesar eu fui conhecer no Rio. Foi ele quem me apresentou o cavaquinho. Eu tocava flauta, que quem me apresentou foi o Sérgio, e eu comecei a tocar flauta, eu era violonista, cantava e tocava violão. [O compositor] Ronaldo Mota também, era uma turminha que se reunia, ouvia música, eu ficava encantada com as músicas deles, todos já compunham. Eu era mascote total. Popó [o compositor Claudio Valente]…

Tua saída com 16 anos foi para o Rio já? Ela deveu-se à música ou foi por outra razão? Essa saída foi por que o meu pai aposentou-se aqui e já há alguns anos era convidado pelo João Calmon, um amigo dele, para ir trabalhar no Rio, no serviço jurídico dos Diários Associados [rede de meios de comunicação de propriedade de Assis Chateaubriand]. Mas meu pai muito ligado à faculdade [de Direito da Universidade Federal do Maranhão], foi secretário da faculdade e aposentou-se como diretor. Aí o João disse: “agora, Fernando, vens ou não vens?” Minha mãe quis ir, se ela não quisesse não teríamos ido, ficou botando pilha, e nós aceitamos. Fomos, portanto, por questões de trabalho do meu pai, que resolveu mudar para lá com minha mãe. Meu pai foi seis meses antes, para ajeitar o terreno, e nós fomos depois.

Desde então você está no Rio? Desde então. Falando no Monte Castelo, a minha maior influência foram os tambores. Em algum lugar ali que eu não sei precisar onde, tinha uma casa de mina, onde também tocavam outros tambores festeiros. Todas as noites eu dormia ouvindo o tambor. Tanto que a primeira vez que eu dormi no Rio, fui de férias, devia ter uns sete anos, eu deitei para dormir e ouvi o tambor. Ecoava dentro da minha cabeça. Isso sim foi uma grande influência em toda a minha compreensão musical. Eu tenho uma compreensão de tambor que eu fui identificando depois, quando eu estive em festivais de música africana, com representantes de música de toda África, negra, muçulmana, vários tipos de música, a minha identificação foi muito forte.

Tua chegada ao Rio com 16 anos: como é que foi tua inserção no mundo musical do Rio de Janeiro? Nesse ano em que eu cheguei ao Rio, em 1971, a minha ligação foi com o Jodacil Damasceno. Eu fui imediatamente matriculada para ter aula particular na casa dele. E depois eu fiz um curso na Proarte, isso já em 1971, 72, eu já estava na PUC, entrei para Direito. Aí sim, foi meu primeiro contato com choro, apesar de Jodacil já me apresentar algumas coisas de choro ao violão. Eu tinha alguma técnica, então ele foi logo me aplicando esse repertório. Na Proarte eu fui aluna do Léo Soares, também um grande professor de música, tudo em curso de verão. Como eu já tocava cavaquinho, fui convidada a integrar grupos de choro que se formaram lá, na Proarte. E o cavaquinho se deve ao Cesar, que veio com o pessoal do Laborarte, acho, e levou o cavaquinho. E numa festa eu peguei o cavaquinho e comecei a entender a afinação, rapidamente entendi e comecei. Aquele instrumento no meu colo parecia um neném e eu não queria mais largar.

Parece que é o instrumento pelo qual você é mais reconhecida. É. Na verdade, os anos foram moldando a minha prática instrumental. Todo o tempo que eu trabalhei com Mário Lago, eu toquei violão. Tocava cavaco também e flauta, mas basicamente violão, fui diretora dele. Toquei violão algum tempo com o Zeca [Pagodinho, cantor], toquei com a Jovelina [Pérola Negra, cantora], toquei com Dominguinhos do Estácio [intérprete de sambas-enredo da Estácio de Sá, escola de samba carioca]. Aí passaram a me requisitar mais pro cavaco, a Cristina Buarque [cantora] e o Mauro Duarte [compositor], toquei muitos anos com eles. Tocava cavaco por que tinha o Paulão Sete Cordas no violão.

Como era a figura de Mário Lago, na convivência artística? [Fã de Mário Lago, Léo é convidado pelos chororrepórteres a sentar e ouvir o depoimento da entrevistada sobre o ídolo] Mário era uma figura extraordinária. Tinha meia dúzia de pessoas naquele Teatro Arthur Azevedo [ela comenta um show de Mário Lago em São Luís, em 1998, que Léo confessou lamentar ter perdido].

Você estava no palco? Estava. Eu dirigia o show dele nessa época. Eu tinha feito o roteiro e os arranjos e ele a direção musical. O Mário ocupou dentro do meu imaginário a figura do pai. A figura física, um ser conversador, contador de histórias, bem humorado. Não tinha cansaço pra ele. Um homem já com 80 e poucos anos, viajava como estudante, mochileiro [risos]. Ia pros jantares, só não ia pras noitadas depois, mas até o jantar depois do show ele acompanhava. Era uma pessoa sensacional. Pra você ter uma ideia de um ser coerente com as convicções dele, a gente ganhava um, ele ganhava dois. Era essa a proporção. Ele escrevia, toda a parte de texto era dele, e isso era tudo muito aberto. Às vezes ele recebia o dinheiro e dava pra gente contar. Às vezes o filho dele não tava, quem fazia isso era o Mariozinho, o filho tinha ido fazer qualquer coisa, ele dizia: “contem aí que eu não tenho saco de contar dinheiro. Divide o meu pacote, divide o de vocês”, era uma pessoa sensacional. Tinha uma característica dele que eu adorava, que era o seguinte: a ligação dele, como autor de teatro, teatro de revista, fez muita televisão, e como tinha trabalhado muito com música para teatro, depois de cada show ele dizia: “Ignez, aquela entrada demorou um pouco”, e eu dizia “é isso mesmo, aconteceu de uma coisa não estar no lugar, na hora de o menino pegar a percussão…”, ele cobrava muito isso, era um cara muito esperto. Às vezes a gente ia fazer um show num lugar e acontecia de pedirem para ele fazer um comercial, sei lá, sabonete, uma coisa dessas. Ele sempre precisando de dinheiro, velho comunista sempre precisa de dinheiro [risos], ele topava fazer, mas chegava na hora, ele dirigia o comercial, ele mudava o texto [risos dos chororrepórteres], ficava ensinando todo mundo como fazer. “Não, isso aqui tá uma porcaria, não se pode dizer isso”. Ele era uma figura adorável, tenho muita saudade dele.

Maxixes, pitombas e afins. Capa. Reprodução

Em que grupos e projetos musicais você se envolveu? Originalmente, se eu tivesse um temperamento de pensar mais em meu potencial musical e a minha vontade, eu teria sido compositora. Teria ido pra UFBA, que era meu projeto inicial quando eu larguei Direito. Fazer composição lá. Lá estavam [o compositor e regente] Lindembergue Cardoso, [o musicólogo e professor alemão Hans Joachim] Koellreuter, [o violoncelista e professor suíço Anton Walter] Smetak, o pessoal de música eletroacústica, que era uma coisa que me interessava muito. Mas não lamento nada, o que aconteceu, aconteceu. Não fui, não tive como, não poderia trabalhar e fazer um curso de composição, que era um curso pesado. Acabei ficando no Rio, fazendo a Fifierj do Instituto Villa-Lobos, que pertencia à Fifierj, hoje pertence à Unirio. Abandonando o curso, larguei no segundo ano, larguei grávida da minha filha mais velha [Mariana Bernardes], e fazendo cursos. Aqui e ali, estudei particular com Koelreutter, estudei harmonia e contraponto na casa dele, estudei um pouco com João Pedro Borges [violonista, Chorografia do Maranhão, O Imparcial, 14 de abril de 2013], antes, estudei teoria e solfejo, e fui fazendo um currículo meu. E trabalhando. Já tocava choro, e nesse ano, 1975, 76, formamos o primeiro grupo de choro, com volume de trabalho, chamava Éramos Felizes. Era Zé Renato, Juca Filho, que hoje em dia faz mais textos de programas de humor, Marco Aurélio, bandolinista, Marcelo Bernardes [clarinetista e saxofonista], eu, e o Petchó, que era cartunista paulista, já morreu, meu primeiro pandeirista. Esse grupo percorreu grande parte das praças do subúrbio, tínhamos um contrato com a então Secretaria de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. A gente fazia a primeira ou última sexta-feira do mês, pegava um trem, num ponto qualquer de estação, a secretaria montava a estrutura de palco e som, e nós tocávamos choro ali. Tínhamos alguns contratos, viagens, e esse mesmo grupo, essas mesmas pessoas, tinham outro grupo que chamava Cantares, e aí no Cantares a gente tocava as composições de Zé Renato, do Juca. A gente ouviu muita coisa, tocava muito choro. Eu me lembro dum choro que a gente aprendeu com um senhor que vendia amendoim perto da estação, da parada de ônibus onde a gente ia pegar ônibus pra Usina, foi onde a Mariana nasceu. Depois, num desses discos do Choro na Feira [Maxixes, pitombas e afins] a gente gravou esse choro [Chorinho do Zé Feio], que não era do homem do amendoim: ele mostrou pra gente no lá-lá-ia, o Marcelo tirou no clarinete e a gente nunca esqueceu esse choro. Era dum amigo dele, chamado Zé Feio [José Ignácio de Oliveira]. Ele era de Minas, esse vendedor de amendoim, e o Zé Feio também era de Minas. A gente conseguiu chegar na família do Zé Feio, pra pedir autorização pra gravar. Nem a família conhecia, ele era alcoólatra, a família era contra o fato de ele ser músico, então ele escondia a produção. Foi a primeira música do Zé Feio gravada, foi muito interessante. A música instrumental era para nós a maior expressão. Eu me considero bem mais da música instrumental que da canção. Hermeto [Pascoal, multi-instrumentista] era um grande mestre. Milton [Nascimento, cantor, compositor e multi-instrumentista] foi outra grande influência, como cantor, mas também como músico maravilhoso que é. A vida me levou pra junto dele, acabei fazendo arranjo pra música dele.

Você começou a estudar e tocar ainda na infância. A partir de que momento você percebeu que a música tomaria um rumo profissional? O piano eu não diria que foi algo somente para contribuir na educação da moça. Eu não segui no piano por que minha mãe decidiu não comprar o instrumento, por que era um móvel muito grande para a sala. Eu tenho paixão por piano, eu sempre tive piano, eu ganhei um piano na gravidez da Mariana, e desde então eu tenho piano em casa, todos tocam piano, Matias tem uma boa técnica. O que acontece: enquanto eu morava aqui, eu não vislumbrava uma carreira profissional. Eu nunca estive com pessoas que fossem músicos profissionais, que pra mim fossem uma referência. Eu acho que não existia, na época. Existiam músicos de banda, tinha baile, músicos de baile, o pessoal da Escola Técnica [hoje Ifma], que era ali pertinho. Pra mim a música não era uma profissão, era uma coisa que se fazia, não tinha faculdade de música, aliás, recentemente é que aqui foi ter. Não tinha a Escola de Música. Tinha a Scam [Sociedade de Cultura Artística do Maranhão]. Isso começou a se desenhar pra mim, na verdade, quando entrei na PUC, pra fazer Direito, e fui para o grupo universitário de música, um grupo de música que, digamos, dava uma feição permitida aos movimentos estudantis. A gente tocava coisas da Violeta Parra, Mercedes Sosa. Eu conheci músicos e fui me inteirando da possibilidade da música profissional. Eu já estava há quatro anos, 1975 foi meu ano limite, estava querendo chutar o balde e chutei. Abandonei o curso de Direito, para desespero de meu pobre pai.

Com o abandono do curso de Direito você nunca teve outra profissão na vida que não fosse a música? Não, nunca. A partir daí, eu queria ir pra UFBA, não fui, não tinha condições, não tinha mais nenhum apoio familiar. Entrei no IVL [o Instituto Villa-Lobos], larguei o IVL, que era dirigido por um médico general que fazia arbitrariedades ali naquele curso de música. Saí grávida e voltei grávida: fiz vestibular novamente com a Mariana.

E o Choro na Feira? O grupo surge por conta dos saraus na feira livre? Depois do Éramos Felizes eu sempre estive perto do choro, tocando aqui e acolá, mas não tive mais nenhum grupo de choro. Perfeitamente: eu morava em Laranjeiras e tinha uma feira, onde eu frequentemente ia, onde ficava o cavaquinhista do [conjunto] Galo Preto até hoje, Alexandre [Paiva]: ele era produtor de vegetais hidropônicos, ele e a mulher. Um belo dia ele disse pra mim: “Ignez, toca pra esse rapaz aí! Ele está me perturbando, querendo que eu toque pra ele e eu não posso tocar agora” Era um menino que entregava sacolas pra ele, e eu fiquei tocando, e me divertindo com o cavaquinho, com o menino, com as pessoas que passavam. Uns riam, outros paravam meio assustados. A gente já tinha tido essa experiência, de tocar nas praças, mas com a estrutura do Estado. De certa maneira isso afasta as pessoas, impõe uma distância, o cidadão desconfia por princípio, tem sempre alguém ganhando muito mais do que o que está sendo feito. A gente tinha tido uma iniciativa, em outras épocas, com o [violonista sete cordas] Raphael Rabello, Antonio Santana, de tocar no Largo do Machado, sem estrutura nenhuma. Fizemos isso umas duas vezes, mas não foi adiante. Aí eu resolvi chamar o Bilinho [o violonista Domingos Teixeira], a falecida Tina Pereira, tocava flauta, e ia chamar a Mariana, minha filha, tocava pandeiro bem, e eu chamei a Clarice. Depois no programa do Altamiro Carrilho [flautista] na Rádio MEC, eu fui saber pelo rádio, ao vivo, que ela, quando foi chamada, pensou que tivesse dinheiro nisso [risos], e não tinha nada. Aí passamos a ir toda semana, esses quatro. Depois foram chegando o Marcelo, que mora ali em Laranjeiras, o Franklin [da Flauta], pai do Matias, também chegou, o Matias foi o último que chegou no Choro na Feira. E a partir daí o produtor encomendou o disco, pro livro Na cadência do samba, e tudo começou. Nesse primeiro o Matias não gravou, quem gravou foi o Sérgio Barroso, um baixista super conhecido, da bossa nova.

Esse projeto da feira acabou? Nós ficamos de 2000 a 2010, 10 anos tocando todo sábado na feira. Aí isso foi passando por uma transformação. Aquilo não é uma praça exatamente, é uma ilha urbana, tecnicamente. Juntou um monte de gente. Juntando muita gente sempre aparece político e comerciante. Apareceram os vendilhões do templo [risos] e a música foi ficando assim [em segundo plano]. O pessoal que ia, Elton Medeiros [compositor], Cristina [Buarque], que eram frequentadores habituais, de todo sábado, foram embora, por que eles não conseguiam mais ouvir. As pessoas bebendo se exaltavam, falavam mais alto. O Elton Medeiros falou que nós éramos a única sala de concerto a céu aberto que ele tinha conhecido.

Mesclando realidade e ficção, Chico Buarque lança seu melhor livro

O irmão alemão. Capa. Reprodução

 

O irmão alemão [Companhia das Letras, 2014, 237 p., leia um trecho] é, de longe, o melhor romance de Chico Buarque. A começar pelo mote: a procura por um filho que Sergio Buarque de Holanda, seu pai, teve na Alemanha, em 1930, antes do casamento.

Compositor consagrado, Chico Buarque – que completou 70 anos neste 2014 – já é também, há algum tempo, nome prestigiado no universo literário, dentro e fora do Brasil. Em O irmão alemão ele mescla memória e autobiografia à pesquisa e ficção.

Notas ao fim do livro dão conta de quem foi Sergio Günther, o irmão alemão de Chico Buarque, “filho de Sergio Buarque de Holanda e Anne Ernst”, que “gravou um número incerto de discos, hoje fora de circulação”.

O livro é narrado por um professor de literatura – alter ego do autor –, que se diverte com o cometimento de pequenos delitos – Chico Buarque chegou a ser detido por um furto de automóvel na adolescência –, a boemia, em fazer a corte a moças desvirginadas por seu irmão mais velho e em fuçar cartas ocultas no interior dos livros da vasta biblioteca de seu pai.

As cartas, reais – com reprodução fac-símile de algumas ao longo da obra –, algumas escritas em alemão, dão conta da existência do personagem-título do livro, o que instiga a porção detetivesca de Ciccio, como é chamado o filho mais famoso de Sergio, a cujo amor pelos livros O irmão alemão presta merecido tributo – lê-lo é como mergulhar nas altas estantes do sociólogo, espalhadas pela casa inteira, cujas “paredes eram feitas de livros”. É quase correr os dedos nas lombadas dos incontáveis títulos de sua coleção.

Não à toa o novo romance de Chico Buarque é oferecido a Sergios: o pai e o irmão, ambos já falecidos, de quem o compositor-escritor se reaproxima, permitindo a seus leitores uma espiadela em sua vida privada – mas só o quanto ele mesmo permite ao descortiná-la, senhor absoluto da situação.

O resto é um piano ecoando ao longe, gemidos no quarto vizinho ou o cochilo do pai com um livro no colo e um charuto em uma das mãos.

Senado

Ouvi há pouco na Rádio Senado (em São Luís desde 11 de novembro na frequência 96,9MHz) o programa Curta Musical, cuja edição de hoje era dedicada ao mítico guitarrista Lanny Gordin, um dos nomes fundamentais da Tropicália.

O programa faz jus ao nome, é uma pílula com entre seis e sete minutos e produção de Guilherme Miquelutti, sempre abordando algum tema dentro do universo que é a música popular brasileira – numa busca no portal da Rádio Senado encontram-se rapidamente para audição programas dedicados ao Dia Nacional do Forró, aos 20 anos do falecimento de Tom Jobim ou ao lendário Paebirú, disco de Zé Ramalho e Lula Cortez, hoje raríssimo, entre outros.

Curta Musical tem uma pesquisa interessante e a apresentação flui bem. No entanto, ao abordarem Lanny Gordin e sua importância para a música brasileira esqueceram-se do fundamental disco de estreia de Jards Macalé (cuja capa abre este post, ilustrando Revendo amigos, uma das faixas do disco) – tudo bem, ali ele toca contrabaixo, formando um power trio vigoroso com o próprio Macalé (ao violão) e Tutty Moreno (bateria). Mas não é qualquer contrabaixo: Jards Macalé [1972], o disco, traz algumas das melhores linhas de baixo da história da música ainda que impopular brasileira.

De todo modo, o programa trouxe a colaboração de Lanny com nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa – o núcleo central da Tropicália, por assim dizer –, além da retomada da carreira nos anos 2000, quando a Baratos Afins lançou seu primeiro disco solo e deu vazão a outros projetos do guitarrista nascido na China. Novamente a pesquisa do programa esqueceu-se de Aos vivos, estreia de Chico César, lançado em 1994, em que Gordin comparece em algumas faixas.

Apesar da ranzinzice inicial, destaco a qualidade acima da média da programação musical da Rádio Senado e a importância da FM chegar a mais cidades – São Luís é a 10ª. capital a receber seu sinal, que chega também a outros 19 municípios do Maranhão –, permitindo a quem interessar possa acompanhar pautas e sessões legislativas, incluindo o comportamento de nossos representantes na casa.

As sessões e reuniões de comissões são transmitidas ao vivo, na íntegra, sem edição, garantindo transparência aos atos. A instalação da rádio na capital maranhense foi possível graças a uma parceria com a Assembleia Legislativa do Estado do Maranhão, que dispõe de um vistoso complexo de comunicação, cuja programação tem dado espaço a pautas por vezes ignoradas pela mídia tradicional. Isto é, a TV Assembleia tem cumprido seu papel de emissora pública.

Engana-se quem pensa que o ouvinte da Senado será passivo. Diversos canais de comunicação estão à disposição da população: e-mail (radio@senado.leg.br), facebook (radiosenado), tuiter (@radiosenado) e whatsapp (61-86119591), além do site da rádio, onde é possível visualizar a grade e ouvir a íntegra de sua programação.

Bem vinda, Rádio Senado! E que cheguem logo outras rádios e tevês públicas a São Luís e mais e mais cidades do Brasil!

Danilo Caymmi encerra ano de homenagens a Dorival Caymmi com show em São Luís

[JP Turismo, Jornal Pequeno, ontem]

Apresentação acontece no Teatro Arthur Azevedo, amanhã (20). O repertório é composto por clássicos de autoria do compositor baiano, que completaria 100 anos em 2014

POR ZEMA RIBEIRO

Danilo Caymmi com o violonista André Siqueira durante apresentação na Ponta do Bonfim em agosto passado. Foto: Doriana Camello
Danilo Caymmi com o violonista André Siqueira durante apresentação na Ponta do Bonfim em agosto passado. Foto: Doriana Camello

 

“Quem não gosta de samba bom sujeito não é”, cravou Dorival Caymmi no antológico Samba da minha terra, recriado por tantos ao longo dos tempos, em especial Os Novos Baianos, uma de suas tiradas imortalizadas para além de palcos e rodas de samba mundo afora.

“O que é que a baiana tem?”, perguntou, para responder em seguida, seu primeiro sucesso a extrapolar os limites do país, imortalizado e para sempre lembrado na voz de Carmen Miranda, a pequena notável.

“Quem quiser vatapá, que procure fazer: primeiro o fubá, depois o dendê”. Como bom baiano Dorival Caymmi era chegado a boa comida, mesa farta. E ensinou receitas de bem viver e boa música. O longevo compositor baiano faleceu em 2008 aos 94 anos.

“Doralice, eu bem que te disse, amar é tolice, é bobagem, ilusão”, advertia a voz de João Gilberto em disco com Stan Getz que acabou por tornar a bossa nova – e consequentemente a música brasileira – objeto de culto em terras estrangeiras. A música é dele, Dorival Caymmi.

Autor de inúmeros clássicos, como demonstram os parágrafos iniciais, o autor de Oração da Mãe Menininha, nos legou também uma prole musical importante para a MPB: é pai de Dori, Nana e Danilo Caymmi.

O terceiro volta à São Luís amanhã (20) para encerrar a temporada de homenagens ao pai, pelo centenário que teria completado neste 2014. Acompanhado dos músicos André Siqueira (violão) e Davi Mello (guitarra), Danilo Caymmi (voz e flauta) apresenta o show Dorival 100 Anos no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro), às 20h.

O repertório é inteiramente dedicado à obra de Dorival, mas Danilo deve lembrar também alguns clássicos seus, indispensáveis, caso de Andança (parceria com Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) e O bem e o mal (parceria com Dudu Falcão), tema da minissérie global Riacho Doce.

Com mais de 40 anos de carreira, tendo integrado as míticas Som Imaginário e Banda Nova – que acompanhou Tom Jobim em diversas turnês internacionais – é a segunda vez que Danilo Caymmi visita a Ilha. A primeira foi em agosto passado, quando ele se apresentou para um público restrito no projeto Ponta do Bonfim – Música e Por do Sol, equilibrando no repertório temas autorais e de autoria de seu pai.

2014 foi um ano marcado por diversas atividades alusivas ao centenário de Dorival Caymmi. Foram lançados diversos discos e realizados diversos shows e exposições, em várias partes do Brasil.

Os ingressos para Dorival 100 Anos, à venda na bilheteria do Teatro, custam R$ 40,00 (balcão e galeria), R$ 50,00 (frisa e camarote) e R$ 60,00 (plateia). O show tem produção de 4P Produções, patrocínio de Potiguar Casa OK, Marcos Peixoto Arquitetura, UVA/IDEM, Calado e Correa Advogados Associados e Premier Hotel, e apoio do jornal O Imparcial e Opus Estúdio.

Céu para deleite e delírio

Céu: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro
Céu e banda: talento e entrega. Fotosca: Zema Ribeiro

 

O público lotou as dependências do Teatro Arthur Azevedo para a noite de abertura do Festival BR-135, ontem (18). Os ingressos foram trocados por um quilo de alimento não perecível.

Áurea Maranhão é a Tatá Werneck local: todo mundo acha graça, menos eu. A mestra de cerimônias carregou nas tintas ao encarnar uma “aborrecente”, forçando por demais a barra para parecer descolada.

Secretária de Estado da Cultura, Olga Simão era dispensável no púlpito. É tipo “jabuti trepado”, alguém sem nenhuma organicidade. Apesar de o órgão ser um dos patrocinadores do evento – ao lado de Cemar e Vivo –, ela não combinou com o resto da noite.

Acsa Serafim e Otília são talentosas. A primeira cantou uma música autoral e, juntando-se à segunda e ao guitarrista Márcio Glam, emendaram um repertório de covers de Beatles, Janis Joplin – Otília evocou-a nas vestes – e Queen. O Maratuque Upaon Açu acompanhou-os nos dois últimos números e foi interessante vê-los evocar a ciência do pernambucano Chico, mesmo sem citar seu nome ou tocar seu repertório.

O show de abertura era uma espécie de micropanorama da diversidade proposta pelo BR-135, projeto idealizado pelo casal Criolina – os músicos Alê Muniz e Luciana Simões –, que desde 2012 vem movimentando a cena autoral de São Luís.

A noite de ontem (18) era um cartão de visitas do Festival que eles realizam até amanhã (20), no Centro Histórico da capital maranhense. Além de shows estão previstas atividades formativas, através de debates, seminários, palestras, rodas de conversas e negócios, oficinas etc.

O BR-135 pode orgulhar-se de mais um feito, entre tantos mostrados em vídeo, ontem, na abertura do Festival: trouxe à São Luís, pela primeira vez, a cantora Céu, contando 10 anos de carreira, com cd e dvd Ao vivo [2014] recentemente lançados.

Calçando havaianas, o brilho de seu vestido curto reforçou seu brilho: é das mais talentosas cantoras em atividade neste país de cantoras. E é autora de quase todo o seu repertório. O do show de ontem tinha por base Caravana sereia bloom [2012], mais recente álbum de estúdio.

Mas não faltaram músicas de Céu [2006], Vagarosa [2009] e mesmo do Ao vivo. Deste último pinçou suas recriações para Piel Canela, bolero cinquentista de Bobby Capó, do repertório de Eydie Gormé com o trio Los Panchos, e Mil e uma noites de amor, sucesso oitentista de Pepeu Gomes, parceria dele com Baby Consuelo e Fausto Nilo.

Céu (voz, teclado e percussão) estava acompanhada de DJ Marco (scratches e MPC), Dustan Gallas (guitarra, teclado e vocais), Lucas Martins (contrabaixo e vocais) e Bruno Buarque (bateria e vocais), a mesma banda de Ao vivo. Ao cantar o bolero ela os apresentou como “quarteto Los Panchos”.

Ela ainda encarou outros covers: Mora na filosofia, de Monsueto de Menezes e Arnaldo Passos, aparece como incidental em Malemolência [Alec Haiat/ Céu] e Visgo de Jaca, de Rildo Hora e Sérgio Cabral, lançada por Martinho da Vila, ganhou uma interpretação característica desde que a gravou em Vagarosa.

O público delirou com a sequência de reggaes Concrete jungle, Slave driver e Kinky reggae, do antológico Catch a fire, de Bob Marley, disco que completou 40 anos em 2013 e que ela vem tributando em shows há algum tempo. De repente formou-se uma clareira na plateia e os corredores laterais viraram um clube de reggae, com muita gente dançando em pé.

À cantora não faltou simpatia. Elogiou a beleza do teatro e da cidade e revelou que espera voltar o quanto antes. “É muito bom tocar lá fora [no exterior], mas chegar aqui [no Brasil], é outra coisa. Nossa cultura é muito forte”, disse.

Para não deixar de citar, de sua lavra, ela foi de Falta de ar [Gui Amabis], Retrovisor [Céu], Sereia [Céu], Grains de beauté [Céu/ Beto Villares], Cangote [Céu], 10 contados [Alec Haiat/ Céu] e Lenda [Alec Haiat/ Céu/ Graziella Moretto], entre outras.

O bis, magro, trouxe Chegar em mim [Jorge du Peixe]. “Não dá para fazer outro, não há tempo”, justificou-se. Não sei se se referia a algum limite de horário do teatro ou a seu voo de volta ao Rio, onde ela tem show hoje (19), fazendo ao vivo justamente o repertório de Catch a fire.

A depender do público não haveria limite. Céu é o limite.

BR-135: mais que música

Nem só de música vive o BR-135. Um resumo da história poderia defini-lo assim: uma ideia gregária do duo Criolina – o casal Alê Muniz e Luciana Simões, que depois de temporadas fora resolveram voltar à Ilha e viver de música –, que mostrou a quem se interessou novos e velhos nomes da música autoral produzida no Maranhão. Foram vários shows com a presença de um sem número de artistas dessa cena.

Já é hora, por exemplo, do Criolina lançar o terceiro disco, mas estes trampos mais coletivos têm contribuído um bocado para este justificável atraso. Certamente valerá a pena quando sair.

Pela primeira vez em São Luís, a cantora Céu é uma das atrações do Festival BR-135. Foto: divulgação
Pela primeira vez em São Luís, a cantora Céu é uma das atrações do Festival BR-135. Foto: divulgação

Sua empreitada mais recente é o Festival BR-135, que já selecionou as bandas que dele participarão nos próximos dias 18, 19 e 20 de dezembro, na Praia Grande, ocasião em que cantarão por aqui também nomes como Céu (foto), Filipe Cordeiro, Dona Onete e Mombojó. Um disco, com as bandas e artistas selecionados, foi lançado.

Não é pouco. Mas tem mais. Atrelado ao BR-135, o Conecta Música, com inscrições gratuitas, discutirá diversos aspectos sobre a produção musical, mercado, novas tecnologias, jornalismo cultural, crítica musical, cultura digital, arte e cidadania, entre muitas outras pautas. Um prato cheio!

Confira maiores informações e programação completa no site do BR-135.

Danilo Caymmi volta à São Luís para encerrar temporada de homenagens ao pai

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Filho de Dorival Caymmi, músico se apresentou na capital em agosto passado. Show acontece sábado (20), no TAA

Divulgação

Entre tantos eventos e efemérides, 2014 marcou o centenário do compositor baiano Dorival Caymmi, dono de monumental obra talhada ao longo de quase oito décadas de carreira, ele responsável por um sem número de sucessos e por uma das proles mais musicais do Brasil.

Caymmi projetou a musical Bahia que hoje todos conhecemos tendo sido hit na voz de Carmem Miranda. A O que é que a baiana tem?, imortalizada pela brazilian bombshell, seguiu-se obra lapidar que todo mundo, vez em quando assobia, mesmo às vezes desconhecendo seu autor. “Quem não gosta de samba bom sujeito não é”, cravou certeiro numa delas.

O ano foi de muitas homenagens e não faltaram exposições, debates e, principalmente, shows. Juntos ou em espetáculos solo, os irmãos Nana, Dori e Danilo, herdeiros diretos de Dorival, percorreram bons pedaços de Brasil, mostrando o que é que os Caymmi têm.

Danilo Caymmi volta à São Luís para um show inteiramente dedicado à obra do pai. Dorival 100 Anos, o espetáculo, será apresentado no próximo sábado (20), às 20h, no Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro). Os ingressos custam entre R$ 40,00 e 60,00 e estão à venda na Bilheteria Digital (Rio Poty Hotel, até o dia 18) e bilheteria do TAA (na véspera e no dia do show).

Cantor, compositor, flautista e arranjador, Danilo Caymmi esteve em São Luís em agosto passado, quando se apresentou no projeto Ponta do Bonfim – Música e Por do Sol. Com cerca de 40 anos de carreira, era a primeira visita do artista à Ilha, que o encantou.

Danilo Caymmi integrou as míticas Som Imaginário, com Wagner Tiso e outros, e a Banda Nova, do maestro soberano Tom Jobim, tendo feito diversas excursões internacionais, integrando-a. É autor da trilha sonora da minissérie Riacho Doce, baseada na obra de José Lins do Rego, que foi ao ar em 1990 pela Rede Globo, além do clássico Andança, parceria com Edmundo Souto e Paulinho Tapajós, gravada, entre outras, por Beth Carvalho e Maria Bethânia.

O repertório de Dorival 100 Anos concentra-se na produção musical de Dorival Caymmi, mas Danilo não deixará de lembrar sucessos seus, inclusive músicas como Vamos falar de Tereza (tema de Teresa Batista Cansada de Guerra, minissérie baseada na obra de Jorge Amado), parceria dele com o pai.

Dorival 100 Anos tem patrocínio de Potiguar Casa OK, Terra Zoo, Marcos Peixoto Arquitetura, UVA/IDEM, Calado e Correa Advogados Associados e apoio do jornal O Imparcial e Opus Estúdio.

Serviço

O quê: show Dorival 100 Anos
Quem: Danilo Caymmi
Onde: Teatro Arthur Azevedo (Rua do Sol, Centro)
Quando: dia 20 de dezembro (sábado), às 20h
Quanto: R$ 60,00 (plateia), R$ 50,00 (frisa e camarote) e R$ 40,00 (balcão e galeria)
Maiores informações: (98) 991170970, 996036525 e 991168736

Catirina

Catirina. Capa. Reprodução. Ilustração: Cesar Teixeira

 

Mulher, mãe, negra, trabalhadora rural, vítima de violências e violações de Direitos Humanos. Esta é Catirina, tão cantada em verso e prosa, símbolo da resistência do povo do Maranhão ante as mazelas nossas de cada dia – o modelo predatório de desenvolvimento, o avanço do agronegócio e suas monoculturas, o trabalho escravo, a fome, a opressão, os piores indicadores de desenvolvimento entre as unidades federadas.

Casada com pai Francisco, quantos herdeiros seus estão detidos em Pedrinhas? Quantos outros vivendo abaixo da linha da pobreza? Quantos outros pedindo esmolas nos semáforos? Catirina quer comer a língua do boi, quer satisfazer seu desejo, mas não olha nem pensa só no próprio umbigo.

Expor nossas vergonhas é o primeiro passo para uma reflexão profunda sobre o assunto, para que possamos superar os problemas.

Refletir sobre diversos temas-problemas da realidade maranhense, a fim de colaborar para sua superação é o objetivo desta revista Catirina que o/a leitor/a tem em mãos. Da crise no sistema penitenciário à violência urbana e no campo e o extermínio da juventude negra, entre outras tristes e trágicas realidades que deverão ser abordadas em números futuros. Infelizmente.

Não à toa batiza esta publicação um dos personagens mais importantes do auto do bumba meu boi do Maranhão, uma das mais conhecidas manifestações de nossa cultura popular. Catirina gesta a vida, a esperança e o futuro, que se constroem na luta!

[Amanhã é o lançamento do número zero da revista Catirina, saiba mais]

Debates e lançamentos marcam 66 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos em São Luís

É amanhã (10) de manhã, no auditório do Sindicato dos Ferroviários.

Detalhes na matéria no site da SMDH.

Cine Baile Coletiva lança CineraMA

[release]

Festa embalada por trilhas de cinema acontece 11 de dezembro no Chico Discos

Com patrocínio da Vivo, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e realização da Mil Ciclos Filmes, acontece no próximo dia 11 de dezembro (quinta-feira), às 20h, no Chico Discos (Rua Treze de Maio, 289-A, esquina com Afogados), o Cine Baile Coletiva.

Para convidados, a festa apresentará o projeto CineraMA, que realizará 10 curtas-metragens de ficção ao longo de 2015 e contará ainda com outras três festas temáticas, além de uma mostra com os filmes realizados pelo projeto. Na ocasião, além da apresentação das ações que integrarão o CineraMA, também será lançado o regulamento do concurso de argumentos que dará origem ao roteiro dos curtas.

“Queremos que as pessoas ligadas ao audiovisual e à literatura, que têm boas ideias, participem, se inscrevam. Nesse primeiro momento serão selecionados 10 argumentos, que se transformarão em roteiros e serão filmados ano que vem”, explica a idealizadora do CineraMA Mavi Simão.

O Cine Baile Coletiva é também uma coletiva de imprensa, em que os profissionais dos meios de comunicação ficarão por dentro das ações previstas pelo projeto para o ano que vem. “É uma forma diferente, original, de divulgarmos as ações, misturando trabalho e diversão. Como dizemos no slogan da CineraMA, é o Maranhão fazendo cinema como nunca e festejando como sempre”, comenta Mavi.

A animação será garantida pela discotecagem de Raffaele Petrini, amante de cinema e colecionador de discos de vinil. Suas agulhas reescreverão as trilhas das vidas dos presentes: soundtracks antológicas serão lembradas. A festa promete. Sem hora para subirem os créditos.

Serviço

O quê: Festa Cine Baile Coletiva. Lançamento do projeto CineraMA.
Quando: 11 de dezembro (quinta-feira), às 20h.
Onde: Chico Discos (Rua Treze de Maio, 289-A, esquina com Afogados, Centro).
Quanto: Grátis. Para convidados.
Assessoria de imprensa: Zema Ribeiro | (98) 981220009 | zemaribeiro@gmail.com
Idealizadora do projeto: Mavi Simão | (98) 999663333 | mavisimao@globo.com