A Pedeginja já brota madura

Sobre Contos cotidianos, show de lançamento do disco homônimo, de estreia da banda, ontem (15), no Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy)

“É a Pedeginja que vem chegando!”

Uma pequena aglomeração formou-se na porta do Teatro da Cidade de São Luís (antigo Cine Roxy) pouco antes – durando até um pouco depois – da hora marcada para o início de Contos cotidianos, show de lançamento do disco homônimo, o de estreia da banda Pedeginja.

A plateia lotou completamente o recinto, com algumas pessoas ocupando cadeiras extras colocadas pela produção e outras vendo o espetáculo em pé, nos corredores laterais. Com uma hora de atraso a banda subiu ao palco. Nada menos que 11 músicos ocuparam-no: a formação da banda, incluindo seu poderoso naipe de metais, mais o gaitista Pedro Luz dos Anjos e o tecladista Dney Justino.

“A banda é grande, gente, então, paciência”, advertiu Jéssica Góis, a talentosa vocalista, única mulher do bando, antes de atacarem a primeira da noite. “Caralho, quanta gente!”, espantou-se João Vitor, o Jovi, outra voz de frente.

“É a Pedeginja que vem chegando”, anunciou o Conto de um Pé-de-ginja, faixa de abertura do disco e do show, espécie de prefácio-resumo do trabalho, o grupo dizendo a que veio. A plateia irrompeu inteira em aplausos, entregando-se à sonoridade inconfundível dos estreantes – em disco, que em shows, os meninos já têm uma estrada considerável.

Garoto grandalhão que empunha uma das guitarras do grupo e é responsável pela maioria das composições e pelas intervenções poéticas, Paulo César Linhares juntava-se à emoção que tomava conta de todos ali, entre palco e plateia: “É um prazer enorme estar tocando aqui, hoje, pra vocês”. Lamentou não ter conseguido arrastar a avó Julieta, para quem escreveu Vovó de férias no séc. XXI, um dos destaques de Contos cotidianos.

A média de idade da Pedeginja é baixa, basta olhar os rostos de seus integrantes. A banda fica entre o profissionalismo e a pura diversão. Explico: apesar do enorme atraso no início do show, tudo ali estava impecável: som, luz, repertório ensaiado, performance espontânea, a cumplicidade entre os músicos. A pura diversão é a responsável pela comunhão entre todos no palco e entre a banda e a plateia, que não poucas vezes bateu palmas, aplaudindo ao final de cada número ou marcando as músicas, cantando junto e mesmo dançando nos corredores e entre as cadeiras. As lâmpadas do cenário pareciam acesas pelo fogo que o grupo tacou no teatro. A Pedeginja já brota madura: a garotada brinca de fazer música, mas leva isso a sério.

O repertório baseou-se no disco, mas foi além: Dia D e uma música ainda sem nome, da lavra de Linhares, inéditas “que estarão no próximo disco”, como anunciou Jéssica, além de Grilos, também dele, do ep Instante, de Nathália Ferro, que em participação especial, dividiu os vocais com Jovi.

Um bloco de covers também registrou as influências da banda, o que em parte explica sua sonoridade, qualidade, talento e bom gosto: um medley uniu Os Mutantes a Secos & Molhados, Top top (Rita Lee/ Arnaldo Baptista/ Sérgio Dias) e O vira (Luli/ João Ricardo). Depois A menina dança (Luiz Galvão/ Moraes Moreira), dOs Novos Baianos e, fechando o repertório não autoral da moçada, outro medley uniu Criolo – Subirusdoistiozin – ao afrossamba Canto de Ossanha, de Vinicius de Moraes e Baden Powell.

Pouco mais de uma hora depois, toda a plateia estava de pé, em total sintonia com a Pedeginja. O espetáculo se aproximava do final. Linhares já havia apresentado todos os músicos e lido os agradecimentos e a banda mandava um bis sem aquela saída ensaiada e já manjada, quando o trompetista Bigorna sopra-lhe alguma coisa no ouvido. “Zé da Chave, por favor!”, anunciou o guitarrista, convidando o personagem onipresente ao palco.

O próprio Bigorna explicou: “Você quer saber se uma banda é boa, é ter esse cara aqui na plateia”. Que Zé da Chave e muitos outros tenham a chance de doses contínuas de Pedeginja. Talento, carisma e repertório não lhes falta. Com o show redondinho apresentado ontem, o grupo merece mais palcos e mais aplausos. E nós, mais Pedeginja, que o disco só nos fartará em parte.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

diga lá! não precisa concordar com o blogue. comentários grosseiros e/ou anônimos serão apagados

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s