Um show para ninguém botar defeito

[Sobre De graça, de Marcelo Jeneci, 17/10, Teatro Arthur Azevedo]

Fotosca: Zema Ribeiro
Fotosca: Zema Ribeiro

 

Marcelo Jeneci já está definitivamente consagrado entre os grandes da chamada nova geração da música popular brasileira. Instrumentista bastante requisitado, nome presente em fichas técnicas de discos e shows de Arnaldo Antunes, Chico César, Vanessa da Mata, Zélia Duncan, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Mariana Aydar, Vanessa Bumagny, Péricles Cavalcanti e Swami Jr., entre outros, parceiro de alguns, ele provou, em De graça, show apresentado no Teatro Arthur Azevedo, sexta-feira passada (17), que poucas vezes a palavra central da surrada sigla fez tanto sentido.

Se Luiz Gonzaga definiu uma estética musical usando sua sanfona, sobretudo (re)inventando o baião, Jeneci (re)coloca definitivamente o instrumento na música pop, superando qualquer preconceito. Embora sua música, ora vibrante, ora pura dor de cotovelo, esteja mais para Roberto Carlos – mas enquadrá-lo em rótulos e/ou comparações não basta para entender e apreciar a grandeza de sua obra.

O teatro estava absolutamente lotado e o espetáculo foi uma demonstração de cumplicidade entre artista e público como raras vezes se vê. Bastavam poucas notas a cada música para o público vibrar, aplaudir, fazer pedidos, cantar junto e mandar gritos de “lindo” e “linda”, para ele e Laura Lavieri, cantora com que divide os vocais desde Feito pra acabar (2010), seu disco de estreia.

Jeneci pilotou teclados e sanfona, cantou, dançou e acariciou as projeções que serviam de cenário, em momentos de pura beleza. Esbanjando simpatia, desceu do palco empunhando um microfone sem fio, rodou a plateia, “flertou” com uma fã, “tomou” o celular de outra, filmou tudo o que estava acontecendo e terminou o momento fazendo um selfie e devolvendo o celular. Em meio a tudo isso a plateia foi ao delírio, evocando gritos histéricos, apertos de mão e abraços de homens e mulheres.

O cantor e compositor revelou-se emocionado com a oportunidade de estar ali. “É tão raro sermos convidados para tocar por estas bandas”. Confessou-se admirado com a beleza dos Lençóis Maranhenses, que, turista, visitara no dia anterior. “Aquilo é único no mundo. Que bom que vocês têm os Lençóis em sua terra”, derreteu-se em elogios.

O par de vocalistas passeou pelos repertórios de Feito pra acabar e De graça (2013) e Jeneci cantou ainda Vamos passear de bicicleta (Hyldon). “Foi uma música que me apareceu durante a feitura desse disco novo. Diz tudo o que a gente queria dizer, com outras palavras”.

Jeneci (voz, teclado e sanfona) e Lavieri (voz e teclado) foram acompanhados por Regis Damasceno (contrabaixo, violão, teclado), Ricardo Prado (guitarra e teclado), João Erbetta (guitarra), Richard Ribeiro (bateria) e Estevan Sinkovitz (guitarra e teclado).

Não faltaram hits como Alento (Jeneci/ Isabel Lenza/ Arnaldo Antunes), Temporal (Jeneci/ Isabel Lenza), Nada a ver (Jeneci), A vida é bélica (Jeneci/ Isabel Lenza), Julieta (Jeneci/ Isabel Lenza), Dar-te-ei (Helder Lopes/ José Miguel Wisnik/ Jeneci/ Verônica Pessoa), Pra sonhar (Jeneci), Sorriso madeira (Jeneci), Jardim do Éden (Arnaldo Antunes/ Betão Aguiar/ Jeneci), Felicidade (Jeneci/ Chico César) e Pense duas vezes antes de esquecer (Arnaldo Antunes/ Jeneci/ Ortinho), entre outras. Completando quase duas horas de apresentação, o bis, um show à parte, incluiu a faixa-título do disco (Jeneci/ Isabel Lenza), que também batiza o show, e Quarto de dormir (Jeneci/ Arnaldo Antunes). “Essa não estava no repertório, mas depois que eu cheguei dos Lençóis, fui para uma situação de imprensa na Cultura Inglesa [principal patrocinadora do show] e alguns me pediram. Eu resolvi atender”, contou.

De graça é um show (e um disco) para ninguém botar defeito.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

2 comentários em “Um show para ninguém botar defeito”

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