Pra ouvir a dois (de preferência)

Muito se tem falado atualmente em Bárbara Eugenia, sobretudo por ela ter resgatado a cantora Diana de um suposto limbo, através da regravação de Porque brigamos, sucesso na voz da ex-mulher de Odair José, a versão brasileira de I am… I said, de Neil Diamond, feita por Rossini Pinto.

É o que temos. Capa. Reprodução
É o que temos. Capa. Reprodução

Mas É o que temos (2013) – título de seu segundo disco, sucessor do inspirado Journal de Bad (2010) – tem muito mais. Tem um pé no brega, rótulo rejeitado por Diana, mas dá frescor à influência da jovem guarda, atualizando guitarras (pilotadas por Edgard Scandurra) e órgãos setentistas (por Astronauta Pinguim).

Se no primeiro disco destacava-se o frevo Sinta o gole quente do café que eu fiz pra ti tomar, com participação de Otto, em É o que temos ela acerca-se de nomes como Pélico (Roupa Suja, parceria de ambos), Mustache e os Apaches (I wonder, dela) e Tatá Aeroplano (Eu não tenho medo da chuva e não fico só, parceria de ambos).

A coletividade sempre foi seu um de seus pontos fortes: Bárbara Eugenia começou a carreira na trilha sonora de O cheiro do ralo (filme de de Heitor Dahlia, baseado no romance homônimo de Lourenço Mutarelli), a convite do produtor Apollo 9; depois dividiu o espetáculo Les provocateurs, homenagem ao mago Serge Gainsbourg, com Edgard Scandurra, cheio de participações especiais, entre as quais Arnaldo Antunes. A marca se mantém em seus discos.

Neste É o que temos a carioca radicada em São Paulo desnuda ainda mais sua porção compositora: sozinha ou em parceria assina todo o disco, as exceções justamente Porque brigamos e Sozinha (Me siento solo, de Adanowsky, traduzida livremente por ela). Canta em português, inglês (I wonder, You wish, you get it e Out to the sun) e francês (Jusqu’a la mort).

Bárbara Eugenia brinda-nos com um disco romântico, em muito explicado – como se o amor carecesse de explicações – pelas inspirações confessas, reveladas em seu encarte, colorido como sua música: “Adanowsky, Diana, Air, Devendra Banhart e Bealtes, sempre!! Muito amor!! iéié”. É o que temos não é pouco. E o que vocês queriam mais?

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

3 comentários em “Pra ouvir a dois (de preferência)”

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