Uma noite para entrar para a História

Gildomar Marinho homenageou Manoel da Conceição e botou o 24º. Fesmap na História. Fotosca: Zema Ribeiro
Gildomar Marinho homenageou Manoel da Conceição e botou o 24º. Fesmap na História. Fotosca: Zema Ribeiro

Estive em Pinheiro sexta-feira passada (25), quando assisti a íntegra da primeira noite do tradicional Festival de Música Popular do município.

Era, antes de e mais que jornalista, apenas um rapaz latino americano descansando, passeando, revendo amigos e tomando cerveja.

Destaco, de cara, que qualquer coisa que dure 24 anos no Maranhão – exceto a velha oligarquia que já atingiu o dobro disso – merece que tiremos o chapéu.

Fui passar o fim de semana na Baixada e, em sabendo que o parceiro Gildomar Marinho faria o show de abertura do 24º. Fesmap, resolvi esticar, aproveitando-me da nobreza do sogro, que sempre opta por ser o anjo da rodada.

No geral, achei o festival abaixo das expectativas. O público na praça era pequeno e o nível das músicas concorrentes, em geral, ruim. Na boa banda destacavam-se Rui Mário (sanfona) e Marcos Lussaray (violão e guitarra) e entre os intérpretes sobressaíram-se Anna Cláudia e Fernanda Garcia – vencedora da última edição do certame, ano passado.

O show de Gildomar foi curto e, tocando seu violão, ele foi acompanhado por remanescentes da banda que fazia a cama para os concorrentes, de improviso. Não fosse isso, ele faria o show sozinho, ao contrário do que eu havia lido em jornais e no material de divulgação do Fesmap – sempre rodeado de um sem número de logomarcas e nomes de patrocinadores e apoiadores, também fazendo-nos crer numa dimensão maior que a conseguida.

Radicado no Ceará, com participações em outras edições do Fesmap, inclusive já tendo sido jurado, Gildomar desfilou um repertório autoral, começando pelo martelo agalopado A metade que manda, seguida de Ensejo de blues – ambas de Tocantes, seu terceiro disco, lançado ano passado.

Mas a noite entrou mesmo para a História quando o maranhense lembrou-se de, em meio a Ladainha da remissão – de Olho de Boi (2009), seu primeiro disco –, usar de incidental A batalha do cerrado, belo carimbó elétrico de Pedra de Cantaria (2010), que ele fez em homenagem a Manoel da Conceição.

O líder camponês faria 80 anos no dia seguinte. Um dos mais ferrenhos opositores à oligarquia Sarney e seu principal comandante, Mané – como gosta de ser chamado – foi homenageado em plena Praça José Sarney, na cidade em que nasceu o político ora em ocaso.

Desconheço os resultados do 24º. Fesmap. Mas pouco importa: esta edição já entrou para a História, de um modo bem particular.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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