Pitomba vai botar a banca no Sebo no Chão

A banca da Pitomba

Depois do sucesso do lançamento coletivo de ontem (11) no Chico Discos, a editora Pitomba vai botar a banca no Sebo no Chão: domingo (15), a partir das 19h, na praça da Igreja do Cohatrac, Bruno Azevêdo, Celso Borges, Jorgeana Braga e Reuben da Cunha Rocha autografam seus novos livros, respectivamente Baratão 66, O futuro tem o coração antigo, A casa do sentido vermelho e As aventuras de Cavalodada em + realidades q canais de tv.

Na ocasião haverá ainda o tradicional comércio de livros organizado por Diego Pires, exibição do filme Luises – Solrealismo maranhense, do coletivo Éguas, além de apresentações musicais de Acsa Serafim, Sfanio Mesquita e Tammys Loyola.

No Guesa Errante (Jornal Pequeno) de sábado passado (7) escrevi sobre As aventuras de Cavalodada em + realidades q canais de tv.

MANIFESTOS DE PROVOCAÇÃO

Poesia. Aforismos. Manifestos. Espaço urbano. Drogas. As diversas realidades da estreia literária de Reuben da Cunha Rocha

POR ZEMA RIBEIRO

O poeta e tradutor Reuben da Cunha Rocha permanece incógnito na capa de seu livro de estreia, que entrega sua formação em Comunicação – atualmente cursa doutorado na USP e após monografia sobre William Burroughs e David Cronenberg (UFMA) e dissertação sobre Joca Reiners Terron (USP) escreve tese sobre o dub jamaicano.

As aventuras de Cavalodada em + realidades q canais de tv [Randomia/ Pitomba, 2013, 100 p.] anuncia que, como fizeram os grandes que lhe influenciaram – Torquato Neto, Roberto Piva, Paulo Leminski, Wally Salomão, Valêncio Xavier e José Agrippino de Paula para ficarmos apenas em alguns nomes fundamentais –, o autor propõe revoluções. A começar pela linguagem, que reinventa desde o título, tornando literatura – poesia – o que muitos poderiam dizer tratar-se apenas do “miguxês” de facebook, onde todo mundo costuma querer fazer com que sua opinião valha mais que as alheias, o que parece justificar as inúmeras realidades do título. “Já as turmas q futucam a indeterminação inventam verdadeiros dialetos em toda essa digitação freestyle”, crava o poeta.

Nem sei mesmo se devemos (críticos ou leitores) rotular seu livro de “poesia”. O que Reuben propõe são pequenas rebeliões e eis uma obra que deveria ser lida por todos/as, entre os quais destaco gestores públicos, professores (e reitores) universitários, jornalistas e publicitários (de quem o autor tira onda, de cátedra). Ele que sempre desprezou a política, debate-a da melhor maneira possível, trazendo-a para dentro de sua obra. Introdução ao skate e Anotações para uma teoria da maconha são perfeitos manifestos pelo melhor uso do espaço urbano, público e gratuito. Alô, politicanalha!

“Aqueles q mijam no espaço urbano ñ o fazem p/ demarcar território (e sem dúvida ñ o fazem p/ “depredar”) mas sim indicar às autoridades (q ñ andam a pé) os locais + estratégicos p/ a instalação de banheiros públicos”, provoca o primeiro poema manifesto, num livro recheado deles, ilustrado por publicidade antiga, entre reciclada e inventada, pixo transmídia e aforismos que deveriam ilustrar camisas e cartazes em manifestações por qualquer motivo – qualquer aqui longe de sinônimo de desdém – em caprichado projeto gráfico.

Se não, por acaso, vejamos: enquanto escrevo esta resenha o estudante de Ciências Sociais da UFMA Josemiro Oliveira permanece em greve de fome, acorrentado ao que deveria ser a Residência Estudantil Universitária, esperando um simples pronunciamento do magnífico senhor reitor acerca do desvio de finalidade: onde deveriam morar estudantes vindos do interior e de outros estados, o reitor quer transformar em uma Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, mais uma estrutura na burocracia para não resolver os problemas dos mais interessados. Como de costume, as obras duraram mais que o previsto, mesmo com grana chegando a rodo para o que se chama de extensão universitária. “Redes, almofadas e espreguiçadeiras em todos os locais públicos. n1 época em q se discutiu a implantação de redes no campus da UFMA muitos agiram como se ñ fosse 1questão aceitável: parece q a única reivindicação “realista” seria por cadeiras melhor acolchoadas”, lembra o poeta, que estudou ali.

A reivindicação de Josemiro e companhia é por outros motivos, o que não muda é a tirania que dita o que é realista e aceitável em qualquer mesa de negociações – incluindo aí as que discutem direitos de presos. Enquanto isso, o número de mortos em Pedrinhas, para ficarmos em apenas um exemplo alarmante, só aumenta. “A única coisa pior q 1governo é 1governista. O político conservador poderia se inspirar no artista conservador e ao menos se tornar inofensivo”, ataca Reuben.

O livro é um exercício constante de provocação e atrito, inclusive a seus pares: “Msm c/ 3dias de atraso, a leitura do jornal permanece desinteressante”. “O telejornalismo nos dá vontade de bater c/ as cabeças na parede (ñ as nossas cabeças)”. “Na classificação geral de tudo o q é triste o pensamento pobre perde p/ p pensamento conveniente”.

O livro não se propõe a manual ou guia de nada, mas pode ajudar a modificar algumas realidades. Uma coisa é certa: “(Todo mundo sabe q) a viagem no tempo está comprovada pela presença maciça de cabeças do século retrasado neste”. Se os poetas são as antenas da raça, como ensinou Ezra Pound, muitas cabeças demorarão a entender as realidades de Reuben. A estes – como a quem entender ligeiro – recomenda-se a leitura repetidamente.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

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