Música maranhense: silêncio da/na Rádio Universidade FM

Quando li este texto no blogue do jornalista Henrique Bóis, fui tomado de imediato por um misto de raiva e nojo. Imediatamente resolvi reagir e vomitei alguns parágrafos em que me mostrava indignado com a transformação, de uns tempos pra cá, da Rádio Universidade FM em apenas mais uma rádio comercial entre as outras do dial. Que a Radiun, como é carinhosamente chamada pelos que a fazem, deveria ter um papel de laboratório, de vanguarda, sem preocupações primordiais com lucros etc. Que seria contraditório o confinamento da música maranhense aos horários do diário Santo de Casa (apresentado por Gisa Franco, de segunda a sexta, das 11h ao meio dia) e do semanal Chorinhos e Chorões (aos domingos, das 9h às 10h, por RicarteAlmeida Santos), cujo apresentador cheguei a ouvir para escrever um texto cujo rascunho, jogado direto no wordpress e não esboçado em word, como de costume, não foi salvo. Por que liguei para Paulo Pellegrini e este negou a veracidade das afirmações de Bóis e as aspas de suas falas no texto, embora o tenha feito de maneira muito tranquila, em minha opinião.

Cheguei ao texto de Bóis através do compartilhamento do mesmo pelo cineastamigo Murilo Santos, em seu perfil no Facebook. Em resposta, nos comentários, marquei Murilo, Paulo Pellegrini e Henrique Bóis, após o telefonema ao segundo. Só o primeiro respondeu, dizendo aguardar um pronunciamento oficial da Rádio Universidade FM.

Ontem (só li hoje) recebi por e-mail o texto abaixo, do compositor e jornalista Cesar Teixeira, sobre o mesmo fato.

Este blogue continua aguardando manifestação da Rádio Universidade FM sobre o assunto.

SANTO DE CASA NÃO FAZ MILAGRE

CESAR TEIXEIRA

Fiz parte de uma geração de estudantes e professores que lutou pela criação de uma gráfica e uma rádio dentro da UFMA, no início dos anos 80. Exatamente para implodir o modelo autoritário que impedia a universidade de cumprir o seu papel social, interagindo e contribuindo com a comunidade para garantir a cidadania e o direito constitucional à informação.

É triste hoje constatar que a Rádio Universidade FM, gerenciada pela Fundação Souzândrade, está querendo jogar fora o seu script ético, passando a discriminar os artistas maranhenses que mais têm contribuído para o sucesso da nossa música. Isso outros canais de comunicação já fazem no Maranhão. Será que o jabá ideológico também se apropriou da emissora?

Tive informação de que ingressos oferecidos pela produtora de um show do compositor Josias Sobrinho não poderiam ser divulgados nos programas jovens da emissora, conforme teria determinado o coordenador geral, Paulo Pellegrini, ficando limitados aos programas Santo de Casa e Chorinhos e Chorões.

Não deixa de ser esquisito excluir os jovens, excluindo o artista. Pior ainda. Segundo o blog do jornalista Henrique Bóis, o diretor afirma que se o público da rádio “acaso fosse a um show de músico maranhense teria uma péssima impressão, principalmente de alguns (…) compositores que se aventuram a cantar”.

Que público será esse que teria má impressão da nossa música, que a própria rádio tanto se empenhava em divulgar? Não faz sentido. Parece até uma tentativa de ressuscitar a antiga censura prévia em uma emissora pública, cujos projetos também dependem de empresas como a Vale e a Alumar, de interesses culturais duvidosos.

Como lembra o jornalista, eles utilizam “a mesma música que rejeitam para convencer os patrocinadores” do Prêmio Universidade FM, que distribui anualmente troféus para artistas e produções culturais que mais se destacaram.

A verdade é que Santo de Casa não faz milagre. Ou faz?

Para todos os efeitos, é lamentável que a direção da rádio tenha transformado a música maranhense em merda, e agora esteja pisando nela.

Autor: Zema Ribeiro

Homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais. Pai do José Antonio. Apresenta o Balaio Cultural (sábados, das 13h às 15h, na Rádio Timbira AM) e o Radioletra (sábados, às 20h45, na Rádio Universidade FM). Coautor de "Chorografia do Maranhão (Pitomba!, 2018). Antifascista.

27 comentários em “Música maranhense: silêncio da/na Rádio Universidade FM”

  1. Zema, o Paulo Pelegrini já tratou de desmentir toda a história e afirmou que nunca disse isso. No entanto, acho que essa é uma discussão que deve ser feita. No programa do Beto Pereira ele entrevistou a Paulinha Lobão e ele ao questioná-la sobre a inserção da música local na programação da rádio teve como resposta: “A rádio difusora toca o que o povo quer ouvir”, logo se não rola música local é pq o povo não quer. O que Paulinha Lobão esquece ou simplesmente não tem ciência é que a rádio não é dela e nem do seu sogro Edson Lobão, o que pertence a eles são os equipamentos, mas rádios funcionam em regime de concessão pública e devem prestar serviço público e que também existe uma lei municipal que “obriga” as rádios da cidade a executarem música produzida aqui em 40% da programação. Enfim, o Paulo Pelegrini tendo dito isso ou não deve e pode servir pra levantar essa discussão e o descumprimento de leis que as rádios tem cometido.

  2. O pior é que é verdade, essa restrição da música maranhense ao Santo de Casa (com exceção dos já consagrados, claro!). Minha decepção com a Rádio não é de hoje. Você reparou que nenhum dos mais de 70 shows de 2012 realizados pelo Projeto BR 135 foram sequer citados para concorrer ao Prêmio Universidade da Rádio Universidade FM ???? Shows incríveis de Dicy Rocha, Madian e o Escarcéu, Coletivo Gororoba, Raiz Tribal, Preto Nando, Beto Ehongue, Pé de Ginja, Nathália Ferro, Afrôs, Gerson da Conceição… entre outros tantos!
    Ouvir por alto que eles não premiam shows patrocinados por instituições como Sebrae e Sesc (dois patrocinadores do BR em 2012), pois eu já acho que deveria existir é uma categoria “PARCEIRO DA CULTURA” para premiar as instituições que estão sempre patrocinando projetos culturais que somam à cidade… Vide o SESC GUAJAJARAS, que também nunca consta da lista de indicações… E de toda forma, o BR teve apoio do SESC e SEBRAE apenas nas duas últimas edições… as SEIS primeiras foram totalmente independentes, com investimento do próprio Alê. E pra completar, a lista de indicações contava com eventos patrocinados pelo Governo do Estado, como é o caso do show A5 e o da Tribo, ambos na Lagoa. Qual é a lógica???? É DESANIMADOR! Não é o prêmio em si mas o fato de IGNORAREM uma iniciativa dessas, uma produção cultural dessa proporção. Seja por qual motivo for…

    1. tássia, paulo se pronunciou pelo facebook. é válido? é. mas a meu ver não é suficiente. a postura dele foi por demais cordial quando lhe telefonei (não me refiro ao tratamento dispensado a mim, mas em relação ao texto de bóis: se paulo não disse aquilo, o blogueiro mente, e aquele deveria tomar providências legais). o fato é que independentemente de paulo, arnold ou qualquer outro, é a rádio quem está na berlinda e seria de bom tom um pronunciamento oficial do veículo. paulinha lobão é ridícula, embora seu comportamento bem traduza o pensamento da maioria absoluta de nossos empresários das comunicações.

      amanda: fui consultor do prêmio universidade fm por dois anos e não sabia de restrições da emissora a patrocínios desta ou daquela instituição, o que acho injustificável para quem recebe dinheiro da vale, por exemplo. o prêmio precisa mudar, a rádio idem, e nem falo aqui da questão tocar ou não música maranhense, discussão que por si só já daria bastante pano pra manga. os shows apresentador, por exemplo, dentro do saudoso projeto clube do choro recebe não podiam concorrer por estarem inseridos no projeto, vai ver que é a mesma justificativa frágil para não terem concorrido os shows do br-135, louvável iniciativa que, bem mais que o prêmio universidade fm, agitou são luís ao longo do ano passado. e que continue assim em 2013, independentemente de o prêmio reconhecer.

      abraços!

  3. Meu caro Zema, como lhe disse ao telefone, o post de Bóis contém informações inverídicas. Basta escutar a Rádio Universidade para perceber que não há confinamento da música maranhense e das chamadas promocionais de eventos ou outros produtos maranhenses em apenas dois programas. Como também já me manifestei, eu já estou acionando o jornalista Henrique Bóis judicialmente. Abraços. Paulo Pellegrini

  4. obrigado, paulo. minha intenção é propor um debate sobre a rádio para além da questão de tocar ou não música maranhense, de sortear ou não ingressos de artistas maranhenses na programação, embora este seja um ponto de partida. abraços!

  5. Ah, apenas para ficar claro, já que “ouvir por alto” é sempre uma coisa complicada. Os shows do Projeto BR-135, que inclusive foram apoiados pela Rádio Universidade com inserções extras na programação, não concorrem ao Prêmio Universidade FM devido ao disposto no regulamento na categoria Melhor Show: “Regulamento: apontar o melhor show de cantor, cantora, grupo ou banda maranhense ou com domicílio cultural no Estado, produzido por profissional maranhense ou com domicílio cultural no Estado, apresentado em São Luís, no período citado. Não concorrem shows com as seguintes características: a) shows realizados apenas para convidados; b) shows com o mesmo tema que se repetem periodicamente e c) shows pertencentes a projetos artísticos e culturais.” Os shows do BR-135 fazem parte da restrição “c”. Não tem fundamento algum a informação de que não concorreram porque foram patrocinados por A ou B. Evidentemente, o Prêmio Universidade FM pode rever o regulamento, como o faz todos os anos, inclusive com a participação de consultores. Debates são sempre importantes, mas lamento que o “ponto de partida”, neste caso, seja uma irresponsabilidade jornalística. Novos abraços. Paulo Pellegrini

  6. repito: o problema da rádio não se restringe aos apontados por bóis, com ou sem responsabilidade. a rádio precisa ser urgentemente discutida. é bom que seja adotada uma postura, a fim de evitar esse tipo de comportamento, que no maranhão se tornou prática comum: a de se dizer o que se quer, sem a devida responsabilização. a propósito, a rádio deveria ter se pronunciado formal e oficialmente. que o episódio sirva ao menos para isso. abraço!

  7. Zema, compreendo a angústia. A direção pensou em nota, mas se convenceu que não faz muito sentido “esclarecer” o que é esclarecido. Basta escutar a rádio. Quanto aos rumos da emissora, as portas estão sempre abertas para sugestões. Acreditamos que, objetivamente, os ouvintes, artistas e demais formadores de opinião podem e devem procurar a rádio com propostas e ideias. Não parece ser muito frutífero tecer críticas paralelas, sem direcionamento, sem um propósito definido. O que objetivamente se deseja mudar? Quais os problemas da rádio e que sugestões se tem para resolvê-los? Tem que ser por aí, senão a emissora e sua direção ficam sendo alvo de ataques indiscriminados – quando não de inverdades – que só servem para tumultuar e não acresecentam nada.

  8. paulo, “quem cala consente”. uma nota da emissora teria sido útil e evitado maiores problemas. em sendo mentira o post do blogueiro, a ação judicial cai bem. de resto, sempre disposto a colaborar, apresentarei propostas e ideias à rádio, como já o fiz noutros tempos, independentemente de ser ou não consultor do prêmio. abração!

  9. Zema, acho que não cabe o “quem cala, consente”. Eu não me calei. E em relação à Rádio, não emitir a nota não significa em absoluto consentir que as baboseiras de Bóis procedem. Faz sentido se ouvir música maranhense nos mais variados horários e pensar que Bóis tem razão só porque a Rádio não disse “oficialmente” que ele não tinha? A resposta vem pela Justiça, não se preocupe. Por fim, em relação a esse assunto, a Rádio não tem “maiores problemas” a serem evitados. É interessante como mentiras facilmente comprováveis estão sendo vistas como “levantamento de uma discussão”. Bóis não levantou questão nenhuma. Ele deu uma “notícia” infundada. Você e outras pessoas é que estão “pegando carona” nas “informações” do jornalista para levantar questionamentos sobre a emissora, o que poderiam a fazer a qualquer instante, pela liberdade que possuem e que a Rádio dá. Pessoalmente, acho que tem muita opinião e pouca sugestão. Há textos e postagens meramente destrutivos, boa parte anônimos, que “tocam fogo” em tudo apenas para varrer as cinzas depois. Alguns atribuem a mim poder que não tenho. Para quem lê alguns textos desses incendiários, parece que mando em todo mundo na rádio, faço sozinho todas as programações, decido sozinho o que toca e o que não toca e faço a emissora à minha imagem e semelhança. Parece também que tenho o poder de destruir a cultura local e fazer artistas aparecerem e desaparecerem. Eu simplesmente faço algumas programações, um programa de rock e supervisiono de forma geral os demais núcleos. Claro que discutimos as regras da casa e, como coordenador, trabalho no sentido de fazê-las serem cumpridas por todos. Mas, entre as regras, jamais houve ou haverá alguma que prejudique a música maranhense. Ouvir a emissora é fundamental para criticá-la. E ouvir o que os artistas têm a dizer sobre ela também. É complicado afirmar que a rádio não toca determinado artista e, numa rápida busca, identificar os dias e horários em que ele tocou. Também é complicado acusar os programadores de não serem democráticos, de vetarem artistas e de qualificarem trabalhos como “não-radiofônicos” e não aparecer nenhum artista que possa confirmar isso, testemunhando que aconteceu com ele em tal e tal circunstância. Claro, a perfeição passa longe da emissora. Nossa estrutura, de forma geral, é antiga. Há muito material em vinil,não digitalizado, cuja execução é prejudicada. Não há recursos para se comprar tudo o que se precisa. E, evidentemente, todos os segmentos têm direito de achar que poderiam tocar mais. Todo artista tem esse direito. Da mesma forma, a rádio também estrutura a programação buscando contemplar o máximo de segmentos, sem descambar para a música de má qualidade. E, nessa dialética, a programação se constrói dia-a-dia. Nunca será perfeita para todo mundo, mas também nunca será proibida para ninguém. Enfim, Zema, acho que as discussões são saudáveis, mas a mentira, ainda mais travestida de jornalismo, é abominável. Somos três jornalistas aqui: você, Bóis e eu. Você está no seu papel de fomentar a discussão e eu no de lembrar a todos o que todos sabem em relação ao que Bóis publicou, já que bastam ouvir a rádio. E Bóis, infelizmente, cumpriu o papel de acusador sem provas e de “informador” de fato facilmente não comprovável. O que é uma pena é que alguns fizeram do acusador sem provas o sujeito “questionador” e que “levantou uma discussão”. Paro por aqui. Grande abraço, aguardo suas sugestões!

  10. Eu pensei em ficar calado e não entrar na discussão, pois como o próprio Paulo Pellegrini disse, “não faz muito sentido ‘esclarecer’ o que é esclarecido. Basta escutar a rádio”. Mas, como ex-estagiário da Radiun, acho válido me pronunciar diante dessa “discussão” sem pé e nem cabeça, a meu ver. Em 2001 tive a minha primeira experiência profissional como estagiário do núcleo de programação musical da Radio Universidade Fm e como programador que era tentava contemplar ao máximo os vários estilos musicais, mas sempre tentando manter uma linha na minha programação e nem sempre eu encontrava uma musica maranhense que, no meu ponto de vista, se encaixasse na mesma. Em seguida estagiei no núcleo de produção, fazendo parte da equipe do Santo de Casa. Recebíamos muito material de músicos maranhenses, entretanto, nem todos eram de qualidade (musical ou de gravação). Para tocar uma musica no programa não bastava ser produzida por maranhenses, tinha que ser atrativa. Assim como cada um seleciona o que ouve em casa, toda rádio também faz a sua seleção do que toca. Quem fez ou faz parte da Radiun e conhece a nossa produção musical sabe que nem todos os anos os artistas locais lançam CD. As vezes ficávamos tensos com relação ao Prêmio Universidade, com medo de não termos produção suficiente para concorrer, pois nem sempre o que chegava à Radiun era de qualidade ou condizia com o perfil das musicas que tocam na mesma. Os estagiários da Radiun sempre foram ouvidos, nossas idéias sempre eram levadas em consideração. A Radiun realmente sempre foi aberta ao diálogo e acho ridículo este tipo de atitude com uma emissora que até hoje se preocupa com a nossa cultura. A rádio é feita por pessoas, cada uma pensando de uma forma e os ouvintes também tem gostos variados, ou seja, ela nunca vai agradar a todos. Outra coisa, não dá pra fazer a programação pensando em agradar aos jornalistas e “intelectuais” que ouvem a rádio para receber elogios destes e deixar os demais ouvintes à mercê das suas vontades. A Radio Universidade não é uma rádio restrita aos “intelectuais” e toca não apenas o que é de vontade do Paulo, da Maud ou de qualquer outra pessoa que faça parte da equipe. Quem ouve a programação do Paulo que vai ao ar e o conhece pessoalmente, sabe de seus gostos musicais, vai saber que ele não programa apenas o que é do gosto pessoal dele. Eu mesmo cansei de ter que refazer minha programação porque as vezes parecia que eu estava programando para mim mesmo e não para o público da Rádiun. O Paulo e a Maud sempre ficaram atentos a todas as programações, mas eles não são perfeitos e nunca vão agradar a todos. Se querem “melhorar” a Radiun, porque não os procuram, marquem uma reunião, mandem e-mail, telefonem, tentem dialogar ao invés de usarem os “medias” para criticar antes de darem sugestões??? Conhecendo o Paulo e a equipe da Radiun, não tenho medo de dizer que acredito em Paulo Pellegrini e, mais ainda, ele jamais teria essa postura se tratando de algo que beneficia a Radiun e seus ouvintes. Não estou aqui para esclarecer nada, apenas para opinar, pois fiquei indignado com o ocorrido. Que espécie de jornalismo é esse que está sendo praticado no Maranhão??? Se é que se pode chamar isso de jornalismo.

  11. paulo, diante de nosso contato telefônico, deixei de publicar um texto que já havia escrito, comentando o de bóis. não me arrependo. publiquei o de cesar, sempre uma referência, por saber que ele não cairia no engodo do achismo da blogosfera irresponsável: tive informação de que haveria limitações para o sorteio de ingressos de uma produção local. meu ponto de partida para discutir a rádio não é o post de bóis, eu já procuro fazê-lo de outras formas, antes, durante e principalmente depois do ocorrido. fico contente com a disposição da rádio e das pessoas que a fazem em ouvir e aceitar sugestões.

    alfredo, importante tua participação, tua contribuição para a discussão da coisa toda. o ponto de partida, desta discussão, em particular, pode não ter pé nem cabeça, mas a discussão tem, é saudável. espero que faças diferença entre o jornalismo que se pratica neste blogue e a média do maranhão nas últimas linhas de teu comentário.

    abraços!

  12. Pois é, Zema. Bóis, César e você tiveram “informações de que haveria limitação de sorteio de ingressos de uma produção local” e nenhum dos três perguntou para mim (enquanto coordenador da rádio e responsável por essa atividade na emissora, junto com o setor de Marketing) se isso era verdade. Basearam-se apenas na produtora. Não estou aqui para debater procedimentos corretos de jornalismo, mesmo sendo professor da matéria. Mas surgiu este “fato” envolvendo meu nome e ninguém me perguntou se procedia. Você me perguntou apenas sobre a questão da música maranhense ser “confinada”. Então, aproveito para responder, mesmo sem ser perguntado, que o sorteio de ingressos iria acontecer sim em determinados horários, como acontece com TODOS os sorteios de ingressos de TODOS os shows, MARANHENSES OU NÃO, já que a emissora possui programas com sinopses diferentes e os shows estão dentro de perfis diferentes também. Acho que só na cabeça de quem tem pouco conhecimento de mídia e gêneros é possível achar que um artista atinge, ao mesmo tempo, o público roqueiro, regueiro, boieiro, erudito, chorístico, romântico, mpbista… A produtora entendeu muito bem, mas como queria que fosse do seu jeito – porque só pensa é no seu show, não na “música maranhense” – sentiu-se no direito de enviesar. Ela, egoista, pode fazer isso, claro. Mas, assim, vai construindo seu caráter e escrevendo as linhas de sua vida profissional. Vocês comprarem isso e tomarem como “informação” sem checar é outra história. Enfim, como disse, somos todos profissionais e não estou aqui para ensinar jornalismo. A propósito, a produtora sempre teve bom relacionamento com a emissora e comigo. Diversas concessões lhe foram feitas ao longo dos últimos anos: inserções extras, descontos consideráveis, promoções e entrevistas com artistas que ela promove. No entanto, como dessa vez ela escolheu “jogar” a rádio “aos leões”, porque foi vaidosa e egoista – ela saiu daqui ouvindo que haveria sim promoção, mas que não seria em todos os horários – a rádio decidiu não realizar a promoção porque não promove ingressos de produtores que devem a emissora,como é o caso dela. Se vocês encontrarem uma emissora que faz promoção de um mesmo produto o dia todo, e não separando por horário e fatias de público, e que faz cortesia para produtores que a devem, me avisem. Usar a palavra “limitação” é, na minha visão, uma maldade.

  13. Começo minha fala com o seguinte trecho do jornalista e blogueiro responsável por esse “debate”:
    “meu ponto de partida para discutir a rádio não é o post de bóis, eu já procuro fazê-lo de outras formas, antes, durante e principalmente depois do ocorrido. fico contente com a disposição da rádio e das pessoas que a fazem em ouvir e aceitar sugestões”
    Gostaria de saber em que momento e como todas as pessoas, inclusive você, já tentaram de maneira sistemática contribuir com o desenvolvimento da Radiun?
    Acho interessante essa postura “engajada” que alguns tentam demonstrar para construção de um trabalho sólido e relevante não só para emissora, mas para a promoção da cultura maranhense como um todo. Tudo isso me transmite a sensação de politicagem (na pior acepção que essa categoria possa ser aplicada) às vésperas de uma eleição.
    Para haver debate é necessário haver ideias, contraditórias, mas há de se ter ideias! Até agora só li da parte dos que só querem “contribuir” argumentarem com posicionamentos do tipo “é desanimador” “não valoriza” “confina” “restringem” “cerceiam”. Onde é que está a contribuição ou o debate? Na reprodução do texto de outro “por saber que ele não cairia no engodo do achismo da blogosfera”?
    Para os mais letrados em análise social fica fácil perceber que toda fala parte de algum lugar e representa um interesse, não acredito que o grande cantor esteja livre disso. Muito menos os prestigiados ou desprestigiados pela rádio. Os comunicólogos que gostam de teoria sabem, a mídia é um dos meios de promover ascensão e dar visibilidade. Direta ou indiretamente todos nós estamos inclusos nessa lógica. Mas para alguns estar em visibilidade torna-se essencial (eis a razão disto tudo ter começado!)

    Propor uma mobilização na rede é fácil, quero ver na vida real chegar e sugerir! É mais cômodo atirar a pedra e ficar tranquilamente sentado na frente do seu computador, tablet, smartphone… dizendo que só quer contribuir.

    “paulo, “quem cala consente”. uma nota da emissora teria sido útil e evitado maiores problemas”
    Nem que a Rádio Universidade comprasse a capa do Jornal de maior circulação da cidade, esse mimimi ia acabar, pois o que mais tem por aí é gente com mentalidade de pequeno burguês (vide Bourdieu).

    Fui estagiária, hoje trabalho na emissora. Tudo que foi dito pelo Alfredo é verídico! Aos mais apressados vão me categorizar “puxa-saco”, “quer garantir o teu”. Não tenho necessidade disso. Até hoje, trabalhei em locais onde acreditava na filosofia da empresa. Eu acredito na Rádio Universidade, na proposta que ela tem, em sua essência. Fazer a diferença e mudar só é possível através do trabalho diário. Mobilizações do tipo que estão acontecendo aqui levantam a poeira, mas para nós que precisamos construir a rádio, levar ela pra frente diariamente só atrapalha. Queremos, EU QUERO OURVIR, as proposta!Liguem pra emissora, marquem um horário. Dizem que é na crise que temos a oportunidade de crescer. Então, vamos lá! Mas aos contraproducentes fica a dica, sensacionalismo não! Já deu.

    1. ana, este blogue não pratica sensacionalismo. e contribui para a promoção da cultura maranhense a sua maneira, isto é, em minhas horas de folga, sem receber centavo de apoio ou patrocínio, às próprias custas s/a, como cantaria outro grande de nossa músia. particularmente com a rádio também já contribui e estou disposto, sempre. não é só discurso nem conforto. não me considero contraproducente, e talvez nem precisasse dizer isso aqui. você fala em véspera de eleição. de que eleição?

  14. paulo, obrigado pelos esclarecimentos. a produtora, infelizmente, não tem dívidas e problemas de relacionamento apenas com a rádio. por isso este blogue não compra a briga dela. se divulga as produções é apenas pela qualidade dos artistas envolvidos. abraço!

  15. Posso já dar a sugestão de mudança no regulamento do Prêmio pois não consigo ver motivo plausível para se excluir “projetos culturais” do concurso. Além disso, sugiro incluir a categoria Parceiros da Cultura, para premiar empresas e instituições que apoiam a cultura neste estado. São poucas, e com o premio, quem sabe outras não se animam?

  16. Sugestões anotadas, Amanda. Até hoje, os projetos culturais não entram porque o espírito da categoria Melhor Show é indicar shows inéditos, realizados pelo artista em lugares em que ele e sua produção tornam adequados para o show (cenário, efeitos, luzes, dentro do conceito do show), que tenham tido uma produção específica de profissionais também alinhados com o conceito do show. Em outras palavras, são eventos executados por artistas que se propõem a fazer, de fato, um show próprio, sair dos bares de fim de semana e colocar sua obra diante de um público que se dispõe a sair de casa para vê-lo. Os projetos culturais têm natureza sutilmente diferente, na visão do Prêmio – entendendo o Prêmio como comissão organizadora mais consultores convidados. São feitos diversos shows num mesmo dia, não há produção específica para cada show, todos tocam no mesmo palco, sob o mesmo cenário institucional do projeto. Falta individualidade. O artista não pensa este show como “seu”, mas como parte de um evento de terceiros. Ele ou sua produção não decidem o tempo de duração, as estratégias de divulgação, o cenário. São absorvidos pelas regras do projeto. Não fica caracterizado, dessa forma, o show “do artista”, em amplas dimensões. Além disso, Amanda, como você disse, foram realizados 70 shows no BR-135. Qual o critério para escolher os que entrariam no questionário do Prêmio, se todos aconteceram em circunstâncias semelhantes quanto a palco, cenário, iluminação, duração? Ficaria muito subjetiva essa seleção. Para não haver parcialidades, tem sido mais prudente desconsiderar shows dessa natureza. Até porque boa parte dos artistas envolvidos realizaram shows fora do projeto e foram indicados por isso. Essa é a explicação, mas, como disse, poderá ser revista. Uma saída é criar a categoria Projetos Culturais, mas para isso teria que haver um número mínimo de projetos para haver concorrência. Enfim, seja lá o que for, a comissão do Prêmio vai estudar suas sugestões.

  17. uma frase define tudo: “para criticar é fundamental ouvir a rádio o dia inteiro” para perceber que não existe confinamento da música produzida aqui. É triste ver essa discussão por um lado pessoal de um jornalista para um outro colega, onde a emissora (dentro desse fogo cruzado) presta um dos maiores serviços ao artista maranhense, o que me deixa triste pela história que ela tem e ajudo a construir com grande contribuição a sociedade ludovicense, enquanto outras batem a porta na cara do artista local e desconhece sua existência. É muita ingratidão! é evidente que há muito a melhorar, não restam dúvidas, pergunto: Quantas exercem esse mesmo comprometimento com o artista em sua programação? poucas, ou quase nenhuma. Gente lembrem-se: A rádio Universidade FM (com todos os seus defeitos) é a casa da música maranhense e ponto final. Isso é fato! não é o que Paulo, Maud, Arnold, Cristina, Marcos e outros desejam.. é a música por sí… a Universidade FM é maior do que todos!

  18. marcos vinícius: se é preciso ouvir a rádio o dia inteiro para criticá-la, ninguém o fará. a universidade fm pode até prestar um dos maiores serviços ao artista maranhense, mas, como já disse, não podemos nos nivelar por mirante e difusora ou outras rádios comerciais. a universidade tem que ir além. abraço!

  19. mas nobre Zema aqui não se nivela as demais, os comercias hoje é a auto sustentação das emissoras, seja, tv, impresso, rádios e até mesmo a internet. Muitos a não ser você nos ouvem quase o dia inteiro isso significa propriedade para conhecer mais a nossa programação, ou seja, faz sim, quem mais poderia nos julgar a não ser os ouvintes/críticos brother???

    citação de várias pessoas sobre o assunto em questionamento:

    ” muitos não ouvem a rádio ” isso é fato!

    conheça mais, não somente aos domingos!

    .final

  20. meu caro marcos vinícius, embora não tenha condições de ouvir (a) rádio o dia inteiro, não ouço apenas o chorinhos e chorões. acho que posso me considerar um ouvinte da universidade fm, a quem desejamos o melhor, sempre. abração!

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