Que os anjos batuquem no céu para receber Michol literalmente à altura

Na Fonte do Ribeirão Michol fala, ladeada por brincantes de bloco tradicional em foto roubada do facebook de Letícia Cardoso

Um torpedo do amigo Joãozinho Ribeiro, ex-secretário de cultura do Estado do Maranhão, me alcança logo cedo, nem bem havia eu chegado ao trabalho. Dava conta do falecimento de Maria Michol Pinho de Carvalho, com quem tivemos a oportunidade de trabalhar.

Ela, ex-Superintendente de Cultura Popular do Maranhão, dirigente do Centro de Cultura Popular Domingos Vieira Filho, uma das casas de cultura do Maranhão ligadas à secretaria de Estado da Cultura. Era uma pessoa alegre e brincalhona, extremamente séria e zelosa com seus afazeres. Membro da Comissão Maranhense de Folclore, era uma apaixonada pelo que fazia.

Atuou ativamente no processo de inventário dos blocos tradicionais do Maranhão, que busca dar ao segmento status já obtido por outra manifestação cultural legitimamente nossa, o tambor de crioula. O processo está em tramitação no Ministério da Cultura, com as digitais de Michol.

“Melhor chefe que tive na vida! Michol foi essencial para que eu acreditasse em minha profissão, na minha escolha profissional. Além de chefe foi sempre uma incentivadora e, acima de tudo, amiga”, confessa-me Cris Ribeiro, jornalistamiga com quem também trabalhamos. Lembro que, à época em que chefiei a assessoria de comunicação da Secma, tentei “sequestrá-la” para integrar minha equipe. Pela amizade, companheirismo e confiança na saudosa Michol, Cris não deixaria a equipe do CCPDVF, apesar de não ser pequena também nossa amizade, carinho e respeito mútuos.

“Sem dúvidas a morte de Michol Carvalho é uma grande perda para todos os maranhenses, em especial os militantes da área cultural”, manifestou-se por e-mail o presidente da Fundação Municipal de Cultura Euclides Moreira Neto.

Também por e-mail o jornalista Joel Jacintho lamentou a perda: “Tive enorme prazer de trabalhar com Michol no inventário dos blocos tradicionais. Uma pessoa séria, incentivadora, humana e amiga, sem contar que levava a sério tudo o que envolvia a cultura. Com certeza uma grande perda”.

Professora do Departamento de Comunicação da UFMA, Letícia Cardoso criticou a cobertura da mídia local em relação ao falecimento da pesquisadora. “Os textos pobres de informações, quase idênticos (até a foto é a mesma!), não fazem jus à longa trajetória e à profunda dedicação da pesquisadora no campo da cultura popular maranhense. Eu cheguei a acompanhar alguns trabalhos de Michol, ela serviu de fonte para minha pesquisa de mestrado, tive alguns embates teóricos com ela em meu trabalho, mas reconheço que, a seu modo, desenvolveu um papel importantíssimo de luta pela legitimação e (re)conhecimento de diversas expressões culturais populares, como o Divino Espírito Santo, o Bumba meu boi, os rituais de Natal e mais recentemente os blocos carnavalescos. Os repórteres poderiam ter feito pelo menos uma breve pesquisa no currículo de Michol, não custava nada”, protestou em sua conta no Facebook.

Maria Michol faleceu na madrugada desta segunda-feira, em Fortaleza/CE, vítima de parada cardíaca. Tinha 62 anos. Seu corpo será velado na residência do percussionista Arlindo Carvalho, seu irmão, na Rua dos Afogados, Centro de São Luís, em frente à Padaria Santa Maria. Seu corpo está sendo velado na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, na Rua do Egito, Centro de São Luís. O sepultamento será amanhã à tarde, no Cemitério do Gavião, na Madre Deus.

Autor: zema ribeiro

homem de vícios antigos, ainda compra livros, discos e jornais

8 comentários em “Que os anjos batuquem no céu para receber Michol literalmente à altura”

  1. Qualquer coisa que eu pudesse vir a falar da Michol, nesse momento, seria pequeno demais. Concordo com a Letícia – e todos que a conheceram também hão de concordar – que a mídia local foi, no mínimo, tacanha nas informações sobre esta personalidade que, pra mim, será inesquecível. Obrigada, Zema, pelo registro.

  2. cris, sou conhecedor de teu carinho, respeito e amizade por michol, pois sempre os vi de perto. estes sentimentos com certeza estão entre o que ela deixou de melhor para nós, junto de sua vida dedicada à nossa cultura popular. viva michol viva! abração!

  3. Também tive o prazer de trabalhar com Michol. Era pessoa muito exigente e competente. Criou eventos no CCPDVF como o baile bigorrilho ou situações em que pudesse trazer algum folguedo popular ou manifestação desconhecida da capital, sempre procurando extrair o melhor dos técnicos e pesquisadores.

  4. estes intercâmbios promovidos por michol foram fundamentais para que a gente conhecesse um pouco da gente mesmo, não é? sinto dizer, mas com ela morre um pedaço de nossa cultura popular. abração!

  5. Conhecir a minha madrinha Michol desde que me entendir como menina e a escolhir para ser minha madrinha, foi com lamentavel tristeza que recebir a noticia do falecimento dela. Ela foi uma excelente profissional, dedicada e muito dinamica. Assim , como tambem foi uma excelente pessoa , amiga, solidaria , uma boa filha, irma. A materia se foi mas as lembrancas ficarao na memoria de todos que os conheceram. Descanse em paz madrinha.

  6. klerose, michol deixa ótimas lembranças e muitas saudades. certamente foi recebida no céu com um baile animado por grandes mestres já idos, felipe, teté, coxinho, lauro e muitos outros. abração!

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