Paulinho da Viola: um belo show prejudicado pelo som

Alguns paragrafinhos sobre o show que Paulinho da Viola apresentou quinta-feira passada (22) em São Luís

Foto: Paulo Caruá
Foto: Paulo Caruá

 

Um set de samba cuidadosamente preparado pelo DJ Franklin preparava o terreno para Paulinho da Viola, que surgiria às 23h40 no palco do Patrimônio Show. Com a abertura, o show produzido por Ópera Night foi anunciado para 21h.

O público era menor do que supus, levando em conta a grandeza e importância de Paulinho da Viola e os 12 anos de sua última vinda à Ilha. A divisão entre pistas e mesas acabou não fazendo muito sentido, com nem um nem outro espaço lotando. Nos camarotes menos gente ainda.

Impossível não redundar e falar em elegância ao lembrar a subida de Paulinho da Viola ao palco, bastante aplaudido e atacando de Prisma Luminoso (parceria com Capinan), samba que deu título a seu disco de 1983.

Otávio Costa, querido amigo-irmão e leitor atento deste blogue, apostara que Paulinho da Viola abriria o show com Timoneiro (parceria com Hermínio Bello de Carvalho) – errou –, que acabou vindo em meio ao rosário de sucessos desfilado pelo artista. Não faltaram Ame (parceria com Elton Medeiros), Coração leviano, Coração imprudente (parceria com Capinan), Pecado capital, Foi um rio que passou em minha vida, Eu canto samba, Dança da solidão, Pra jogar no oceano, Argumento, No pagode do Vavá, Foi demais (parceria com Mauro Duarte) e Onde a dor não tem razão (parceria com Elton Medeiros), entre outras, em pouco mais de hora e meia de show.

Paulinho da Viola cantou em pé quase o tempo inteiro e durante quase todo o show tocou cavaquinho. Em Dança da solidão desistiu do violão – voltando ao cavaco – antes de a música terminar. No bis, mandou Sinal fechado e Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues), inteiras ao violão, para delírio da plateia.

O charme da voz de Paulinho da Viola foi bastante prejudicado pelo equipamento de som: de onde assisti ao show foi impossível ouvir qualquer coisa que ele disse, as histórias que contou entre algumas músicas. O que cantou era possível entender, sobretudo por conhecer-lhe a obra e ser capaz de assobiar algumas melodias.

“Não sou eu quem me navega/ e nem me navega o mar”, Bruno Batista ousou contrariar Paulinho da Viola, influência confessa, em sua Rosa dos ventos. Cantarolei-lhe este trecho ao encontrar e abraçar o compositor na plateia do outro. Conversamos rapidamente sobre seu show, em que lançará , semana que vem em São Luís.

Paulinho da Viola fez sua parte. As águas de maio continuam oferecendo obras-primas aos ilhéus. Que o 2014 em que o mestre completa 50 anos de carreira continue assim.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

4 comentários em “Paulinho da Viola: um belo show prejudicado pelo som”

  1. Realmente. Acredito q o som não estava dos melhores. Mas n podemos esquecer uma platéia mal educada que insistia em conversar mais alto que o próprio som e que só estavam ali pq ir a um show de Paulinho da Viola dá muita moral para aqueles que não fizeram questão de enteder a musica, mas queriam desfilar na certeza do ” eu fui”. Pra mim, o príncipe estava lá, lindo no auge de seus 70 anos e fazendo um show para abalar as estruturas.

  2. é, doriana. realmente lamentável que as pessoas hoje vão a shows mais para postarem fotos de costas para o palco que para viver a experiência musical em si. fora estes moinhos de vento nada imaginários, o som e os mal educados da plateia, paulinho da viola, sem dúvidas, apresentou um belo espetáculo. abraço!

  3. Dificilmente alguém me pegará novamente para assistir a um espetáculo no tal Pandemônio Show. Doriana Camello está sendo educada, gentil, cortês, quando diz que “o som não estava dos melhores”. O Pandemônio Show desmereceu o astro e a produção competente da Ópera Night, que teve Moraes Júnior como colaborador. Fui obrigada a usar tampões de ouvido para não ter que me submeter à tortura do dê jota por eternas duas horas. (Desculpem os americanos, mas eu fui alfabetizada em português. Pra mim continua sendo disco-jóquei que era o locutor de rádio que punha discos para o público ouvir). Não havia som, mas o barulho era grande.

  4. fátima, reputo franklin como o melhor dj em atividade em são luís, pela vasta pesquisa, acervo e sensibilidade. ele certamente também foi prejudicado pelo som, pela falta de educação do público e pelo tempo maior que o esperado entre a abertura do portão e a subida de paulinho da viola ao palco. abração!

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